domingo, março 14, 2010
















A boca, os olhos, as mãos
A memória intangível
De criança
Nunca superada.
O silêncio
O espanto.
O tudo e o nada.
A inocência dos actos.
A malícia dos corpos,
Que aos corpos está atenta,
Lavra as letras como rimas.
O poeta vive assim e
Assim se inventa.

Manuel F. C. Almeida


FOTO:Marcos

terça-feira, março 09, 2010













Visto fato
Dispo fato
Uso camisa
E gravata
Sapatos que brilham
Ao longe
Um sorriso de encantar
E no final o que fica...
Um vazio de pasmar.

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, março 04, 2010


Não interessa o quanto a vida te tem maltratado...Anda sempre de cabeça erguida!!!
HOJE ADERE Á GREVE.
CONTRA A DEGRADAÇÃO DA VIDA POLITICA
CONTRA A FALSA MORALIDADE DOS POLITICOS
CONTRA A PREMISCUIDADE ENTRE OS GOVERNOS E O PODER ECONÓMICO
PELA DEFESA DO CONTRATO SOCIAL
PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
PELA DEFESA DE UM ESTADO AO SERVIÇO DO POVO
CONTRA A MENTIRA E A DEMAGOGIA DESTE GOVERNO
FAZ GREVE PELO NOSSO FUTURO
E MESMO SE MORRERES QUE SEJA DE PÉ COMO AS ARVORES

terça-feira, março 02, 2010


















Um dia disseste: regressa!
Entre os cacos partidos,
Sobrava apenas uma ampulheta.
Com as nossas mãos
Voltamos a girar a o tempo,
A reparar o que foi destruído
A reaprender os olhares e os odores
Mas nunca mais recuperámos
A inocência.
Ficou algures
Entre as memórias do silêncio
De crianças despertadas.

Manuel F. C. Almeida

fotoTuta

sábado, fevereiro 27, 2010



















Eu sei que te vou
Amar
Para todo o sempre.
Em cada mulher que ame
És tu que eu amo
E todas as mulheres que fores
Serão apenas amores
De amor por ti…
Mulher

Manuel F. C. Almeida



quarta-feira, fevereiro 24, 2010




como tinhas razão camarada

terça-feira, fevereiro 23, 2010



















Com puritanismo se afoga o mundo
Com as falsas falas da moral
Mas no estranho espaço virtual
Todas as taras saltam do fundo
A coberto da exposição social
No anonimato das alcunhas
Revelam-se as garras e as unhas
Da reprimida tusa nacional
E é assim que senhoras muito pudicas
Incapazes de dizer um palavrão
Se regalam com o garanhão
Que se mostra em poses sempre lúdicas.

E assim se prova uma vez mais
O nosso amor à liberdade
É que escondidos da sociedade
Nunca deixamos de ser animais.
(ainda bem)

Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 20, 2010












E um dia eu vou colher o mundo
E respirar bem fundo
O aroma do amar
Queiram os deuses e queira a minha vida
Que esta flor colhida
Venha um dia a cantar
Tantos sonhos, segredos já perdidos
Segredos escondidos
Do meu eterno andar
E um compasso que voa a meu lado
E canta este meu fado
De nunca me encontrar
Dá-me o tom, a musicalidade
E toda a eternidade
De um já passado olhar
E no fim, quando eu desço á terra
Descubro uma guerra
Travada no meu peito
E é então, que olho os meus dias
E ouço as sinfonias
Das águas no seu leito.

Manuel F. C. Almeida


fotoM.I.R.

terça-feira, fevereiro 16, 2010



´















Consegues lembrar-te disto?
Daquela linda madrugada
Da liberdade a chegar
Nos braços de um vento
De história que teimou
No seu soprar
Da tua cara de espanto
Do teu riso e teu cantar?

Consegues lembrar tudo isto
Mas não consegues gritar
Que só pode ter liberdade
Quem em seu nome lutar.

