quarta-feira, outubro 19, 2011

















Recolho nas mãos
Uma gota de memórias
Vertida do olhar.
Reencontro nela
A alma que um dia esqueci
Perdida entre as faces
E corpos em que vivi
E na vã tentativa de me
Resgatar, deixo o sol
Secar as memórias
E guardo nas mãos
O sal que dei á vida.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, outubro 13, 2011

















Uma aurora que desponta
Um barco a navegar
Uma libelinha que pousa
Um grilo no seu cantar
Uma mulher que acena
Com um sorriso no ar
Uma canção já esquecida
Um poema a recordar
Uma aventura que é vida
Uma só vida para amar.

Há um abraço do tempo à
vida, no seu caminhar.


Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 09, 2011
















Correm soltos os rios,

Apertados entre fronteiras,

Nas noites de lua cheia, só os peixes

Brilham ao luar.

Sentado, o olhar perde-se

Nas margems da vida

E as canções brotam

Das fontes onde só as almas

Saciam a sede.



Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 02, 2011






















Amaro no teu ventre
Como o silêncio se faz noite
Cerro os olhos e os sentidos
Numa caixa de magia
Escondida do olhar e das palavras
E em ti me espraio
E me encontro só, oco, vazio

E no fim, não passo de um
Clandestino passageiro
De asas abertas ao vento
E sonhos adormecidos.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 23, 2011






















Resgato todo o meu ser


Na solidão da minh’alma,


E no adormecer do olhar


Há um ritual renovado


De quem teima em sonhar


Com o espaço percorrido


Com asas.





Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 17, 2011





















E há a candura no olhar


E uma ausência no agir


Um silêncio a gritar


Uma verdade a fugir


Há um gesto, um canto, uma flor


Uma ave, solitária


Há pedaços soltos de amor


Um poema, uma ária


Há uma vida que adormece


Na paisagem dos meus sonhos


Uma clareira que floresce


No vazio dos meus olhos





Tenho a alma corrompida


Pela traição feita á vida.





Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 12, 2011
















Mata-se a vida
com a posse,
A liberdade
com a censura,
O amor com
a obrigação
e a existência
com a moral.

Mata-se o ser
Com a culpa de Viver.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, setembro 06, 2011


















Ai quem nos dera
As palavras mudas
Os lábios descarnados
E os mundos escondidos
Do olhar.
Porque eu nada sei
Passo nas ruelas frias
Da cidade sem ouvir os sons
Ou olhar as casas vazias
Numa absorta e egocêntrica
Indiferença trocista.

Ai quem nos dera
A mensagem prateada
Nos lábios encantados
E os mundos prometidos
Nesse teu eterno olhar
Porque ao passar pela cidade
Aprendi a entender a cegueira
E o segredo que os prazeres
Encantados nos podem trazer
Em cada onda de solidão

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 31, 2011

















Como se solta a palavra
Num jardim de mil flores
Que se tinge todo o ano
Com pétalas de todas as cores

Ora amores e desamores

Encantam-se então as palavras
Na beleza do jardim
E unem-se para criar
Um poema sem ter fim

Ora cantam ora dançam

No jardim dos meus poemas
Há mil pétalas, mil cores
E ainda mais teoremas
Com pétalas de todas as cores.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 27, 2011















Quando te desejo, á distancia enorme

De um olhar

Não passo de uma duna, varrida pelo

Vento e pelo mar

Na angustiante degustação dos elementos



E se te toco com os dedos, numa ânsia

Desmedida e sem pensar

Derramo em ti tudo o que sou, num ardente

E único beijar

Na celebração da vida em todos os momentos



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 24, 2011

















Crescemos no sonho da unidade,

Uma unidade plena e uníssona

De nos fundirmos com “um outro”

Numa peça resistente ao tempo

E às intempéries do viver.

...Crescemos e não damos conta

Que afinal a unidade por si

É unicamente negação do “eu”.

Um subsumir da existência

Nas brumas gélidas da

Tradição em que crescemos.



A unidade sonhada é arma

De arremesso contra a felicidade,

Levamos meia vida nessa procura

E outra meia vida nessa miséria

E nunca nos permitimos ver

Com olhos de ver e de sentir

Como seria o mundo sem

Propriedades privadas ou

Amores jurados para sempre

Que nunca se cumprem



Amar é liberdade, uma liberdade

De o fazer em cada momento

Como se nunca tivéssemos amado.

