terça-feira, dezembro 25, 2012





















Porque é natal,
um dia como outro qualquer
Vão morrer muitas pessoas
E outras pessoas nascer.
Pessoas há que nem sabem
Que neste dia dito especial
Nasceram muitos meninos
Que não conhecem o natal
Que vivem todos os dias
Apenas para sobreviver
E outros há que sem saber,
Porque nunca lhes disseram,
Estragam o muito que têm
Á custa dos que nada tiveram.
Neste dia de Natal
Um dia como outro qualquer
Os donos do capital
Continuarão a enriquecer
Não me venham pedir tréguas
Ou que me deixe iludir
O natal é mais um dia
Igual aos que se irão seguir.
E como a minha existência
É uma luta pela justiça
Só irei ter um natal
Quando acabar a injustiça.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 22, 2012
















Sinalizei o silêncio como um tratado

Entre o estar e o não estar.

Entre palavras que, de luz,

Seriam o palco onde os personagens

Se transformavam em flores ou simples

Objetos de uso comum, conformados

Com a sorte que lhes calhou.

Mas sinalizei o silêncio no momento em

Que o silêncio se quebrou, não por se quebrar

Mas unicamente por continuar a ser silêncio

Nos sentidos.

A meu lado o sonho esfumou-se, como a água

Das ondas se vai por entre a areia da praia.

Talvez uma nova onda seja maior e traga mais

Água, talvez a areia da praia fique impermeável

Mas o silêncio cavalga agora as ondas

E o olhar perde-se na imensidão de um oceano

De duvidas que rebentam na praia e

Nela depositam corpos… em silêncio.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 18, 2012





















Costumo morrer todos os dias

Na solidão da madrugada

E onde alguns colhem lírios e

Alecrim, numa alegria

De vida que eu invejo.

Eu encontro apenas o silêncio

Em tudo aquilo que vejo.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 12, 2012















Ao mundo sobrevivi


Só e sem nada ter

Mudei de rumo sempre

Que quis

Mudei de vida, mudei de querer

Sempre a mudar

Desenhei o meu caminho

Nada me impede de o fazer,

Nem amores que o tempo

Condena,

Nem falsos paraísos de prazer

Só vivo em pleno na liberdade

De amar os dias ao acordar

Não me convencem promessas

E não temo estar só

A caminhar..



Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 08, 2012















 

 

Estou preso dentro de mim
De um mundo de encruzilhadas
De dúvidas que não têm fim
Mas todas com muitas estradas

Não creio que existam respostas
Nos caminhos a escolher
Carreiros em frente e nas costas
E eu quieto sem me mover

Espero em vão um sinal
Que me ajude a decidir
De como escolher afinal
Qual o caminho a seguir

De algo tenho a certeza
Não há caminhos sem dor
Que em todos existem tristezas,
Angustias e campos em flor.

Manuel F. C. Almeida






terça-feira, dezembro 04, 2012





















Não escrevo para os outros


Escrevo para me libertar.

Do carcere de cada hora

Que passa e que há-de passar

Faço da escrita catárse

Desde que me levanto ao deitar.

por vezes nem sei quem fala,

Nem sei se quero falar

desta vida inconstante

De quem se esta a interrogar:
Quem sou, de onde vim

para onde estou a caminhar?


respostas que sempre procuro

neste eterno dialogar

entre os varios "eus" que convivem

dentro de mim a lutar.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 30, 2012
















Costumo dizer que há uma linha
Entre dois pontos, duas pessoas.
Uma linha que separa
E também une.
Costumo dizer que há linha
Há qual me encontro imune.
É a linha do olhar que se não dá
Que não se recebe
É a linha que sem nada dizer
Se percebe.
Há pois uma linha em tudo,
Em todas as nossas acções
Uma linha de esperança…
Ou uma linha de ilusões.
E sempre que encontro essa linha
No meu lento caminhar
Gosto de a percorrer
E de repente saltar.
E deixo a linha seguir
O rumo que ela escolher
Eu…desenho outra linha
Para novamente viver.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 25, 2012





















Nada existe nas contas do rosário

que guardo na raiz do meu sangue.

