terça-feira, dezembro 04, 2012





















Não escrevo para os outros


Escrevo para me libertar.

Do carcere de cada hora

Que passa e que há-de passar

Faço da escrita catárse

Desde que me levanto ao deitar.

por vezes nem sei quem fala,

Nem sei se quero falar

desta vida inconstante

De quem se esta a interrogar:
Quem sou, de onde vim

para onde estou a caminhar?


respostas que sempre procuro

neste eterno dialogar

entre os varios "eus" que convivem

dentro de mim a lutar.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 30, 2012
















Costumo dizer que há uma linha
Entre dois pontos, duas pessoas.
Uma linha que separa
E também une.
Costumo dizer que há linha
Há qual me encontro imune.
É a linha do olhar que se não dá
Que não se recebe
É a linha que sem nada dizer
Se percebe.
Há pois uma linha em tudo,
Em todas as nossas acções
Uma linha de esperança…
Ou uma linha de ilusões.
E sempre que encontro essa linha
No meu lento caminhar
Gosto de a percorrer
E de repente saltar.
E deixo a linha seguir
O rumo que ela escolher
Eu…desenho outra linha
Para novamente viver.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 25, 2012





















Nada existe nas contas do rosário

que guardo na raiz do meu sangue.

Só o tempo molda os deuses

E os devolve em barro

Cozido e seco, misturado com

Os gritos de muitos homens

Em sacrifícios estéreis



O bem e o mal são faces estranhas

De todos nós e do nosso medo

Para com a vida e a liberdade.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 22, 2012





















Eu escrevo poemas no teu ventre

E neles liberto me liberto

Das águas gélidas da existência

Amarga e vazia que todos os dias

Me persegue.

E tu… nunca saberei o que sentes

Quando me acolhes e me proteges

Sé é que me acolhes e me proteges

Ou tudo não passa de uma troca

De liberdades e existências. Sem cor

Sem ternura, sem paixão.



Eu escrevo poemas no teu ventre

Gritos de solidão.



Manuel F. C. Almeida








sábado, novembro 17, 2012


















São como frutos de Outono
Os corpos matizados de odores
E sabores que em sofreguidão
Se oferecem à nossa luxúria
E os sons que emitimos
Saídos da alma, prenhes de gozo
Empurram os ventres
Na procura dos lábios
Sabiamente tomamos
Os corpos em delírio
Ternamente acordados
Pelo nosso querer

E com beijos e urros
Tomamos o outro
Cavalgamos os corpos
E caímos inanimados de prazer.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 13, 2012















Toda a poesia é inócua.


Gosto de ler poesia,

Daquela poesia que fala do amor

Imaginário e que nunca acontece.

É sobre esse amor que gosto de escrever.

Delicio-me a descrever com palavras

Belas a beleza oculta e imaginária

Dos corpos, a excelência dos sentidos

O êxtase do encontro. Geralmente

Alguns leitores vestem a máscara social

E aplaudem, dizem ser belo e outras

Coisas do género. Raramente algum é honesto

Na verdade é limito-me a escrever sobre merdas

Que não existem, e a deixar escondida a

Minha real intenção.



A poesia é fodida.

Os poetas querem a alma do mundo e

Ter uma desculpa para não falar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 07, 2012















Tenho finalmente o meu terreiro.
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.

E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 31, 2012





















E se um dia puder
Espalhar-me pelo mar
Fundir-me no tempo
Ou soltar-me no ar
Deixarei de ser homem
Serei finalmente
Somente memória
Um sopro de sal
Que o vento carrega
Num segundo de história.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 28, 2012





















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 24, 2012





















Não entendo, nem poderei entender
A cruel curiosidade de ser,
A luz que se vai na paisagem,
O medo da vontade. A miragem.
Não entendo as razões que a minha razão
Vai criando. O horizonte que se move
Sem que movimento se veja
Ou a mulher que me abraça. Ou me beija.
Só entendo o inevitável, a morte que me acompanha
E a areia que escorre pelos meus dedos
Lavando consigo o tempo carregado de corpos
Desejados. Meus segredos.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 19, 2012





















Porque se fecham os dedos
E se levantam os punhos?

Quando tudo o que move mundo
São os lábios!

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 14, 2012



















Percorro o meu olhar
com o teu corpo
Desenho o meu desejo
em contraluz.
Espaço é um lugar onde
te encontras
Nua como oferta de
deuses aos homens.

E o desejo é um arco-íris sem barreiras.


Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 06, 2012
















Tenho-te guardada no coração,
No canto sofrido da alma,
No mistério das palavras
De silêncio.
Tenho-te solta em cada olhar
Em cada gesto que faço
Em cada canto e em cada passo

Tenho-te sem nunca te ter
Ó minha irmã liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 30, 2012















Procuro nos poemas
O saber que sempre foge,
O apaziguar impaciente
Do espanto.
E de palavra em palavra
Vou vislumbrando a ciclópica
Tarefa e em vão continuo
A saga de tornar translúcidos
Os conceitos.
Morrerei ao tentar, morrerei
Sem honras e sem glórias
Porque as palavras não se prendem!
São a liberdade das memórias.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 24, 2012
















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural,
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.do
m
Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2012















Passeias-te pelas portas
Abertas de par em par
Em sonhos de vidas já mortas
Teimas em te encontrar.
Olhas para o lado, com medo
De nunca saber que pensar
Quem lá vive tem um segredo
Da cor da alma e do mar
Dás-te sem nunca te dares
Nunca estás se te procuram
E mesmo quando te encontram
Os encontros pouco duram.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 14, 2012

















Dia a dia, em silêncio,
Ilumino o coração
Toda a vida é uma viagem
Todo o tempo solidão.
E sem ceder à paisagem
Cruzo o sonho e a ilusão
Que nesta barca de sombras
Tudo é vida, tudo é paixão.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 10, 2012





















Os lábios
Ausência.
O olhar
Perdido.

E a lamparina
Que aviva
A doçura
Do teu ventre
Vivido.

l F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 05, 2012
























Quando entras tatuas sempre algo.


Uma flor, uma pedra preciosa


Ou simplesmente o teu perfume.


Quando entras não há mais retorno


Ao momento em que a porta se abriu


E decidiste entrar.


Quando entras deixas sempre


A tua marca de alma na parte


Escondida da porta.


Quando entras podes sempre sair


Mas há sempre algo teu


Que teima em ficar.



Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, agosto 30, 2012


















Bordei-te o olhar


Na ondas.
Feito de pérolas roubadas
Ao oceano.
Estátua impenetrável
de espuma e desejo
Como um poema de luz,
Um trajecto, um beijo
Na demanda da vida.



Bordei-te o olhar



Nas onda



E com elas me encantei.



Manuel F. C. Almeida