sábado, outubro 06, 2012
















Tenho-te guardada no coração,
No canto sofrido da alma,
No mistério das palavras
De silêncio.
Tenho-te solta em cada olhar
Em cada gesto que faço
Em cada canto e em cada passo

Tenho-te sem nunca te ter
Ó minha irmã liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 30, 2012















Procuro nos poemas
O saber que sempre foge,
O apaziguar impaciente
Do espanto.
E de palavra em palavra
Vou vislumbrando a ciclópica
Tarefa e em vão continuo
A saga de tornar translúcidos
Os conceitos.
Morrerei ao tentar, morrerei
Sem honras e sem glórias
Porque as palavras não se prendem!
São a liberdade das memórias.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 24, 2012
















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural,
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.do
m
Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2012















Passeias-te pelas portas
Abertas de par em par
Em sonhos de vidas já mortas
Teimas em te encontrar.
Olhas para o lado, com medo
De nunca saber que pensar
Quem lá vive tem um segredo
Da cor da alma e do mar
Dás-te sem nunca te dares
Nunca estás se te procuram
E mesmo quando te encontram
Os encontros pouco duram.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 14, 2012

















Dia a dia, em silêncio,
Ilumino o coração
Toda a vida é uma viagem
Todo o tempo solidão.
E sem ceder à paisagem
Cruzo o sonho e a ilusão
Que nesta barca de sombras
Tudo é vida, tudo é paixão.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 10, 2012





















Os lábios
Ausência.
O olhar
Perdido.

E a lamparina
Que aviva
A doçura
Do teu ventre
Vivido.

l F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 05, 2012
























Quando entras tatuas sempre algo.


Uma flor, uma pedra preciosa


Ou simplesmente o teu perfume.


Quando entras não há mais retorno


Ao momento em que a porta se abriu


E decidiste entrar.


Quando entras deixas sempre


A tua marca de alma na parte


Escondida da porta.


Quando entras podes sempre sair


Mas há sempre algo teu


Que teima em ficar.



Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, agosto 30, 2012


















Bordei-te o olhar


Na ondas.
Feito de pérolas roubadas
Ao oceano.
Estátua impenetrável
de espuma e desejo
Como um poema de luz,
Um trajecto, um beijo
Na demanda da vida.



Bordei-te o olhar



Nas onda



E com elas me encantei.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 25, 2012


















Mudem o rosto,
Libertem o tédio.
Porque todo o hábito
É solidão.
Nada existe fora
Do mundo
E o nada é apenas
Pura ilusão
Guardem o corpo
Do olhar alheio
Porque a nudez
a todos ofende.
Soltem as velas,
Partam sem rumo.
Só em liberdade
A existência se entende
Aprendam por fim
O número mágico
A soma presente
A nossa prisão
É o número dos Deuses,
Criado pelos homens
O medo, a moral
E a tradição.
E se é meu o meu corpo
E apenas só meu
E nunca por nunca
O irei empenhar
Que a sede dos corpos
Se mata nos corpos
E é nessa sede
Que se encanta o olhar.
Chamam-lhe amor,
Os menos atentos
Outros há que lhe
Chamam paixão
Mas tirem-lhe a culpa,
E a mascara que usam
E tudo será
Apenas tesão

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 13, 2012
























E todas as noites mais não são que esquecimento.
Ao acordar só há tempo para memórias.
E tudo começa de novo no meio de uma interrogação
Temporal. E caminho sem rumo, sem destino e sem
Instante. E passo pela madrugada de gotas de orvalho
E flores que se revelam. Não há passado nem futuro
Só o presente se revela imutável. Mas a cada instante
Que passa é a morte do presente que o já não é.

E se o presente nunca é, o passado apenas tempo
E o futuro mera incógnita.
Então toda a existência é simplesmente ilusória.

Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 04, 2012




For a Friend










Nunca por outrem vivas os dias
Que só por ti a vida te passa.
Tu és a ave furtiva que se alimenta
De ti e em ti,
O insecto de vida que te
Fecunda em flor.