Só o tempo molda os deuses

E os devolve em barro

Cozido e seco, misturado com

Os gritos de muitos homens

Em sacrifícios estéreis



O bem e o mal são faces estranhas

De todos nós e do nosso medo

Para com a vida e a liberdade.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 22, 2012





















Eu escrevo poemas no teu ventre

E neles liberto me liberto

Das águas gélidas da existência

Amarga e vazia que todos os dias

Me persegue.

E tu… nunca saberei o que sentes

Quando me acolhes e me proteges

Sé é que me acolhes e me proteges

Ou tudo não passa de uma troca

De liberdades e existências. Sem cor

Sem ternura, sem paixão.



Eu escrevo poemas no teu ventre

Gritos de solidão.



Manuel F. C. Almeida








sábado, novembro 17, 2012


















São como frutos de Outono
Os corpos matizados de odores
E sabores que em sofreguidão
Se oferecem à nossa luxúria
E os sons que emitimos
Saídos da alma, prenhes de gozo
Empurram os ventres
Na procura dos lábios
Sabiamente tomamos
Os corpos em delírio
Ternamente acordados
Pelo nosso querer

E com beijos e urros
Tomamos o outro
Cavalgamos os corpos
E caímos inanimados de prazer.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 13, 2012















Toda a poesia é inócua.


Gosto de ler poesia,

Daquela poesia que fala do amor

Imaginário e que nunca acontece.

É sobre esse amor que gosto de escrever.

Delicio-me a descrever com palavras

Belas a beleza oculta e imaginária

Dos corpos, a excelência dos sentidos

O êxtase do encontro. Geralmente

Alguns leitores vestem a máscara social

E aplaudem, dizem ser belo e outras

Coisas do género. Raramente algum é honesto

Na verdade é limito-me a escrever sobre merdas

Que não existem, e a deixar escondida a

Minha real intenção.



A poesia é fodida.

Os poetas querem a alma do mundo e

Ter uma desculpa para não falar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 07, 2012















Tenho finalmente o meu terreiro.
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.

E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 31, 2012





















E se um dia puder
Espalhar-me pelo mar
Fundir-me no tempo
Ou soltar-me no ar
Deixarei de ser homem
Serei finalmente
Somente memória
Um sopro de sal
Que o vento carrega
Num segundo de história.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 28, 2012





















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 24, 2012





















Não entendo, nem poderei entender
A cruel curiosidade de ser,
A luz que se vai na paisagem,
O medo da vontade. A miragem.
Não entendo as razões que a minha razão
Vai criando. O horizonte que se move
Sem que movimento se veja
Ou a mulher que me abraça. Ou me beija.
Só entendo o inevitável, a morte que me acompanha
E a areia que escorre pelos meus dedos
Lavando consigo o tempo carregado de corpos
Desejados. Meus segredos.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 19, 2012





















Porque se fecham os dedos
E se levantam os punhos?

Quando tudo o que move mundo
São os lábios!

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 14, 2012



















Percorro o meu olhar
com o teu corpo
Desenho o meu desejo
em contraluz.
Espaço é um lugar onde
te encontras
Nua como oferta de
deuses aos homens.

E o desejo é um arco-íris sem barreiras.


Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 06, 2012
















Tenho-te guardada no coração,
No canto sofrido da alma,
No mistério das palavras
De silêncio.
Tenho-te solta em cada olhar
Em cada gesto que faço
Em cada canto e em cada passo

Tenho-te sem nunca te ter
Ó minha irmã liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 30, 2012















Procuro nos poemas
O saber que sempre foge,
O apaziguar impaciente
Do espanto.
E de palavra em palavra
Vou vislumbrando a ciclópica
Tarefa e em vão continuo
A saga de tornar translúcidos
Os conceitos.
Morrerei ao tentar, morrerei
Sem honras e sem glórias
Porque as palavras não se prendem!
São a liberdade das memórias.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 24, 2012
















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural,
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.do
m
Manuel F. C. Almeida