E isso é unicamente ser livre

E deixar livre quem nos ama.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 12, 2011

















Onde

Estiverem nomes que me chamem

E o tempo parar em cada momento

É aí

Que me irás encontrar

A matar a sede de viver



Manuel F. C. Almeida

domingo, agosto 07, 2011




















Recordar é medir

Cada momento

Em que o desenho

Do teu corpo

Se ajustava ao meu,

Sentir na boca

O sabor presente

Do que és,

E ouvir a sinfonia

Que á noite trocávamos

Em pautas escritas a dois.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 28, 2011


















Dos lábios soltaram-se

Rios de desejo

E dos beijos que trocámos

Em abraços ternos, delirantes

Ficou o sabor a sal

E a magia das madrugadas.



Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 23, 2011


Prisioneiros da cegueira,


Nesta procura constante

Do “eu” que um dia perdemos

Não encontramos quem fomos

E muito menos quem somos

Porque já nada sabemos.



Por vezes somos só um

De outras vezes somos tantos

Que o encontro com nós mesmos

E como chuva de verão

Que apenas dá a ilusão

De mudar sem que mudemos.



Porque a mudança dói sempre

Como um parto natural

É arrancar um pedaço

Daquilo que o mundo nos deu

E que em nós sempre cresceu

Como diamante, como aço.



Verdades “inabaláveis”,

Tradições que são seculares,

Vincadas dentro do “eu”

Que destroem o que somos

E destroem quem já fomos

E que quase já morreu



Mas é tempo de quebrar

As barras das nossas celas

Libertar a “nossa história,

Destas amarras de tempo,

Deixa-la fluir no vento

Viver em pleno e em glória.



Manuel F. c. Almeida

segunda-feira, julho 18, 2011

















E colamos à pele
O manto do tédio
E todos os dias se repetem
Até á exaustão da vida.
Olhamos o espelho
E lá dentro encontramos
O que somos.

Uma imagem em
Construção nos olhos
Dos outros.

Só nos espelhos nos
Desnudamos
De nós.
Sem eles seriamos só
O que somos naquele
Lugar onde “somos”.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 13, 2011














Ao despontar do dia
O corpo da noite implodiu.
Num último raio lunar
Um clamor à vida sorriu.
E foi entre as cores
Do arco-íris
Vincadas na alma,
Que a beleza do teu olhar
Me seduziu.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 07, 2011
























Correm os rios para o mar
E no teu olhar em flor
Há uma luz que nos indica
O cais que o vento perdeu
No corpo resgatado ao tempo
Das lendas e glórias perdidas
Em lugares já sem memória
Que sopram no coração,
Em campos de rubras papoilas
Onde as palavras devolvem
A magia das manhãs
As flores se oferecem
À luxúria dos insectos
E o teu corpo se abre
Sem fronteiras ou limites
Ao prazer de ver os rios
Que correm para te abraçar.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 30, 2011



















Que vento indomável me tomou o olhar
Que os meus olhos só vêm o que não viam?

Máscaras de uma normalidade lúcida
Num tempo em que “ser” se transmuta

E tudo se move, tudo evolui, tudo se altera
Na vida, no mundo que é um todo real

Só o pensar se mantém em cristal
Recusando assim o movimento

Ontem fui, hoje sou, amanhã não sei
Mas sei o caminho que estou a traçar

E na solidão do meu caminhar
Não há tempo a perder na vida

Resta-me pois enterrar o que fui
Abraçar o que sou e enfrentar o amanhã

Sem deuses ou deusas e sem sacrifícios
Que me tomem o corpo e a sanidade

É tempo de ir, tempo de mudar
Dizer adeus, cavalgar a saudade

Porque o caminho da memória é tortuoso
E recordar é só um perpetuar o passado.

Manuel F. C. Almeida

domingo, junho 26, 2011


















Tantos lábios, tantos sonhos,
Tantos corpos pra beijar
Tanta alegria que é vida
Tanta vida que é amar

E tudo em mim vai crescendo
Como uma onda no mar
Que quando é vida na areia
Não deixa de se espraiar

E se um dia tenho certo
Que tudo se vai acabar
E que a vida só se cumpre
No plural do verbo amar

Vou amar todos os dias
Sem fantasmas de saudade
Porque o amor só acontece
Quando amar é liberdade.


Manuel F. C. Almeida