segunda-feira, julho 18, 2011

















E colamos à pele
O manto do tédio
E todos os dias se repetem
Até á exaustão da vida.
Olhamos o espelho
E lá dentro encontramos
O que somos.

Uma imagem em
Construção nos olhos
Dos outros.

Só nos espelhos nos
Desnudamos
De nós.
Sem eles seriamos só
O que somos naquele
Lugar onde “somos”.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 13, 2011














Ao despontar do dia
O corpo da noite implodiu.
Num último raio lunar
Um clamor à vida sorriu.
E foi entre as cores
Do arco-íris
Vincadas na alma,
Que a beleza do teu olhar
Me seduziu.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 07, 2011
























Correm os rios para o mar
E no teu olhar em flor
Há uma luz que nos indica
O cais que o vento perdeu
No corpo resgatado ao tempo
Das lendas e glórias perdidas
Em lugares já sem memória
Que sopram no coração,
Em campos de rubras papoilas
Onde as palavras devolvem
A magia das manhãs
As flores se oferecem
À luxúria dos insectos
E o teu corpo se abre
Sem fronteiras ou limites
Ao prazer de ver os rios
Que correm para te abraçar.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 30, 2011



















Que vento indomável me tomou o olhar
Que os meus olhos só vêm o que não viam?

Máscaras de uma normalidade lúcida
Num tempo em que “ser” se transmuta

E tudo se move, tudo evolui, tudo se altera
Na vida, no mundo que é um todo real

Só o pensar se mantém em cristal
Recusando assim o movimento

Ontem fui, hoje sou, amanhã não sei
Mas sei o caminho que estou a traçar

E na solidão do meu caminhar
Não há tempo a perder na vida

Resta-me pois enterrar o que fui
Abraçar o que sou e enfrentar o amanhã

Sem deuses ou deusas e sem sacrifícios
Que me tomem o corpo e a sanidade

É tempo de ir, tempo de mudar
Dizer adeus, cavalgar a saudade

Porque o caminho da memória é tortuoso
E recordar é só um perpetuar o passado.

Manuel F. C. Almeida

domingo, junho 26, 2011


















Tantos lábios, tantos sonhos,
Tantos corpos pra beijar
Tanta alegria que é vida
Tanta vida que é amar

E tudo em mim vai crescendo
Como uma onda no mar
Que quando é vida na areia
Não deixa de se espraiar

E se um dia tenho certo
Que tudo se vai acabar
E que a vida só se cumpre
No plural do verbo amar

Vou amar todos os dias
Sem fantasmas de saudade
Porque o amor só acontece
Quando amar é liberdade.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, junho 22, 2011















Queimo em mim os restos do que sou
Devagar teimosamente sem pressas

No espaço livre desenho canteiros
Com tulipas, cravos e amores imperfeitos

A terra alimenta-se das cinzas
E as flores descobrem-se como diamantes

Faço colares de flores vivas
Que me limito a unir, sem as colher

Dos lábios soltam-se pequenas
Gotas de vida e saltam rubis do olhar

E na escuridão do universo, algures
E em segredo há uma estrela a cantar

Manuel F. C. Almeida

sábado, junho 18, 2011



















Com que letras se deve cantar

A canção da vida e da melodia

Que leva consigo no tempo

A vida…dia após dia.

Com os segredos do sangue?

Com pétalas de alvorada?

Com sonhos roubados á terra

Fresca… depois de lavrada?



Mas cantem como cantarem

Cantem com todas as cores

Que o mundo das minhas canções

É um mundo de muitos amores.


Manuel F. C. Almeida.

segunda-feira, junho 13, 2011













Silencioso o impulso


Despe-se das amarras

Da paisagem,

Bebendo a vida no vento,

Num voluntarioso gesto

De invocação dos corpos

Adormecido sinto a tua

Mão percorrer-me os sentidos

E num ultimo fulgor

Ergo a vida e deleito-me

Com a candura dos teus

Olhos, que suavemente

Me devoram numa doce e

Antecipada luxúria.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, junho 08, 2011















Nunca lamentes, nem chores

Não recordes nem prometas

Há sempre um mundo de amores

No coração dos poetas


Não chores os amigos caídos

No labor do dia a dia

Nem os amores vividos

Quando o amor te sorria


Porque o amor não é singular

Sendo fruto desta vida

Acontece sem avisar

Na pluralidade sentida


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 03, 2011

Num tempo sem tempo


Todos os dias se repetem

Mas chegaste sem perguntas

Nem respostas

E eu sentei-me no alto

De uma nuvem

E o prazer brilhou no teu olhar

Sem pedir nada em troca


E eu falei dos olhares perdidos

E dos sentidos por descobrir

E sem perguntas ou respostas

Ficamos quietos a olhar o horizonte


Num tempo sem tempo

Nem o horizonte amanhece


Só o presente é real

E só no presente nos descobrimos

Tudo é finito, tudo é presente

O amanhã é acidente.



