Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
sexta-feira, dezembro 28, 2012
Elegia para uma relação mundana
Já desceram as sombras sobre nós
E os dias de paixão e encantamento
Também foram.
Restam os silêncios que na voz
Mais não são momentos que se afloram.
Fingimos não ver o que é presente,
A ternura e o calor que é ausente,
Deixámos o tédio ser rei na vida.
E á noite, quando a vontade desperta
Deixamos por momentos a porta aberta
E usamos no outro a tesão sentida.
E quando o momento se acaba
Nem um beijo, ou carícia
Paira no ar.
Viramos o ser para outro lado
Temos o corpo saciado
E as sombras teimam em voltar.
Manuel F. C Almeida.
terça-feira, dezembro 25, 2012
Porque é natal,
um dia como outro qualquer
Vão morrer muitas pessoas
E outras pessoas nascer.
Pessoas há que nem sabem
Que neste dia dito especial
Nasceram muitos meninos
Que não conhecem o natal
Que vivem todos os dias
Apenas para sobreviver
E outros há que sem saber,
Porque nunca lhes disseram,
Estragam o muito que têm
Á custa dos que nada tiveram.
Neste dia de Natal
Um dia como outro qualquer
Os donos do capital
Continuarão a enriquecer
Não me venham pedir tréguas
Ou que me deixe iludir
O natal é mais um dia
Igual aos que se irão seguir.
E como a minha existência
É uma luta pela justiça
Só irei ter um natal
Quando acabar a injustiça.
Manuel F. C. Almeida
sábado, dezembro 22, 2012
Sinalizei o silêncio como um tratado
Entre o estar e o não estar.
Entre palavras que, de luz,
Seriam o palco onde os personagens
Se transformavam em flores ou simples
Objetos de uso comum, conformados
Com a sorte que lhes calhou.
Mas sinalizei o silêncio no momento em
Que o silêncio se quebrou, não por se quebrar
Mas unicamente por continuar a ser silêncio
Nos sentidos.
A meu lado o sonho esfumou-se, como a água
Das ondas se vai por entre a areia da praia.
Talvez uma nova onda seja maior e traga mais
Água, talvez a areia da praia fique impermeável
Mas o silêncio cavalga agora as ondas
E o olhar perde-se na imensidão de um oceano
De duvidas que rebentam na praia e
Nela depositam corpos… em silêncio.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, dezembro 18, 2012
quarta-feira, dezembro 12, 2012
Ao mundo sobrevivi
Só e sem nada ter
Mudei de rumo sempre
Que quis
Mudei de vida, mudei de querer
Sempre a mudar
Desenhei o meu caminho
Nada me impede de o fazer,
Nem amores que o tempo
Condena,
Nem falsos paraísos de prazer
Só vivo em pleno na liberdade
De amar os dias ao acordar
Não me convencem promessas
E não temo estar só
A caminhar..
Manuel F. C. Almeida
sábado, dezembro 08, 2012

