sexta-feira, junho 15, 2012
















Tudo passa velozmente
E nem damos conta disso
E um dia de repente
A vida levou sumiço.


Vivem-se todos os dias
A correr e nunca pensar
Raras são as alegrias
Raro o tempo pra sonhar


E um dia ao levantar
Olhamos o espelho e pensamos
-Que a vida se está a acabar
E em silencio ficamos


Pensamos no tempo já ido
Nos sonhos abandonados
Nas razões de não ter seguido
Os refrões em tempos cantados.


E assim termina a vida
A pensar nestas traições
Numa agonia sentida
Por tantas contradições


ManuelF. C. Almeida

domingo, junho 10, 2012





















Dia a dia e em silêncio,

Ilumino o coração

Tudo na vida é miragem

Todo o tempo solidão.

E sem vender a minha’lma

Cruzo o sonho e a ilusão

E cruzo a luxuria que anima

O teu corpo nesta mão.

E tendo sempre presente

Que amar não é prisão

Faço da minha miragem

Um poema e uma canção

Onde habite a liberdade

O saber e a paixão.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, junho 05, 2012
















Receber-te como dádiva
Num amor
De flores e 
De tempo
Num cálice de ternura
E beijos de prazer.
É como o recomeçar da
Viajem
Da vida, do olhar e do
Ser.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 01, 2012

















Com um leve toque se ilumina
O tempo que é física, nada mais
E é ao mover as mãos que se elimina
Certezas e duvidas sempre iguais.
Nas margens deste ser sem nada ser
Nas janelas abertas sobre o mar
Abro os braços neste meu querer
De abraçar o mundo sem o amarrar.
Porque a vida é luz na escuridão
É flor que teima em se mostrar
É ter a consciência numa mão
E a liberdade em chama no olhar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 27, 2012

















E quando me dizes:- amo-te
É como se um jardim
Florescesse nos teus lábios
E uma gota de vida
Iluminasse o meu olhar
E renascidos pela tua voz
Os cravos da liberdade
Cumprem-se no acto
De amar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 22, 2012





















Estou cansado.
Sim…cansado
Cansado de uma luta desigual
Onde o olhar se perdeu e a verdade
Se cala.
Estou cansado. Cansado de mim
Cansado de tudo aquilo, que nunca
Se fala.
Estou cansado. Cansado da espera
De um grito de uma
Bala..

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 17, 2012


















Como descrever os caminhos
As escolhas feitas com o coração,
O perfume de ser e estar na solidão
A viajem sem destino ou identidade?
Como descrever a penumbra
Em que mergulham os que não existem
Os que são úteis na batalha ocasional
Dos interesses do pudor.
Como descrever a omissão
Soletrada nas palavras silencio
Na ausência do tacto e dos dedos
No frio e no desdém do sorriso.
Como descrever a normalidade
De viver em liberdade?

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 10, 2012













Acabou de anoitecer
Em mim
Nada peço, nada quero
Nada tenho
Tudo tem um preço.
Dizem.
Existo numa equação
Irresolúvel:

Ser social/ liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 06, 2012





















É pelos olhos que descubro
O rosto para lá do rosto
Aquela orquídea escondida
No ventre da madrugada
O assinalar do teu corpo
Na escuridão desta noite.

E com estes lábios nus
Tomo-te o corpo
Num cálice de ternura.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 03, 2012

















Toda a gente que me lê
Lê outro mas não lê
Aquele outro que eu sou

Porque cada um de nós ao ler
Liberta aquilo que lê
Das garras de quem escreveu
E dá a cada palavra
Um sentir de novidade,
Um sentir que é só seu.

Assim, tu que me lês,
Nada vais saber de mim
Porque tudo aquilo que lês
Não é nada do que sou
Mas é tudo o que projectas de ti.

Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 28, 2012



















Derramo a existência na flor
Que em teu ventre germinou.
Existo para o amor
Que em ti se reencontrou

E nos teus seios, frutos naturais,
Arranco pedaços de prazer
Que se soltam no ar como ais
Quando na hora de ter
Se espetam nos meus lábios
Como punhais.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 24, 2012

EM ABRIL


EM ABRIL...

