segunda-feira, janeiro 24, 2011





















Digo-te adeus, porque te digo
Que os silêncios são barreiras
Construídas na mente,
São vida fossilizada
Pela ausência e pelo tempo,
São horizontes num
Universo paralelo,
São olhares vazios
Sem objecto,
São palavras vivas
E não soletradas

Digo-te adeus, porque te digo
Que o amor é algo mais
Que o corpo em fogo,
É desejo de beber
O néctar de mil papoilas,
É procurar o universo
No outro olhar,
É sentir nas mãos
O aroma de mil frutos,
É ser desassossego
No ser.

Digo-te adeus, porque te digo
Que somos palavras por dizer
Que não estão apaixonadas.

Manuel F. C. Almeida



fotoMRVM





quarta-feira, janeiro 19, 2011
















E de repente com as mãos
Rasgaste a vontade
E esqueceste o sonho.
Esculpiste o coração
E colocaste-o numa caixinha
Escondida dos olhares do mundo.

Olhaste e recuperaste o passado
Mas sem coração não há magia
E tudo transparece um dia,
Como um vidro.
Então o que vês é o que queres,
O que escolheste.
E nunca o que o coração
Pintou com as cores
Da vontade.
Esse quadro será sempre
Só teu. Guardado num recanto
Da alma.

Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, janeiro 14, 2011





















É nestes dias em que chuva
Diz presente, que me cubro
Com o mistério da ausência
E procuro entender a vida.
Então olho para dentro de mim
E tacteio os amores do tempo
Na ânsia de reencontrar
O calor das almas esquecidas.
Porque em cada corpo possuído,
Em cada olhar que deixei cair
Teima em vibrar uma corda
Que me une a todos eles.

E sinto o mundo comprimido
No silêncio estéril do passado.

Manuel F. C. Almeida


domingo, janeiro 09, 2011
















Com garras de vida
Rasgo o pensamento
E dilacero-o em mil pedaços
Que teimo em lançar
Aos deuses.
Um poema,
Uma estrada,
Um caminho sem sentido
Uma pergunta de espanto
Que margens terá
O meu rio?

Manuel F. C. Almeida


foto: SAGHER

quarta-feira, janeiro 05, 2011















E a olhar o teu olhar eu não me via
No reflexo vivo dos teus olhos
E a seguir-te os passos eu não seguia
O estranho mundo dos teus sonhos

E assim desbravámos este caminho
Estranhos no ser, estranhos no estar
E na nudez dos corpos bordámos a linho
As letras do verbo que se diz amar

Mas os olhos e o verbo sempre revelam
A verdade que se teima em esconder
E os dias que passam sempre desvelam
Os segredos guardados dentro do ser.

Manuel F. C. Almeida

foto Alexandre Grand

sábado, janeiro 01, 2011















Tudo passa num lampejo,
Na tardia descoberta
Do que fomos.
Entendemos finalmente
Que já nada existe,
Para lá da memória
Dos corpos possuídos.

Manuel F.C. Almeida


segunda-feira, dezembro 27, 2010


















A visão do futuro
Massacrado contra
A vida
É a última esperança
Que resta
Nos dias sitiados
Do presente.

Manuel F. C. Almeida


foto:JET ...

terça-feira, dezembro 21, 2010
















Cortámos o segredo


para além dos espelhos


e descobrimos os lugares


proibidos na alma,


junto a um velho rio


esquecido.


Nas margens prenhes


de imutáveis paisagens


esquecidas


Só o eco do teu corpo


me acorda deste sonho.








Manuel F.C. Almeida





foto: luis miguel inês

quarta-feira, dezembro 15, 2010
















Caminhas pelo horizonte dos meus sonhos
Com o passo delicado de uma história
No mais reprimido mapa da memória
Esconde-se o teu corpo dos meus olhos

Caminhas devagar e sem o saber
Percorres as páginas da minha existência
Meus braços abraçam a tua ausência
Meus lábios cantam-te no meu viver

Prisioneiros somos neste universo
De estrelas que brilham como diamantes
De poemas escritos, jóias de amantes
Que descrevem a vida, verso ante verso.

Manuel F. C. Almeida


sábado, dezembro 11, 2010





















E consome-se o tempo
Com o tempo que nos consome
A alma.
Os sons, simples segundos
De passagem, são uma quimera,
Uma miragem;
Borboletas na paisagem.
E os olhos que encontram olhos
Para neles se perderem
Fixam a máscara do que foi
E nunca “é”
Porque o agora
Não se desvenda sem a soma
Do tempo que há-de vir.
Só o passado é existência.
Só o meu sonhar existir.