Manuel F, C, Almeida


sábado, fevereiro 13, 2010


















E nas nuvens que teimam em fugir
Eu vejo o teu sorrir
No encontro de amanhã
O teu cheiro, que paira sobre mim
É o cheiro de um jardim
Que visito pela manhã
E sentado eu agradeço à vida
Toda a beleza vivida
NAs telas que criei
E a pele, tão fresca e tão pura
Tão cheia com ternura
No corpo que inventei
E o tempo, o tempo que nada diz
Que é só pedra de giz
Que teima em não parar
Dá-me o sonho, deixa-me ser senhor
Ser todo o teu calor
Num mundo para cantar
E eu revejo, o sol no teu olhar
Na tua boca o mar,
Nesse teu corpo o… céu
Fecho os olhos, procuro no meu ser
O melhor que posso ter
Para melhor ser teu
E a brisa da nova madrugada
Desenha uma alvorada
E tu vens a chegar
De repente e por um breve instante
Tu és um diamante
Pedra por lapidar
E então tudo desaparece
É o mundo que acontece
Se descobre ao beijar
Finalmente eu vou ganhar coragem
Para partir em viajem
Eu sei onde parar
Vou parar nas bermas no teu ser
E ai eu vou dizer
Tu és meu cantar.


Manuel F. C. Almeida


quarta-feira, fevereiro 10, 2010












Somos produto do acaso
Vencedores de uma corrida
Só a morte nos liberta
Da ilusão que é a vida

Actores de algumas memórias
Que vivem em que nos amou
Saudades, risos, histórias
Espaços que o corpo ocupou

Átomos, moléculas, partículas
Animadas em segredo
Em nada diferentes de um rio
Que morre sem nunca ter medo

Manuel F, C, Almeida


domingo, fevereiro 07, 2010



















Descubro as folhas caídas
Em florestas perdidas
De amores naufragados.
E entre os meus dedos
Escorrem os segredos
Dos dias adiados.
E no pensamento
Beijo as memórias
De amores enterrados.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 03, 2010













Ao alto
Eu ergo esta mão.
Martelo, aço, bigorna.
Espada triste,
Espada morna
Que corta o teu corpo
Em pedaços.
No retorcer dos desejos,
Na explosão dos
Abraços.

Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 30, 2010


















Só as notas mágicas
De um piano a descobrir
Me fazem descerrar
As flores de Abril,
No labirinto das sílabas
Que um dia foram
Verdade
Recordo as caras
Amigas com cores de
Liberdade
E neste jardim
Onde estou
Nesta terra sem encantos
Levanto bem alta
A saudade
Das notas daquele piano
Que gritavam
Liberdade

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, janeiro 25, 2010



















Viajo no tempo
Levado pelas asas
Que a vida me deu,
E de minuto em minuto,
De pétala em pétala
Recordo o sonho
Que nunca morreu

Ter o meu corpo
Colado ao teu

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, janeiro 21, 2010



















Assim, como sou,
Questionando sempre
O teu olhar
Que por vezes se perde
Em caminhos de encantos
Perdidos.
Assim, como sou,
Reinvento-me sempre,
Primavera que se interroga
Sobre que sentidos
Segue o teu
Olhar.
Assim, como sou,
Pronto para te resgatar

Manuel F. C. Almeida



domingo, janeiro 17, 2010















Há janela namorava
O mar
Aquela imensidão de vida,
Em silêncio
Namorava.
Até descobrir um dia
Que o meu coração
Lá morava.
E não existia horizonte
Nem quartos para dormir
Tudo aquilo era o meu ser
Que se dava a descobrir
Só então entendi
O sabor dos dias a sal.
Porque gosto do azul
Porque gosto do coral
E numa brisa mais fresca
Num poema intemporal
Descobri que a minha vida
Não vale nada afinal.

Manuel F.C. Almeida


foto SAGHER

quinta-feira, janeiro 14, 2010



















Caminhos,
Tenho tantos percorridos.
Tantas paisagens na alma
Que já nem todas bem recordo.
Ficaram os cheiros,
A suavidade dos corpos,
O veludo táctil da pele,
Os sabores colhidos nas paisagens
E esta inquietude que me impele
Ao encontro do futuro

Manuel F.C. Almeida


segunda-feira, janeiro 11, 2010














fotoolhares.aeiou.pt/sagher

Há o passado e o presente
O que foi e o que é
Há um futuro ausente
Em frente de cada pé
Há um sonho de vento
Em asas que querem voar
Há um tempo em que o tempo
Mais parece não andar
O que fui e já não sou
O que virá ao andar
São coisas que um vento levou
E acções do meu cantar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, janeiro 08, 2010














fotoSAGHER

Há nas nuvens que passam
Notas de piano perdido,
Uma porta que se abre.

E as notas caem como
Estrelas de magia
E a vida rejubila
Numa infindável orgia.

Na melancolia invernal
É onde nasce a alegria.

Manuel F.C. Almeida