Com um leve toque se ilumina

O tempo que é física, nada mais
E é ao mover as mãos que se elimina
Certezas e duvidas sempre iguais.
Nas margens deste ser sem nada ser
Nas janelas abertas sobre o mar
Abro os braços neste meu querer
De abraçar o mundo sem o amarrar.
Porque a vida é luz na escuridão
É flor que teima em encantar
É ter a consciência numa mão
E a liberdade em chama no olhar.


Manuel F. C. Almeida



sexta-feira, abril 20, 2012















Atento vejo o teu andar
O sentido prenhe do olhar
E desespéro por um canto
Que me resgate o desencanto.
Mas tudo tarda em chegar.
Há uma barca no mar.

Sinto que já não estamos
Com dedos entrelaçados
E só no ar é que encontramos
Os sonhos que despedaçámos

Já não há flores neste jardim
Onde o meu sonho não tem fim
Na monotonia destes dias
Nunca entendi o que sentias
E o tempo no o seu trabalho
Fez do oceano gota de orvalho

Sinto que já não estamos
Com dedos entrelaçados
E só no ar é que encontramos
Os sonhos que despedaçámos

E volto a ver o teu andar
Não encontro o teu olhar
Do desespero fiz um canto
Que resolveu o desencanto
Já nada mais há a esperar
Há tanto mundo para abraçar


Manuel F. C. Almeida

domingo, abril 15, 2012



















E aqui, no conforto de um quarto
Com a voz de Léo Férre em fundo
Não consigo deixar de pensar
No vazio de tudo isto, isto! aquela
Vida sem vida, aquele falar do nada
Que se instala na alma e do qual
Tememos sair.
E não deixa de ser estranho este ser
Sem nada ser. Esta espera amordaçada
Que se tatua no silêncio da verdade,
Este sonho de ser parte de algo
Que não existe. Um livro lido
E algures esquecido, porque é
Da natureza humana silenciar
O medo.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 12, 2012





















Quiseram um dia entender-me
Como se eu fora diferente
Como se fosse possível ler
O que se constrói dentro da gente
O Certo, errado, o bem e o mal
A alegria a tristeza, o júbilo, a dor
As razões, os equívocos, são de tal
Modo estranhos, como estranho
É querer entender o outro
Sem nos entendermos a nós.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 06, 2012
















Abre a porta
e as janelas
Algures lá fora
alguém olha
Liberta o que és
a nada te prendas
A vida é só uma não
há tempo a perder
Desfralda as
tuas velas
Faz do teu tempo
a tua escolha
Não sejas cordeiro
de oferendas
Não há deuses ou
deusas, só há viver.

Firme na tarde
de um dia sem tempo
Faz do ser livre
o mote da vida
Faz do olhar uma
obra de arte
Faz da paixão uma
luz que te guia
E como um rochedo
moldado pelo vento
Desfaz-te em mil
pedaços e de seguida
Reinventa tudo
e livre parte
Só na liberdade
pode existir alegria.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 02, 2012














AO MEU FILHO






Tu és uma folha solta num dia de inverno

Uma colina sólida no meu olhar

Moldas-te em mim e tua presença

Como a noite que se repete e se renova

Como o rio que se precipita até ao mar.

Tu és a força da vida,

presente no meu pensar


Manuel Almeida




28-03-2012

terça-feira, março 27, 2012

























Pinto as palavras
Com a cor da musica,
Soletro-as com harmonia,
E faço com elas
Um hino à alegria
De viver,
Desenho-as no espaço
Dos sons falados,
De hinos de amor,
Ou ódio cantados,
Em tardes quentes
Ou manhãs frias
E com as palavras
Desenho no céu...


Poesias.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 21, 2012






















Nesta minha ordem distraída
Entre dias de inverno
E um desejo animal
Sinto o teu abrir de pernas
Como diamantes e esmeraldas
Que se ofertam aos deuses
E ao toque dos teus dedos
Tomo-te o ventre entre os lábios,
Os seios entre os mãos
E deixo a vida pairar,
Em ondas de aluvião.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 16, 2012






















De olhos ávidos
Descubro
Em todo o lado
A paisagem
Do assombro,
Tingida pela
Lascívia dos corpos
Estáticos
Entre casas fechadas e
Abismos na alma.
Que o tempo teima em manter.

Manuel F. C. Almeida