Manuel F.C. Almeida


segunda-feira, dezembro 06, 2010





















Sim, eu sei que me fascinam
As folhas perdidas no tempo
E as aves que voam sem rumo.
Sei também que os elementos
Me fascinam, tal como me
Fascinam as pessoas. No fundo
Tudo me deixa fascinado.
Da organização marcial dos
Formigueiros,
À existência de perguntas
Por fazer.
Sim eu sei que tudo me fascina
Especialmente a estranha
Diversidade das coisas
As folhas, as aves, as gotas de água
De todos os oceanos.
Mas o que mais me fascina é esta
Incessante procura de dar sentido
À vida humana,
Acaso o oceano procura
Explicar-se?
Ou uma folha de Outono
Se recorda de como foi a primavera?
Ou as aves explicam os motivos
Da sua aparente vivência caótica?
A vida é tão simples,
Como pudemos destrui-la?

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 03, 2010















Sinto que o tempo se acaba
Aqui
Nesta alegórica existência
Sem sentido

Na procura do poema perdido
Em mim
Que cante a minha verdadeira
Face

Na margem em que a coragem era
Vida
E o coração uma arma apontada
À esperança

Mas é tempo de silenciar
Os sonhos
E deixar de pintar as palavras
Com o teu nome.

Manuel F.C. Almeida


segunda-feira, novembro 29, 2010
















E quando nada acontecer
Vou escrever um poema
Com letras de prata
E pontuação dourada


Onde me leva esta estrada.


Manuel F. C. Almeida


fotoSAGHER

sábado, novembro 27, 2010





















Como é difícil escrever
Sem nada ter para dizer
Nem o paraíso dos meus olhos
Ou a alegria incontida
Dos sonhos,
Podem resumir o que se não vê.
Como é difícil escrever
O que não se lê,
O que não se sente…
Ou o que se sente
Mas não se quer escrever

Como é difícil escrever
Sem nada ter para dizer.

Manuel F.C. Almeida


quinta-feira, novembro 25, 2010





















Consome-se o tempo
Com um futuro esperado
E esquecemos que a vida
É somente um grão de areia
No universo encrespado

Manuel F. C. Almeida



fotoJET ...

domingo, novembro 21, 2010



Canto no tempo

















Agarro o firmamento no horizonte


ancorado no olhar,


os sentidos percorrem o espaço


e a imaginação solta-se


na dança incessantedas águas.


Sou uma crisálida de palavras


Ocas, um cálice sem néctar


Ou fogo sagrado,


Sou homem,


Sou história,


Sou fado.


Só no canto liberto


Esta chama


Do meu pesadelo


Acordado





Manuel F. C. Almeida





foto:João de Castro

quarta-feira, novembro 17, 2010


Já ia alto o sol
Quando me conheci.
Não ouvi sons,
Nem acordei as aves.
Fixei-me num ponto
Obscuro do horizonte
E deliciei-me com
A memória das memórias
Coladas a mim.
Em uníssono a tarde caiu
E deixei de me reconhecer
Só a luxúria de outros corpos
Me permite resgatar quem sou.

Manuel F.C. Almeida
fotoABrito

sexta-feira, novembro 12, 2010





















Já não há fuga
Nem esperança.
Já não há passado
Nem futuro
E neste presente
Teimosamente adiado
Todos os sons
Pairam sobre
As águas
Como punhais
Que rasgam a carne
No tempo
E nos impelem
Contra o sonho.

Só nos resta
O sopro das estrelas
Nas noites
Sem luar.

Manuel F. C. Almeida


domingo, novembro 07, 2010





















Desespero frente ao poema
Por nascer.
Não sei quem sou
Muito menos quem fui.
Perco o passado na escrita
Perco a escrita no olhar.
Vagueio por amores
Sem face.
Invento diamantes
Telúricos
E sinto os ventos
No aconchego da alma.

No desespero dos
Poemas por nascer
Acabo sempre por
Me encontrar
E me perder.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, novembro 02, 2010
















Não há espaço, nem distancia
Não há principio nem fim
Existir é uma constante
De incertezas em mim
Não procuro as respostas
Onde não existem perguntas
Sou apenas testemunha
Da linguagem do tempo
Viver é parte da história
Que fica escrita no vento.

Manuel Almeida


fotoSAGHER