Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
segunda-feira, julho 18, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
Correm os rios para o mar
E no teu olhar em flor
Há uma luz que nos indica
O cais que o vento perdeu
No corpo resgatado ao tempo
Das lendas e glórias perdidas
Em lugares já sem memória
Que sopram no coração,
Em campos de rubras papoilas
Onde as palavras devolvem
A magia das manhãs
As flores se oferecem
À luxúria dos insectos
E o teu corpo se abre
Sem fronteiras ou limites
Ao prazer de ver os rios
Que correm para te abraçar.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, junho 30, 2011
Que vento indomável me tomou o olhar
Que os meus olhos só vêm o que não viam?
Máscaras de uma normalidade lúcida
Num tempo em que “ser” se transmuta
E tudo se move, tudo evolui, tudo se altera
Na vida, no mundo que é um todo real
Só o pensar se mantém em cristal
Recusando assim o movimento
Ontem fui, hoje sou, amanhã não sei
Mas sei o caminho que estou a traçar
E na solidão do meu caminhar
Não há tempo a perder na vida
Resta-me pois enterrar o que fui
Abraçar o que sou e enfrentar o amanhã
Sem deuses ou deusas e sem sacrifícios
Que me tomem o corpo e a sanidade
É tempo de ir, tempo de mudar
Dizer adeus, cavalgar a saudade
Porque o caminho da memória é tortuoso
E recordar é só um perpetuar o passado.
Manuel F. C. Almeida
domingo, junho 26, 2011
Tantos lábios, tantos sonhos,
Tantos corpos pra beijar
Tanta alegria que é vida
Tanta vida que é amar
E tudo em mim vai crescendo
Como uma onda no mar
Que quando é vida na areia
Não deixa de se espraiar
E se um dia tenho certo
Que tudo se vai acabar
E que a vida só se cumpre
No plural do verbo amar
Vou amar todos os dias
Sem fantasmas de saudade
Porque o amor só acontece
Quando amar é liberdade.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 22, 2011
Queimo em mim os restos do que sou
Devagar teimosamente sem pressas
No espaço livre desenho canteiros
Com tulipas, cravos e amores imperfeitos
A terra alimenta-se das cinzas
E as flores descobrem-se como diamantes
Faço colares de flores vivas
Que me limito a unir, sem as colher
Dos lábios soltam-se pequenas
Gotas de vida e saltam rubis do olhar
E na escuridão do universo, algures
E em segredo há uma estrela a cantar
Manuel F. C. Almeida
sábado, junho 18, 2011
Com que letras se deve cantar
A canção da vida e da melodia
Que leva consigo no tempo
A vida…dia após dia.
Com os segredos do sangue?
Com pétalas de alvorada?
Com sonhos roubados á terra
Fresca… depois de lavrada?
Mas cantem como cantarem
Cantem com todas as cores
Que o mundo das minhas canções
É um mundo de muitos amores.
Manuel F. C. Almeida.
segunda-feira, junho 13, 2011
Silencioso o impulso
Despe-se das amarras
Da paisagem,
Bebendo a vida no vento,
Num voluntarioso gesto
De invocação dos corpos
Adormecido sinto a tua
Mão percorrer-me os sentidos
E num ultimo fulgor
Ergo a vida e deleito-me
Com a candura dos teus
Olhos, que suavemente
Me devoram numa doce e
Antecipada luxúria.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 08, 2011
Nunca lamentes, nem chores
Não recordes nem prometas
Há sempre um mundo de amores
No coração dos poetas
Não chores os amigos caídos
No labor do dia a dia
Nem os amores vividos
Quando o amor te sorria
Porque o amor não é singular
Sendo fruto desta vida
Acontece sem avisar
Na pluralidade sentida
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, junho 03, 2011
Num tempo sem tempo
Todos os dias se repetem
Mas chegaste sem perguntas
Nem respostas
E eu sentei-me no alto
De uma nuvem
E o prazer brilhou no teu olhar
Sem pedir nada em troca
E eu falei dos olhares perdidos
E dos sentidos por descobrir
E sem perguntas ou respostas
Ficamos quietos a olhar o horizonte
Num tempo sem tempo
Nem o horizonte amanhece
Só o presente é real
E só no presente nos descobrimos
Tudo é finito, tudo é presente
O amanhã é acidente.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo
Todos os dias se repetem
Mas chegaste sem perguntas
Nem respostas
E eu sentei-me no alto
De uma nuvem
E o prazer brilhou no teu olhar
Sem pedir nada em troca
E eu falei dos olhares perdidos
E dos sentidos por descobrir
E sem perguntas ou respostas
Ficamos quietos a olhar o horizonte
Num tempo sem tempo
Nem o horizonte amanhece
Só o presente é real
E só no presente nos descobrimos
Tudo é finito, tudo é presente
O amanhã é acidente.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo
segunda-feira, maio 30, 2011
Elegia social
Nada pode já pintar
As cores do corpo em tédio
A indolência da vontade
Ou as simples palavras
Mudas que guardas
Dentro de ti.
Longe, nada pára o desejo
Ou o momento em que tudo
É belo e as pessoas se apresentam
Como aves do novo mundo
Entre plumagens de mil cores
E o cheiro a novidade.
Então porque não falas
Ou cantas os segredos
Da alma? Não há cobranças
A fazer e o preço a pagar
É tão baixo que não merece
Os juros do silêncio.