Manuel F. C. Almeida

foto  http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo

segunda-feira, maio 30, 2011




Elegia social



Nada pode já pintar
As cores do corpo em tédio
A indolência da vontade
Ou as simples palavras
Mudas que guardas
Dentro de ti.

Longe, nada pára o desejo
Ou o momento em que tudo
É belo e as pessoas se apresentam
Como aves do novo mundo
Entre plumagens de mil cores
E o cheiro a novidade.

Então porque não falas
Ou cantas os segredos
Da alma? Não há cobranças
A fazer e o preço a pagar
É tão baixo que não merece
Os juros do silêncio.

Não! Não queiras um teatro
De marionetas como palco
De vida, um presente indolente
Em que tudo se resume a
Uma plateia de aplausos
E um objecto decorativo.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, maio 25, 2011








Leonard Coehn
inspirou este poema
(Like a Bird on the wire)





Porque sou o que não quero
E o que quero não posso ser
Vivo sempre num desespero
Entre o ser e o não ser.

E o ser que na verdade
Está refém dentro de mim
Anseia pela liberdade
Com mirra, incenso, jasmim.

Mas só a minha vontade
Irá decidir o momento
Em que abraço a liberdade
E agarro uma asa de vento.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 19, 2011



Eu vivo só, mas assustado
Pela multidão que me rodeia.
Se falo olham para o lado
Se me calo... sou só areia.
Por tudo vivo inanimado
Preso ao mundo que fechei
É lá que sou escutado
Foi lá que me criei.
Nas margens do ser e do não ser
No único local onde existi
Faço a vida acontecer
Sei que ainda não morri


Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, maio 13, 2011



Molho os pés nas tuas águas
E rasgo as duvidas no tempo.
Planto crisântemos em vasos
Que florescem na tua voz

Com o olhar faço o teu molde
Que imprimo dentro de mim
E sopro a figura criada
Com a magia do vento

E nas flores que se desvelam
Do teu ventre feito noz
Saltam sementes de fogo
Que germinam entre nós.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 09, 2011


Em 09/05/2004 escrevi este poema

Escondo-me num canto da noite
Dentro do meu pensar e sentir,
Tenho o sabor dos teus lábios
Presentes, sem que os conheça
E marcam-me a alma como agulhas
Que misturam o fogo com o fogo
A agua com a agua e os corpos
Separados pela linha do tempo.
Tenho o sabor da tua pele
Sonhada no silencio das noites
E a sinfonia dos dedos
No percorrer simples
De um corpo que se ergue
Ao ritmo de compassos binários
Naquela sinfonia que sonhamos
Tocar a dois, sem linhas de tempo
Ou realidades escondidas
Escondo-me num canto da noite
E na ternura antecipada de um beijo.

Manuel F. C. Almeida

 
foto: http://olhares.aeiou.pt/Papion


sexta-feira, maio 06, 2011





















Solta o silêncio
Contido
No ruidoso silêncio
De ti.
Que o silêncio que te
Habita
É o silêncio
De mim.
Abraçamos o silêncio
Que se espraia
Entre nós
Como se não houvesse
Vida
Na voz
Pouco a pouco
Devagar
Mas como bicho de traça
Vai-se o amor no olhar
E o silêncio
Já não passa.
E mesmo quando
Em silêncio
Teimamos em manter
Este fio
Burla-mos o que já
Foi amor
E que é hoje apenas
Cio.



Manuel F. C. Almeida

foto http://olhares.aeiou.pt/rodrigomolina

domingo, maio 01, 2011

Agarro o sol, que se me dá

Solto o espírito no vento
E o olhar nas ondas,
E nunca me perco da liberdade

Que generosamente conquisto
Devagar.

Contemplo a magia das flores
Em que água, vento e sol se
Transformam
E no verbo liberto o que sou

Sou parte de um todo que é beleza
E eternidade.
A minha morte é unicamente
Uma necessidade deste mundo.

A necessidade de tornar sempre
Mais belo o universo a que pertenço.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, abril 27, 2011

Esta noite sonhei com um vale
Verdejante, entre versos
E rimas que se subtraiam
Á poesia encoberta do olhar.
Nos penhascos das palavras,
A coberto da confusão
Dos conceitos, encontrei
Um nome. Um nome único
Como são todos os nomes
Porque os nomes, nomeiam
Pessoas e todas são únicas.
Era o nome “Amigo” e todas
As suas letras estavam bordadas
A ouro e era delas que a luz surgia
Para iluminar o meu vale de sonhos.

Manuel F. C. Almeida

foto: http://olhares.aeiou.pt/ddiarte

sábado, abril 23, 2011

Há uma solidão sinfónica entre
A alma e as gentes.
Um hiato entre o corpo
E o sentir.
Uma vaga vazia entre o “ser”
E o existir.
Foi-se a magia que engalanava
A existência
E o que resta são apenas vocábulos
Mudos.

Até as aves perderam o nome
E limitam-se a perdidas imagens
Sem luz ou conhecimento.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 19, 2011












Preso no limbo de momento
Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei

Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado

E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres

Manuel F. C. Almeida