Nunca por outrem vivas os dias
Porque são teus os dias
De amor.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 30, 2012

















Já me esqueci do momento último
Em que o teu corpo se enlaçou no meu
A janela do quarto estava aberta
E a sombra da lua projectava-se sobre a cama
Tínhamos inventado o amor
Naquele quarto escuro onde o cheiro
Do sexo se misturava com o tempo
Guardo na memória aquele teu sorriso
O olhar vazio do orgasmo…

E aquele lençol que tingimos
Está na arca das memórias sem rosto.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 26, 2012





















No leito suado deixámos
As marcas do desejo e da paixão
E quando de manhã
Olhares cruzámos
Neles estava a solidão
E então brotou toda a verdade.
O amor que me falas, quando mo dizes…
É só necessidade, é só tesão.

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 22, 2012
















Há uma mulher que espera
Uma luz na madrugada…
Num canto apagada.
Olhar fixo, ausente
Olhar prenhe de nada.
Nas mãos as flores,
Estilhaços de granada
E o corpo hirto de amor
Numa verdade adiada.

É a luz da madrugada
É a luz da alvorada

E a mulher lá fica á espera
Talvez da vida, talvez de nada
Estátua que se não move
Estátua quieta, parada
Na esperança que algo mude
Mas que o algo a mudar
Seja mudança adiada.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, julho 17, 2012





















E foste verbo e foste mundo
Foste paisagem sem ter fim
Num movimento profundo
Saído de dentro de mim
E seguiram-se descobertas
Plantas com cheiro a jasmim
As janelas ficaram abertas
A paisagem era um jardim

E quando a noite chegou
Por entre abraços e beijos
A escuridão acordou
E os corpos encaixaram-se
como eixos.


Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, julho 12, 2012



















Escondemos o sexo com pudor
E uma moral obscena
É mais aceitável a guerra
E os corpos dilacerados
Que a imagem do amor
Em corpos enamorados.
Tão estranho é este mundo
Que não tolera o prazer
E nos mostra todos os dias
Pilhas de corpos a arder
Numa orgia imoral
Em loucuras pelo poder

Por isso nunca entendi
E nunca irei entender
O heroísmo da guerra
E a vergonha do foder.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, julho 06, 2012





















Disseste que me amavas
Naquela tarde em que o sol
Me iluminava os olhos
E os lábios se tocaram
Como plumas ao vento.
Disseste que me amavas
Como se ama uma paisagem
Que se mostra novidade.

E nunca mais falaste de amor

Porque falar não é ser
Quantas vezes as palavras
São apenas manifestações
De espanto dos sentido?
Amar é muito mais que
Palavras de ocasião
Amar é ter prazer
Na entrega ao outro

E nunca mais falaste de prazer

Falas de coisas banais
Da vida que corre
E te consome
Não há plural do acontecer
Não há plural no agir.
Tudo existe como é
No interior da tua
Vida solitária.

E por vezes sabe-te bem a companhia.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 03, 2012
















Pedem-te tanto, e tanto dás
Pedem-te o tempo e a tua vida
E quando olhas para trás
A tua vida está perdida.
Nas tuas mãos estão sonhos feitos
Construídos dentro de ti
No teu olhar dias desfeitos
Saltam se ao vento agora aqui

E tu já não sabes
E nem deste por isso
No interior cruzas-te sabres
E hoje és resultado disso

Pedem-te tanto e tanto dás
Pedem-te a vida entre os dedos
Querem te pôr onde não estás
Querem que vivas outros medos
Mas dentro de ti está a resposta
Amar também é ter saudade
E quem te ama assim te gosta
Amar é sempre liberdade

E agora sabes
Todo o caminho é só teu
E no final das tuas as tardes
Já não há medo. Ele morreu








Manuel F.C. Almeida

Para ouvir só com a música

http://youtu.be/hSnuyoo_RCU




quarta-feira, junho 27, 2012




















Algures entre o sonho
E o passado
É o teu lugar.
Mais que um navio
No deserto das almas
Tu és um círculo de fogo
Num melodia sem
Compasso.

Algures entre o sonho
E o passado
Tu foste uma orquídea
Nos jardins suspensos
Da minha memória
Onde tudo se apaga
E onde só a musica
Não se acaba.

Porque a vida é algo mais
Que frases e intenções
Temporais.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 21, 2012

















E quando te despes, eu vejo
Em silêncio, o que os deuses
Criaram com tanto ruido

Manuel F. C. Almeida