Não! Não queiras um teatro
De marionetas como palco
De vida, um presente indolente
Em que tudo se resume a
Uma plateia de aplausos
E um objecto decorativo.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, maio 25, 2011

Leonard Coehn
inspirou este poema
(Like a Bird on the wire)
Porque sou o que não quero
E o que quero não posso ser
Vivo sempre num desespero
Entre o ser e o não ser.
E o ser que na verdade
Está refém dentro de mim
Anseia pela liberdade
Com mirra, incenso, jasmim.
Mas só a minha vontade
Irá decidir o momento
Em que abraço a liberdade
E agarro uma asa de vento.
Manuel F.C. Almeida
Vivo sempre num desespero
Entre o ser e o não ser.
E o ser que na verdade
Está refém dentro de mim
Anseia pela liberdade
Com mirra, incenso, jasmim.
Mas só a minha vontade
Irá decidir o momento
Em que abraço a liberdade
E agarro uma asa de vento.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, maio 19, 2011
Eu vivo só, mas assustado
Pela multidão que me rodeia.Se falo olham para o lado
Se me calo... sou só areia.
Por tudo vivo inanimado
Preso ao mundo que fechei
É lá que sou escutado
Foi lá que me criei.
Nas margens do ser e do não ser
No único local onde existi
Faço a vida acontecer
Sei que ainda não morri
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, maio 13, 2011
Molho os pés nas tuas águas
E rasgo as duvidas no tempo.
Planto crisântemos em vasos
Que florescem na tua voz
Com o olhar faço o teu molde
Que imprimo dentro de mim
E sopro a figura criada
Com a magia do vento
E nas flores que se desvelam
Do teu ventre feito noz
Saltam sementes de fogo
Que germinam entre nós.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, maio 09, 2011
Em 09/05/2004 escrevi este poema
Escondo-me num canto da noite
Dentro do meu pensar e sentir,Tenho o sabor dos teus lábios
Presentes, sem que os conheça
E marcam-me a alma como agulhas
Que misturam o fogo com o fogo
A agua com a agua e os corpos
Separados pela linha do tempo.
Tenho o sabor da tua pele
Sonhada no silencio das noites
E a sinfonia dos dedos
No percorrer simples
De um corpo que se ergue
Ao ritmo de compassos binários
Naquela sinfonia que sonhamos
Tocar a dois, sem linhas de tempo
Ou realidades escondidas
Escondo-me num canto da noite
E na ternura antecipada de um beijo.
Manuel F. C. Almeida
foto: http://olhares.aeiou.pt/Papion
sexta-feira, maio 06, 2011
Solta o silêncio
Contido
No ruidoso silêncio
Que o silêncio que te
Habita
É o silêncio
De mim.
Abraçamos o silêncio
Que se espraia
Entre nós
Como se não houvesse
Vida
Na voz
Pouco a pouco
Devagar
Mas como bicho de traça
Vai-se o amor no olhar
E o silêncio
Já não passa.
E mesmo quando
Em silêncio
Teimamos em manter
Este fio
Burla-mos o que já
Foi amor
E que é hoje apenas
Cio.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/rodrigomolina
domingo, maio 01, 2011
Agarro o sol, que se me dá
Solto o espírito no vento
E o olhar nas ondas,
E nunca me perco da liberdade
Que generosamente conquisto
Devagar.
Contemplo a magia das flores
Em que água, vento e sol se
Transformam
E no verbo liberto o que sou
Sou parte de um todo que é beleza
E eternidade.
A minha morte é unicamente
Uma necessidade deste mundo.
A necessidade de tornar sempre
Mais belo o universo a que pertenço.
Manuel F. C. Almeida
Solto o espírito no vento
E o olhar nas ondas,
E nunca me perco da liberdade
Que generosamente conquisto
Devagar.
Contemplo a magia das flores
Em que água, vento e sol se
Transformam
E no verbo liberto o que sou
Sou parte de um todo que é beleza
E eternidade.
A minha morte é unicamente
Uma necessidade deste mundo.
A necessidade de tornar sempre
Mais belo o universo a que pertenço.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, abril 27, 2011
Esta noite sonhei com um vale
Verdejante, entre versosE rimas que se subtraiam
Á poesia encoberta do olhar.
Nos penhascos das palavras,
A coberto da confusão
Dos conceitos, encontrei
Um nome. Um nome único
Como são todos os nomes
Porque os nomes, nomeiam
Pessoas e todas são únicas.
Era o nome “Amigo” e todas
As suas letras estavam bordadas
A ouro e era delas que a luz surgia
Para iluminar o meu vale de sonhos.
Manuel F. C. Almeida
foto: http://olhares.aeiou.pt/ddiarte
sábado, abril 23, 2011
Há uma solidão sinfónica entre
A alma e as gentes.Um hiato entre o corpo
E o sentir.
Uma vaga vazia entre o “ser”
E o existir.
Foi-se a magia que engalanava
A existência
E o que resta são apenas vocábulos
Mudos.
Até as aves perderam o nome
E limitam-se a perdidas imagens
Sem luz ou conhecimento.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, abril 19, 2011

Preso no limbo de momento
Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei
Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado
E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres
Manuel F. C. Almeida
Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei
Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado
E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres
Manuel F. C. Almeida
fotoDDiArte
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