domingo, maio 06, 2012





















É pelos olhos que descubro
O rosto para lá do rosto
Aquela orquídea escondida
No ventre da madrugada
O assinalar do teu corpo
Na escuridão desta noite.

E com estes lábios nus
Tomo-te o corpo
Num cálice de ternura.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 03, 2012

















Toda a gente que me lê
Lê outro mas não lê
Aquele outro que eu sou

Porque cada um de nós ao ler
Liberta aquilo que lê
Das garras de quem escreveu
E dá a cada palavra
Um sentir de novidade,
Um sentir que é só seu.

Assim, tu que me lês,
Nada vais saber de mim
Porque tudo aquilo que lês
Não é nada do que sou
Mas é tudo o que projectas de ti.

Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 28, 2012



















Derramo a existência na flor
Que em teu ventre germinou.
Existo para o amor
Que em ti se reencontrou

E nos teus seios, frutos naturais,
Arranco pedaços de prazer
Que se soltam no ar como ais
Quando na hora de ter
Se espetam nos meus lábios
Como punhais.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 24, 2012

EM ABRIL


EM ABRIL...

Com um leve toque se ilumina

O tempo que é física, nada mais
E é ao mover as mãos que se elimina
Certezas e duvidas sempre iguais.
Nas margens deste ser sem nada ser
Nas janelas abertas sobre o mar
Abro os braços neste meu querer
De abraçar o mundo sem o amarrar.
Porque a vida é luz na escuridão
É flor que teima em encantar
É ter a consciência numa mão
E a liberdade em chama no olhar.


Manuel F. C. Almeida



sexta-feira, abril 20, 2012















Atento vejo o teu andar
O sentido prenhe do olhar
E desespéro por um canto
Que me resgate o desencanto.
Mas tudo tarda em chegar.
Há uma barca no mar.

Sinto que já não estamos
Com dedos entrelaçados
E só no ar é que encontramos
Os sonhos que despedaçámos

Já não há flores neste jardim
Onde o meu sonho não tem fim
Na monotonia destes dias
Nunca entendi o que sentias
E o tempo no o seu trabalho
Fez do oceano gota de orvalho

Sinto que já não estamos
Com dedos entrelaçados
E só no ar é que encontramos
Os sonhos que despedaçámos

E volto a ver o teu andar
Não encontro o teu olhar
Do desespero fiz um canto
Que resolveu o desencanto
Já nada mais há a esperar
Há tanto mundo para abraçar


Manuel F. C. Almeida

domingo, abril 15, 2012



















E aqui, no conforto de um quarto
Com a voz de Léo Férre em fundo
Não consigo deixar de pensar
No vazio de tudo isto, isto! aquela
Vida sem vida, aquele falar do nada
Que se instala na alma e do qual
Tememos sair.
E não deixa de ser estranho este ser
Sem nada ser. Esta espera amordaçada
Que se tatua no silêncio da verdade,
Este sonho de ser parte de algo
Que não existe. Um livro lido
E algures esquecido, porque é
Da natureza humana silenciar
O medo.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 12, 2012





















Quiseram um dia entender-me
Como se eu fora diferente
Como se fosse possível ler
O que se constrói dentro da gente
O Certo, errado, o bem e o mal
A alegria a tristeza, o júbilo, a dor
As razões, os equívocos, são de tal
Modo estranhos, como estranho
É querer entender o outro
Sem nos entendermos a nós.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 06, 2012
















Abre a porta
e as janelas
Algures lá fora
alguém olha
Liberta o que és
a nada te prendas
A vida é só uma não
há tempo a perder
Desfralda as
tuas velas
Faz do teu tempo
a tua escolha
Não sejas cordeiro
de oferendas
Não há deuses ou
deusas, só há viver.

Firme na tarde
de um dia sem tempo
Faz do ser livre
o mote da vida
Faz do olhar uma
obra de arte
Faz da paixão uma
luz que te guia
E como um rochedo
moldado pelo vento
Desfaz-te em mil
pedaços e de seguida
Reinventa tudo
e livre parte
Só na liberdade
pode existir alegria.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 02, 2012














AO MEU FILHO






Tu és uma folha solta num dia de inverno

Uma colina sólida no meu olhar

Moldas-te em mim e tua presença

Como a noite que se repete e se renova

Como o rio que se precipita até ao mar.

