quinta-feira, julho 26, 2012





















No leito suado deixámos
As marcas do desejo e da paixão
E quando de manhã
Olhares cruzámos
Neles estava a solidão
E então brotou toda a verdade.
O amor que me falas, quando mo dizes…
É só necessidade, é só tesão.

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 22, 2012
















Há uma mulher que espera
Uma luz na madrugada…
Num canto apagada.
Olhar fixo, ausente
Olhar prenhe de nada.
Nas mãos as flores,
Estilhaços de granada
E o corpo hirto de amor
Numa verdade adiada.

É a luz da madrugada
É a luz da alvorada

E a mulher lá fica á espera
Talvez da vida, talvez de nada
Estátua que se não move
Estátua quieta, parada
Na esperança que algo mude
Mas que o algo a mudar
Seja mudança adiada.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, julho 17, 2012





















E foste verbo e foste mundo
Foste paisagem sem ter fim
Num movimento profundo
Saído de dentro de mim
E seguiram-se descobertas
Plantas com cheiro a jasmim
As janelas ficaram abertas
A paisagem era um jardim

E quando a noite chegou
Por entre abraços e beijos
A escuridão acordou
E os corpos encaixaram-se
como eixos.


Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, julho 12, 2012



















Escondemos o sexo com pudor
E uma moral obscena
É mais aceitável a guerra
E os corpos dilacerados
Que a imagem do amor
Em corpos enamorados.
Tão estranho é este mundo
Que não tolera o prazer
E nos mostra todos os dias
Pilhas de corpos a arder
Numa orgia imoral
Em loucuras pelo poder

Por isso nunca entendi
E nunca irei entender
O heroísmo da guerra
E a vergonha do foder.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, julho 06, 2012





















Disseste que me amavas
Naquela tarde em que o sol
Me iluminava os olhos
E os lábios se tocaram
Como plumas ao vento.
Disseste que me amavas
Como se ama uma paisagem
Que se mostra novidade.

E nunca mais falaste de amor

Porque falar não é ser
Quantas vezes as palavras
São apenas manifestações
De espanto dos sentido?
Amar é muito mais que
Palavras de ocasião
Amar é ter prazer
Na entrega ao outro

E nunca mais falaste de prazer

Falas de coisas banais
Da vida que corre
E te consome
Não há plural do acontecer
Não há plural no agir.
Tudo existe como é
No interior da tua
Vida solitária.

E por vezes sabe-te bem a companhia.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 03, 2012
















Pedem-te tanto, e tanto dás
Pedem-te o tempo e a tua vida
E quando olhas para trás
A tua vida está perdida.
Nas tuas mãos estão sonhos feitos
Construídos dentro de ti
No teu olhar dias desfeitos
Saltam se ao vento agora aqui

E tu já não sabes
E nem deste por isso
No interior cruzas-te sabres
E hoje és resultado disso

Pedem-te tanto e tanto dás
Pedem-te a vida entre os dedos
Querem te pôr onde não estás
Querem que vivas outros medos
Mas dentro de ti está a resposta
Amar também é ter saudade
E quem te ama assim te gosta
Amar é sempre liberdade

E agora sabes
Todo o caminho é só teu
E no final das tuas as tardes
Já não há medo. Ele morreu








Manuel F.C. Almeida

Para ouvir só com a música

http://youtu.be/hSnuyoo_RCU




quarta-feira, junho 27, 2012




















Algures entre o sonho
E o passado
É o teu lugar.
Mais que um navio
No deserto das almas
Tu és um círculo de fogo
Num melodia sem
Compasso.

Algures entre o sonho
E o passado
Tu foste uma orquídea
Nos jardins suspensos
Da minha memória
Onde tudo se apaga
E onde só a musica
Não se acaba.

Porque a vida é algo mais
Que frases e intenções
Temporais.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 21, 2012

















E quando te despes, eu vejo
Em silêncio, o que os deuses
Criaram com tanto ruido

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 15, 2012
















Tudo passa velozmente
E nem damos conta disso
E um dia de repente
A vida levou sumiço.


Vivem-se todos os dias
A correr e nunca pensar
Raras são as alegrias
Raro o tempo pra sonhar


E um dia ao levantar
Olhamos o espelho e pensamos
-Que a vida se está a acabar
E em silencio ficamos


Pensamos no tempo já ido
Nos sonhos abandonados
Nas razões de não ter seguido
Os refrões em tempos cantados.