Estou preso dentro de mim
De um mundo de encruzilhadas
De dúvidas que não têm fim
Mas todas com muitas estradas
Não creio que existam respostas
Nos caminhos a escolher
Carreiros em frente e nas costas
E eu quieto sem me mover
Espero em vão um sinal
Que me ajude a decidir
De como escolher afinal
Qual o caminho a seguir
De algo tenho a certeza
Não há caminhos sem dor
Que em todos existem tristezas,
Angustias e campos em flor.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, dezembro 04, 2012
Não escrevo para os outros
Escrevo para me libertar.
Do carcere de cada hora
Que passa e que há-de passar
Faço da escrita catárse
Desde que me levanto ao deitar.
por vezes nem sei quem fala,
Nem sei se quero falar
desta vida inconstante
De quem se esta a interrogar:
Quem sou, de onde vim
para onde estou a caminhar?
respostas que sempre procuro
neste eterno dialogar
entre os varios "eus" que convivem
dentro de mim a lutar.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, novembro 30, 2012
Costumo dizer que há uma linha
Entre dois pontos, duas pessoas.
Uma linha que separa
E também une.
Costumo dizer que há linha
Há qual me encontro imune.
É a linha do olhar que se não dá
Que não se recebe
É a linha que sem nada dizer
Se percebe.
Há pois uma linha em tudo,
Em todas as nossas acções
Uma linha de esperança…
Ou uma linha de ilusões.
E sempre que encontro essa linha
No meu lento caminhar
Gosto de a percorrer
E de repente saltar.
E deixo a linha seguir
O rumo que ela escolher
Eu…desenho outra linha
Para novamente viver.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 25, 2012
Nada existe nas contas do rosário
que guardo na raiz do meu sangue.
Só o tempo molda os deuses
E os devolve em barro
Cozido e seco, misturado com
Os gritos de muitos homens
Em sacrifícios estéreis
O bem e o mal são faces estranhas
De todos nós e do nosso medo
Para com a vida e a liberdade.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, novembro 22, 2012
Eu escrevo poemas no teu ventre
E neles liberto me liberto
Das águas gélidas da existência
Amarga e vazia que todos os dias
Me persegue.
E tu… nunca saberei o que sentes
Quando me acolhes e me proteges
Sé é que me acolhes e me proteges
Ou tudo não passa de uma troca
De liberdades e existências. Sem cor
Sem ternura, sem paixão.
Eu escrevo poemas no teu ventre
Gritos de solidão.
Manuel F. C. Almeida
sábado, novembro 17, 2012
São como frutos de Outono
Os corpos matizados de odores
E sabores que em sofreguidão
Se oferecem à nossa luxúria
E os sons que emitimos
Saídos da alma, prenhes de gozo
Empurram os ventres
Na procura dos lábios
Sabiamente tomamos
Os corpos em delírio
Ternamente acordados
Pelo nosso querer
E com beijos e urros
Tomamos o outro
Cavalgamos os corpos
E caímos inanimados de prazer.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, novembro 13, 2012
Toda a poesia é inócua.
Gosto de ler poesia,
Daquela poesia que fala do amor
Imaginário e que nunca acontece.
É sobre esse amor que gosto de escrever.
Delicio-me a descrever com palavras
Belas a beleza oculta e imaginária
Dos corpos, a excelência dos sentidos
O êxtase do encontro. Geralmente
Alguns leitores vestem a máscara social
E aplaudem, dizem ser belo e outras
Coisas do género. Raramente algum é honesto
Na verdade é limito-me a escrever sobre merdas
Que não existem, e a deixar escondida a
Minha real intenção.
A poesia é fodida.
Os poetas querem a alma do mundo e
Ter uma desculpa para não falar.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, novembro 07, 2012

Tenho finalmente o meu terreiro.
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.
E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.
Manuel F. C. Almeida
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.
E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, outubro 31, 2012
domingo, outubro 28, 2012
quarta-feira, outubro 24, 2012
Não entendo, nem poderei entender
A
cruel curiosidade de ser,
A
luz que se vai na paisagem,
O medo da vontade. A miragem.
Não
entendo as razões que a minha razão
Vai
criando. O horizonte que se move
Sem
que movimento se veja
Ou
a mulher que me abraça. Ou me beija.
Só
entendo o inevitável, a morte que me acompanha
E
a areia que escorre pelos meus dedos
Lavando
consigo o tempo carregado de corpos
Desejados. Meus segredos.
Desejados. Meus segredos.
Manuel
F. C. Almeida
sexta-feira, outubro 19, 2012
domingo, outubro 14, 2012
domingo, setembro 30, 2012

Procuro nos poemas
O saber que sempre foge,
O apaziguar impacienteDo espanto.
E de palavra em palavra
Vou vislumbrando a ciclópica
Tarefa e em vão continuo
A saga de tornar translúcidos
Os conceitos.
Morrerei ao tentar, morrerei
Sem honras e sem glórias
Porque as palavras não se prendem!
São a liberdade das memórias.
Manuel F. C. Almeida
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