Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
sábado, setembro 17, 2011
segunda-feira, setembro 12, 2011
terça-feira, setembro 06, 2011
As palavras mudas
Os lábios descarnados
E os mundos escondidos
Do olhar.
Porque eu nada sei
Passo nas ruelas frias
Da cidade sem ouvir os sons
Ou olhar as casas vazias
Numa absorta e egocêntrica
Indiferença trocista.
Ai quem nos dera
A mensagem prateada
Nos lábios encantados
E os mundos prometidos
Nesse teu eterno olhar
Porque ao passar pela cidade
Aprendi a entender a cegueira
E o segredo que os prazeres
Encantados nos podem trazer
Em cada onda de solidão
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, agosto 31, 2011
Num jardim de mil flores
Que se tinge todo o ano
Com pétalas de todas as cores
Ora amores e desamores
Encantam-se então as palavras
Na beleza do jardim
E unem-se para criar
Um poema sem ter fim
Ora cantam ora dançam
No jardim dos meus poemas
Há mil pétalas, mil cores
E ainda mais teoremas
Com pétalas de todas as cores.
sábado, agosto 27, 2011
Quando te desejo, á distancia enorme
De um olhar
Não passo de uma duna, varrida pelo
Vento e pelo mar
Na angustiante degustação dos elementos
E se te toco com os dedos, numa ânsia
Desmedida e sem pensar
Derramo em ti tudo o que sou, num ardente
E único beijar
Na celebração da vida em todos os momentos
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, agosto 24, 2011
Crescemos no sonho da unidade,
Uma unidade plena e uníssona
De nos fundirmos com “um outro”
Numa peça resistente ao tempo
E às intempéries do viver.
...Crescemos e não damos conta
Que afinal a unidade por si
É unicamente negação do “eu”.
Um subsumir da existência
Nas brumas gélidas da
Tradição em que crescemos.
A unidade sonhada é arma
De arremesso contra a felicidade,
Levamos meia vida nessa procura
E outra meia vida nessa miséria
E nunca nos permitimos ver
Com olhos de ver e de sentir
Como seria o mundo sem
Propriedades privadas ou
Amores jurados para sempre
Que nunca se cumprem
Amar é liberdade, uma liberdade
De o fazer em cada momento
Como se nunca tivéssemos amado.
E isso é unicamente ser livre
E deixar livre quem nos ama.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, agosto 12, 2011
domingo, agosto 07, 2011
quinta-feira, julho 28, 2011
sábado, julho 23, 2011
Prisioneiros da cegueira,
Nesta procura constante
Do “eu” que um dia perdemos
Não encontramos quem fomos
E muito menos quem somos
Porque já nada sabemos.
Por vezes somos só um
De outras vezes somos tantos
Que o encontro com nós mesmos
E como chuva de verão
Que apenas dá a ilusão
De mudar sem que mudemos.
Porque a mudança dói sempre
Como um parto natural
É arrancar um pedaço
Daquilo que o mundo nos deu
E que em nós sempre cresceu
Como diamante, como aço.
Verdades “inabaláveis”,
Tradições que são seculares,
Vincadas dentro do “eu”
Que destroem o que somos
E destroem quem já fomos
E que quase já morreu
Mas é tempo de quebrar
As barras das nossas celas
Libertar a “nossa história,
Destas amarras de tempo,
Deixa-la fluir no vento
Viver em pleno e em glória.
Manuel F. c. Almeida
segunda-feira, julho 18, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
Correm os rios para o mar
E no teu olhar em flor
Há uma luz que nos indica
O cais que o vento perdeu
No corpo resgatado ao tempo
Das lendas e glórias perdidas
Em lugares já sem memória
Que sopram no coração,
Em campos de rubras papoilas
Onde as palavras devolvem
A magia das manhãs
As flores se oferecem
À luxúria dos insectos
E o teu corpo se abre
Sem fronteiras ou limites
Ao prazer de ver os rios
Que correm para te abraçar.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, junho 30, 2011
domingo, junho 26, 2011
Tantos lábios, tantos sonhos,
Tantos corpos pra beijar
Tanta alegria que é vida
Tanta vida que é amar
E tudo em mim vai crescendo
Como uma onda no mar
Que quando é vida na areia
Não deixa de se espraiar
E se um dia tenho certo
Que tudo se vai acabar
E que a vida só se cumpre
No plural do verbo amar
Vou amar todos os dias
Sem fantasmas de saudade
Porque o amor só acontece
Quando amar é liberdade.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 22, 2011
Queimo em mim os restos do que sou
Devagar teimosamente sem pressas
No espaço livre desenho canteiros
Com tulipas, cravos e amores imperfeitos
A terra alimenta-se das cinzas
E as flores descobrem-se como diamantes
Faço colares de flores vivas
Que me limito a unir, sem as colher
Dos lábios soltam-se pequenas
Gotas de vida e saltam rubis do olhar
E na escuridão do universo, algures
E em segredo há uma estrela a cantar
Manuel F. C. Almeida
sábado, junho 18, 2011
Com que letras se deve cantar
A canção da vida e da melodia
Que leva consigo no tempo
A vida…dia após dia.
Com os segredos do sangue?
Com pétalas de alvorada?
Com sonhos roubados á terra
Fresca… depois de lavrada?
Mas cantem como cantarem
Cantem com todas as cores
Que o mundo das minhas canções
É um mundo de muitos amores.
Manuel F. C. Almeida.
segunda-feira, junho 13, 2011
Silencioso o impulso
Despe-se das amarras
Da paisagem,
Bebendo a vida no vento,
Num voluntarioso gesto
De invocação dos corpos
Adormecido sinto a tua
Mão percorrer-me os sentidos
E num ultimo fulgor
Ergo a vida e deleito-me
Com a candura dos teus
Olhos, que suavemente
Me devoram numa doce e
Antecipada luxúria.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 08, 2011
Nunca lamentes, nem chores
Não recordes nem prometas
Há sempre um mundo de amores
No coração dos poetas
Não chores os amigos caídos
No labor do dia a dia
Nem os amores vividos
Quando o amor te sorria
Porque o amor não é singular
Sendo fruto desta vida
Acontece sem avisar
Na pluralidade sentida
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, junho 03, 2011
Todos os dias se repetem
Mas chegaste sem perguntas
Nem respostas
E eu sentei-me no alto
De uma nuvem
E o prazer brilhou no teu olhar
Sem pedir nada em troca
E eu falei dos olhares perdidos
E dos sentidos por descobrir
E sem perguntas ou respostas
Ficamos quietos a olhar o horizonte
Num tempo sem tempo
Nem o horizonte amanhece
Só o presente é real
E só no presente nos descobrimos
Tudo é finito, tudo é presente
O amanhã é acidente.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo
