E assim termina a vida
A pensar nestas traições
Numa agonia sentida
Por tantas contradições


ManuelF. C. Almeida

domingo, junho 10, 2012





















Dia a dia e em silêncio,

Ilumino o coração

Tudo na vida é miragem

Todo o tempo solidão.

E sem vender a minha’lma

Cruzo o sonho e a ilusão

E cruzo a luxuria que anima

O teu corpo nesta mão.

E tendo sempre presente

Que amar não é prisão

Faço da minha miragem

Um poema e uma canção

Onde habite a liberdade

O saber e a paixão.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, junho 05, 2012
















Receber-te como dádiva
Num amor
De flores e 
De tempo
Num cálice de ternura
E beijos de prazer.
É como o recomeçar da
Viajem
Da vida, do olhar e do
Ser.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 01, 2012

















Com um leve toque se ilumina
O tempo que é física, nada mais
E é ao mover as mãos que se elimina
Certezas e duvidas sempre iguais.
Nas margens deste ser sem nada ser
Nas janelas abertas sobre o mar
Abro os braços neste meu querer
De abraçar o mundo sem o amarrar.
Porque a vida é luz na escuridão
É flor que teima em se mostrar
É ter a consciência numa mão
E a liberdade em chama no olhar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 27, 2012

















E quando me dizes:- amo-te
É como se um jardim
Florescesse nos teus lábios
E uma gota de vida
Iluminasse o meu olhar
E renascidos pela tua voz
Os cravos da liberdade
Cumprem-se no acto
De amar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 22, 2012





















Estou cansado.
Sim…cansado
Cansado de uma luta desigual
Onde o olhar se perdeu e a verdade
Se cala.
Estou cansado. Cansado de mim
Cansado de tudo aquilo, que nunca
Se fala.
Estou cansado. Cansado da espera
De um grito de uma
Bala..

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 17, 2012


















Como descrever os caminhos
As escolhas feitas com o coração,
O perfume de ser e estar na solidão
A viajem sem destino ou identidade?
Como descrever a penumbra
Em que mergulham os que não existem
Os que são úteis na batalha ocasional
Dos interesses do pudor.
Como descrever a omissão
Soletrada nas palavras silencio
Na ausência do tacto e dos dedos
No frio e no desdém do sorriso.
Como descrever a normalidade
De viver em liberdade?

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 10, 2012













Acabou de anoitecer
Em mim
Nada peço, nada quero
Nada tenho
Tudo tem um preço.
Dizem.
Existo numa equação
Irresolúvel:

Ser social/ liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 06, 2012





















É pelos olhos que descubro
O rosto para lá do rosto
Aquela orquídea escondida
No ventre da madrugada
O assinalar do teu corpo
Na escuridão desta noite.

E com estes lábios nus
Tomo-te o corpo
Num cálice de ternura.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 03, 2012

















Toda a gente que me lê
Lê outro mas não lê
Aquele outro que eu sou

Porque cada um de nós ao ler
Liberta aquilo que lê
Das garras de quem escreveu
E dá a cada palavra
Um sentir de novidade,
Um sentir que é só seu.

Assim, tu que me lês,
Nada vais saber de mim
Porque tudo aquilo que lês
Não é nada do que sou
Mas é tudo o que projectas de ti.

Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 28, 2012



















Derramo a existência na flor
Que em teu ventre germinou.
Existo para o amor
Que em ti se reencontrou

E nos teus seios, frutos naturais,
Arranco pedaços de prazer
Que se soltam no ar como ais
Quando na hora de ter
Se espetam nos meus lábios
Como punhais.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 24, 2012

EM ABRIL


EM ABRIL...

Com um leve toque se ilumina

O tempo que é física, nada mais
E é ao mover as mãos que se elimina
Certezas e duvidas sempre iguais.
Nas margens deste ser sem nada ser
Nas janelas abertas sobre o mar
Abro os braços neste meu querer
De abraçar o mundo sem o amarrar.
Porque a vida é luz na escuridão
É flor que teima em encantar
É ter a consciência numa mão
E a liberdade em chama no olhar.


Manuel F. C. Almeida