Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
domingo, novembro 25, 2012
Nada existe nas contas do rosário
que guardo na raiz do meu sangue.
Só o tempo molda os deuses
E os devolve em barro
Cozido e seco, misturado com
Os gritos de muitos homens
Em sacrifícios estéreis
O bem e o mal são faces estranhas
De todos nós e do nosso medo
Para com a vida e a liberdade.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, novembro 22, 2012
Eu escrevo poemas no teu ventre
E neles liberto me liberto
Das águas gélidas da existência
Amarga e vazia que todos os dias
Me persegue.
E tu… nunca saberei o que sentes
Quando me acolhes e me proteges
Sé é que me acolhes e me proteges
Ou tudo não passa de uma troca
De liberdades e existências. Sem cor
Sem ternura, sem paixão.
Eu escrevo poemas no teu ventre
Gritos de solidão.
Manuel F. C. Almeida
sábado, novembro 17, 2012
São como frutos de Outono
Os corpos matizados de odores
E sabores que em sofreguidão
Se oferecem à nossa luxúria
E os sons que emitimos
Saídos da alma, prenhes de gozo
Empurram os ventres
Na procura dos lábios
Sabiamente tomamos
Os corpos em delírio
Ternamente acordados
Pelo nosso querer
E com beijos e urros
Tomamos o outro
Cavalgamos os corpos
E caímos inanimados de prazer.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, novembro 13, 2012
Toda a poesia é inócua.
Gosto de ler poesia,
Daquela poesia que fala do amor
Imaginário e que nunca acontece.
É sobre esse amor que gosto de escrever.
Delicio-me a descrever com palavras
Belas a beleza oculta e imaginária
Dos corpos, a excelência dos sentidos
O êxtase do encontro. Geralmente
Alguns leitores vestem a máscara social
E aplaudem, dizem ser belo e outras
Coisas do género. Raramente algum é honesto
Na verdade é limito-me a escrever sobre merdas
Que não existem, e a deixar escondida a
Minha real intenção.
A poesia é fodida.
Os poetas querem a alma do mundo e
Ter uma desculpa para não falar.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, novembro 07, 2012

Tenho finalmente o meu terreiro.
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.
E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.
Manuel F. C. Almeida
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.
E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, outubro 31, 2012
domingo, outubro 28, 2012
quarta-feira, outubro 24, 2012
Não entendo, nem poderei entender
A
cruel curiosidade de ser,
A
luz que se vai na paisagem,
O medo da vontade. A miragem.
Não
entendo as razões que a minha razão
Vai
criando. O horizonte que se move
Sem
que movimento se veja
Ou
a mulher que me abraça. Ou me beija.
Só
entendo o inevitável, a morte que me acompanha
E
a areia que escorre pelos meus dedos
Lavando
consigo o tempo carregado de corpos
Desejados. Meus segredos.
Desejados. Meus segredos.
Manuel
F. C. Almeida
sexta-feira, outubro 19, 2012
domingo, outubro 14, 2012
domingo, setembro 30, 2012

Procuro nos poemas
O saber que sempre foge,
O apaziguar impacienteDo espanto.
E de palavra em palavra
Vou vislumbrando a ciclópica
Tarefa e em vão continuo
A saga de tornar translúcidos
Os conceitos.
Morrerei ao tentar, morrerei
Sem honras e sem glórias
Porque as palavras não se prendem!
São a liberdade das memórias.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, setembro 24, 2012
quarta-feira, setembro 19, 2012

Passeias-te pelas portas
Abertas de par em par
Em sonhos de vidas já mortas
Teimas em te encontrar.
Olhas para o lado, com medo
De nunca saber que pensar
Quem lá vive tem um segredo
Da cor da alma e do mar
Dás-te sem nunca te dares
Nunca estás se te procuram
E mesmo quando te encontram
Os encontros pouco duram.
Manuel F. C. Almeida
Olhas para o lado, com medo
De nunca saber que pensar
Quem lá vive tem um segredo
Da cor da alma e do mar
Dás-te sem nunca te dares
Nunca estás se te procuram
E mesmo quando te encontram
Os encontros pouco duram.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, setembro 05, 2012

Quando entras tatuas sempre algo.
Uma flor, uma pedra preciosa
Ou simplesmente o teu perfume.
Quando entras não há mais retorno
Ao momento em que a porta se abriu
E decidiste entrar.
Quando entras deixas sempre
A tua marca de alma na parte
Escondida da porta.
Quando entras podes sempre sair
Mas há sempre algo teu
Que teima em ficar.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, agosto 30, 2012
sábado, agosto 25, 2012

Mudem o rosto,
Libertem o tédio.
Porque todo o hábito
É solidão.
Nada existe fora
Do mundo
E o nada é apenas
Pura ilusão
Guardem o corpo
Do olhar alheio
Porque a nudez
a todos ofende.
Soltem as velas,
Partam sem rumo.
Só em liberdade
A existência se entende
Aprendam por fim
O número mágico
A soma presente
A nossa prisão
É o número dos Deuses,
Criado pelos homens
O medo, a moral
E a tradição.
E se é meu o meu corpo
E apenas só meu
E nunca por nunca
O irei empenhar
Que a sede dos corpos
Se mata nos corpos
E é nessa sede
Que se encanta o olhar.
Chamam-lhe amor,
Os menos atentos
Outros há que lhe
Chamam paixão
Mas tirem-lhe a culpa,
E a mascara que usam
E tudo será
Apenas tesão
Manuel F. C. Almeida
Libertem o tédio.
Porque todo o hábito
É solidão.
Nada existe fora
Do mundo
E o nada é apenas
Pura ilusão
Guardem o corpo
Do olhar alheio
Porque a nudez
a todos ofende.
Soltem as velas,
Partam sem rumo.
Só em liberdade
A existência se entende
Aprendam por fim
O número mágico
A soma presente
A nossa prisão
É o número dos Deuses,
Criado pelos homens
O medo, a moral
E a tradição.
E se é meu o meu corpo
E apenas só meu
E nunca por nunca
O irei empenhar
Que a sede dos corpos
Se mata nos corpos
E é nessa sede
Que se encanta o olhar.
Chamam-lhe amor,
Os menos atentos
Outros há que lhe
Chamam paixão
Mas tirem-lhe a culpa,
E a mascara que usam
E tudo será
Apenas tesão
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, agosto 13, 2012

E todas as noites mais não são que esquecimento.
Ao acordar só há tempo para memórias.
E tudo começa de novo no meio de uma interrogação
Temporal. E caminho sem rumo, sem destino e sem
Instante. E passo pela madrugada de gotas de orvalho
E flores que se revelam. Não há passado nem futuro
Só o presente se revela imutável. Mas a cada instante
Que passa é a morte do presente que o já não é.
E se o presente nunca é, o passado apenas tempo
E o futuro mera incógnita.
Então toda a existência é simplesmente ilusória.
Manuel F. C. Almeida
Ao acordar só há tempo para memórias.
E tudo começa de novo no meio de uma interrogação
Temporal. E caminho sem rumo, sem destino e sem
Instante. E passo pela madrugada de gotas de orvalho
E flores que se revelam. Não há passado nem futuro
Só o presente se revela imutável. Mas a cada instante
Que passa é a morte do presente que o já não é.
E se o presente nunca é, o passado apenas tempo
E o futuro mera incógnita.
Então toda a existência é simplesmente ilusória.
Manuel F. C. Almeida
Subscrever:
Mensagens (Atom)