Tu és a força da vida,

presente no meu pensar


Manuel Almeida




28-03-2012

terça-feira, março 27, 2012

























Pinto as palavras
Com a cor da musica,
Soletro-as com harmonia,
E faço com elas
Um hino à alegria
De viver,
Desenho-as no espaço
Dos sons falados,
De hinos de amor,
Ou ódio cantados,
Em tardes quentes
Ou manhãs frias
E com as palavras
Desenho no céu...


Poesias.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 21, 2012






















Nesta minha ordem distraída
Entre dias de inverno
E um desejo animal
Sinto o teu abrir de pernas
Como diamantes e esmeraldas
Que se ofertam aos deuses
E ao toque dos teus dedos
Tomo-te o ventre entre os lábios,
Os seios entre os mãos
E deixo a vida pairar,
Em ondas de aluvião.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 16, 2012






















De olhos ávidos
Descubro
Em todo o lado
A paisagem
Do assombro,
Tingida pela
Lascívia dos corpos
Estáticos
Entre casas fechadas e
Abismos na alma.
Que o tempo teima em manter.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 12, 2012
















Arde-me o corpo
E não é febre
É um desejo louco
De te ter.
Tomar-te o seios
Entre os lábios
E gentilmente
renascer.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 05, 2012



















Quantas vezes sou presente
Quantas vezes sou passado
Quantas vezes sou ausente
E quantas estou a teu lado?
Quantas vezes me pergunto
Se é este o lugar certo
Se não serei já defunto
Num caminho sempre incerto.

Quantas vezes olho o espelho
E só lá vejo um deserto….

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 01, 2012

















Corro atrás do pensamento,
Que teima sempre em fugir.
Suplico asas ao vento,
No vento que está para vir.
Estendo os braços e em vão.
Lanço os dedos para o nada.
Fica presa a minha mão,
No desenho desta estrada.
E lá vai o pensamento
Que não se deixa domar.
E em cada doce momento
Há sempre algo novo a sonhar.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 27, 2012





















Há sempre um amanhã
Que nos consome
E se consome no tempo.
As memórias apontam-nos
Caminhos dispersos.
Não há nascente ou poente.
Perde-se o senso e o caminho
Na cegueira de um silencio oco.
Já não resta nada para lá
Do hábito inerte do conformismo.
Os desenhos feitos com esperança
Tornam-se notas breves de uma
Sinfonia inaudível e é nelas
Que prendemos o que resta nós,
E da sombra do que fomos.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

















É minha irmã, minha companheira
O meu outro lado, o desconhecido
Que se adormece e se esquece
Na noite sem luz.
Mas mal me levanto, ela lá está
Sempre pronta a seguir-me, sem descanso
E ergue-se acima daquilo que sou
Muito maior que um dia serei
A sombra que é minha
Mas que nunca terei.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 17, 2012





















Já nada acontece
Já nem há respostas
Para as questões
Que me são postas
Não há razão que resista
Ao meu direito
A sonhar
Explicações?
Procurem no ar.
Porque este meu estar
E as minhas palavras
Estão vivas no olhar
Nas cores da madrugada
E na poesia
Porque falar de amor
É falar de magia.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 14, 2012















Ouço a relva
E vejo as borboletas
Que se entregam
Ao vento.
Sento-me debruçado sobre
A minha cegueira
Num canto onde invoco
As mãos que deixei
Presas nos teus seios.
Os dedos dançam
Loucos, embriagados.

Só o teu corpo se ausentou
E os sonhos tocam o infinito.

Manuel F. C. Almeida

domingo, fevereiro 12, 2012











parte 3 sobre moral e ética a partir de um texto anónimo







Um dos exemplos deste tipo de moral provém do movimento estoico, o estoicismo mais não é que a afirmação individual da independência espiritual, quer os 1ºs cristãos quer alguns imperadores de Roma adotaram posturas próximas do estoicismo. Para estes nada acontece por acaso ou seja tudo o que se manifesta faz-se pela necessidade e mais não é que a manifestação do princípio inteligente do cosmos, assim a indiferença e a apatia são o modo certo de enfrentar a vida. Tudo é passível de ser suportado desde que a racionalidade seja bem direcionada. Toda a Acão está predeterminada, escrita, destinada a…ao sábio estoico exige-se o controle total sobre as emoções e quando tal não for possível então o suicídio é a única saída. Também os epicuristas recusam os prazeres do corpo, valorizando a amizade e a reclusão em circuitos muito fechados, afastados da urbe o sábio epicurista voltava-se para si e para a procura do eu espiritual.