quarta-feira, novembro 07, 2012















Tenho finalmente o meu terreiro.
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.

E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 31, 2012





















E se um dia puder
Espalhar-me pelo mar
Fundir-me no tempo
Ou soltar-me no ar
Deixarei de ser homem
Serei finalmente
Somente memória
Um sopro de sal
Que o vento carrega
Num segundo de história.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 28, 2012





















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 24, 2012





















Não entendo, nem poderei entender
A cruel curiosidade de ser,
A luz que se vai na paisagem,
O medo da vontade. A miragem.
Não entendo as razões que a minha razão
Vai criando. O horizonte que se move
Sem que movimento se veja
Ou a mulher que me abraça. Ou me beija.
Só entendo o inevitável, a morte que me acompanha
E a areia que escorre pelos meus dedos
Lavando consigo o tempo carregado de corpos
Desejados. Meus segredos.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 19, 2012





















Porque se fecham os dedos
E se levantam os punhos?

Quando tudo o que move mundo
São os lábios!

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 14, 2012



















Percorro o meu olhar
com o teu corpo
Desenho o meu desejo
em contraluz.
Espaço é um lugar onde
te encontras
Nua como oferta de
deuses aos homens.

E o desejo é um arco-íris sem barreiras.


Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 06, 2012
















Tenho-te guardada no coração,
No canto sofrido da alma,
No mistério das palavras
De silêncio.
Tenho-te solta em cada olhar
Em cada gesto que faço
Em cada canto e em cada passo

Tenho-te sem nunca te ter
Ó minha irmã liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 30, 2012















Procuro nos poemas
O saber que sempre foge,
O apaziguar impaciente
Do espanto.
E de palavra em palavra
Vou vislumbrando a ciclópica
Tarefa e em vão continuo
A saga de tornar translúcidos
Os conceitos.
Morrerei ao tentar, morrerei
Sem honras e sem glórias
Porque as palavras não se prendem!
São a liberdade das memórias.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 24, 2012
















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural,
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.do
m
Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2012















Passeias-te pelas portas
Abertas de par em par
Em sonhos de vidas já mortas
Teimas em te encontrar.
Olhas para o lado, com medo
De nunca saber que pensar
Quem lá vive tem um segredo
Da cor da alma e do mar
Dás-te sem nunca te dares
Nunca estás se te procuram
E mesmo quando te encontram
Os encontros pouco duram.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 14, 2012

















Dia a dia, em silêncio,
Ilumino o coração
Toda a vida é uma viagem
Todo o tempo solidão.
E sem ceder à paisagem
Cruzo o sonho e a ilusão
Que nesta barca de sombras
Tudo é vida, tudo é paixão.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 10, 2012





















Os lábios
Ausência.
O olhar
Perdido.

E a lamparina
Que aviva
A doçura
Do teu ventre
Vivido.

l F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 05, 2012
























Quando entras tatuas sempre algo.


Uma flor, uma pedra preciosa


Ou simplesmente o teu perfume.


Quando entras não há mais retorno


Ao momento em que a porta se abriu


E decidiste entrar.


Quando entras deixas sempre


A tua marca de alma na parte


Escondida da porta.


Quando entras podes sempre sair


Mas há sempre algo teu


Que teima em ficar.



Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, agosto 30, 2012


















Bordei-te o olhar


Na ondas.
Feito de pérolas roubadas
Ao oceano.
Estátua impenetrável
de espuma e desejo
Como um poema de luz,
Um trajecto, um beijo
Na demanda da vida.



Bordei-te o olhar



Nas onda



E com elas me encantei.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 25, 2012


















Mudem o rosto,
Libertem o tédio.
Porque todo o hábito
É solidão.
Nada existe fora
Do mundo
E o nada é apenas
Pura ilusão
Guardem o corpo
Do olhar alheio
Porque a nudez
a todos ofende.
Soltem as velas,
Partam sem rumo.
Só em liberdade
A existência se entende
Aprendam por fim
O número mágico
A soma presente
A nossa prisão
É o número dos Deuses,
Criado pelos homens
O medo, a moral
E a tradição.
E se é meu o meu corpo
E apenas só meu
E nunca por nunca
O irei empenhar
Que a sede dos corpos
Se mata nos corpos
E é nessa sede
Que se encanta o olhar.
Chamam-lhe amor,
Os menos atentos
Outros há que lhe
Chamam paixão
Mas tirem-lhe a culpa,
E a mascara que usam
E tudo será
Apenas tesão

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 13, 2012
























E todas as noites mais não são que esquecimento.
Ao acordar só há tempo para memórias.
E tudo começa de novo no meio de uma interrogação
Temporal. E caminho sem rumo, sem destino e sem
Instante. E passo pela madrugada de gotas de orvalho
E flores que se revelam. Não há passado nem futuro
Só o presente se revela imutável. Mas a cada instante
Que passa é a morte do presente que o já não é.

E se o presente nunca é, o passado apenas tempo
E o futuro mera incógnita.
Então toda a existência é simplesmente ilusória.

Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 04, 2012




For a Friend










Nunca por outrem vivas os dias
Que só por ti a vida te passa.
Tu és a ave furtiva que se alimenta
De ti e em ti,
O insecto de vida que te
Fecunda em flor.

Nunca por outrem vivas os dias
Porque são teus os dias
De amor.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 30, 2012

















Já me esqueci do momento último
Em que o teu corpo se enlaçou no meu
A janela do quarto estava aberta
E a sombra da lua projectava-se sobre a cama
Tínhamos inventado o amor
Naquele quarto escuro onde o cheiro
Do sexo se misturava com o tempo
Guardo na memória aquele teu sorriso
O olhar vazio do orgasmo…

E aquele lençol que tingimos
Está na arca das memórias sem rosto.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 26, 2012





















No leito suado deixámos
As marcas do desejo e da paixão
E quando de manhã
Olhares cruzámos
Neles estava a solidão
E então brotou toda a verdade.
O amor que me falas, quando mo dizes…
É só necessidade, é só tesão.

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 22, 2012
















Há uma mulher que espera
Uma luz na madrugada…
Num canto apagada.
Olhar fixo, ausente
Olhar prenhe de nada.
Nas mãos as flores,
Estilhaços de granada
E o corpo hirto de amor
Numa verdade adiada.

É a luz da madrugada
É a luz da alvorada

E a mulher lá fica á espera
Talvez da vida, talvez de nada
Estátua que se não move
Estátua quieta, parada
Na esperança que algo mude
Mas que o algo a mudar
Seja mudança adiada.

Manuel F. C. Almeida