
Presente nas palavras,
Escondido nos conceitos
O poema resolve-se
No abrir dos lábios em chama
E nos olhares que se
Ausentam
Dos dias e das noites
De paixão, como o anjo
Que reproduz a dualidade
Divina e a isenta de culpa.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

Presente nas palavras,
Escondido nos conceitos
O poema resolve-se
No abrir dos lábios em chama
E nos olhares que se
Ausentam
Dos dias e das noites
De paixão, como o anjo
Que reproduz a dualidade
Divina e a isenta de culpa.
Manuel F. C. Almeida



Quando amar se resolve
Na liberdade de amar
Outra dimensão nos envolve
No reencontro do olhar
Um olhar da liberdade
Que tantas vezes nomeamos
Um olhar feito vontade
Um sentir de quem amamos
E só assim se pode amar
Com toda a essência de ser
Na liberdade de olhar
Quem em liberdade nos quer
E nesse querer sem medida
Nesse amar para lá de ter
Reside o segredo da vida
Sentir que amar é viver.
Manuel F. C. Almeida


O olhar cerrado grita
O silêncio da loucura
Que se mascara em sorriso.
Nada fica
Tudo parte.
E os pássaros que voam ao sul
Esquecem o céu
E a cor dos loendros.
E o silêncio permanece
Um mistério do olhar cerrado
E de cada vez
Que os olhos se entreabrirem
É a visão da loucura e
O medo do homem que acorda,

Já nem sei se poderei
Iluminar estas sombras
Que dentro do meu pensar
Se condensam em nuvens
De cinzas.
Já nem posso reaver
O canto das águas
Nas memórias que
Guardam as chaves
Do tempo.
Do nosso tempo.
Daquele tempo em que
Os olhares sorriam e se
Perdiam nas cascatas
Dos corpos em êxtase.
Já nem reconheço os
Cheiros, ou os recantos
Dos nossos segredos
Das nossas cumplicidades.
Ficou de tudo uma brisa suave
Uma brisa de mar
Que vai e vem ao sabor
Das marés, desencontradas.
Manuel F.C. Almeida


