domingo, novembro 01, 2009













Percorri vales e montes,
Campos pintados de cores.
E as faces que sempre encontrei
Vinham carregadas de flores
Eram rosas, eram lírios
Eram orquídeas selvagens
Eram mosaicos pintados
Faces nas minhas viagens
Percorri então o mundo
Com as cores do coração
E um dia quando parei
Eu tinha o mundo na mão
Tinha visto tanta coisa
Tanto lugar encantado
Tanta dor e tanta luta
Tanto homem destroçado
Só faltava olhar para mim
Revisitar o meu ser
Pintar a alma que um dia
Eu quase deixei esquecer.



Mnuel F.C. Almeida



fotoLuis Azevedo

quinta-feira, outubro 29, 2009

















Os meus versos nascem
Dos meus olhos
Da luz que os ilumina
Toda a hora

Do espanto que se descobre
Quando a vida se
Desflora.

Manuel F.C. Almeida

fotoXanadu

segunda-feira, outubro 26, 2009















Negam-te o tempo e a vida
A luz e o respirar
Negam-te o direito a sentir
O abraço do luar
Negam-te todo o direito
Que te foi dado ao nascer
O direito a ser feliz
A fragrância de viver.
Negam-te até o direito
à dignidade ao morrer.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 23, 2009














Sexo aberto,
Sexo flor
Murcham as pétalas
Vai-se o amor.
Esconde-se o tédio
No coração
Dia após dia
Vai-se o tesão.
Fica o silêncio
Reflexo alheio
Colam-se os lábios
A um outro seio
E tudo repete
O primeiro verso
Sexo flor
Aberto em reverso.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, outubro 20, 2009












Eu quero ser o teu sonho presente
O berço do teu horizonte
A madrugada dos teus dias
A água da tua fonte

Quero ser o ninho onde adormeces
O lençol do teu sonhar
A luz onde te aqueces
O ar do teu respirar

Quero ser parte da tua volúpia
A tua luxúria sem nexo
A convulsão do teu corpo
No prazer do nosso sexo.

Manuel F.C. Almeida


foto: bricehardelin

sábado, outubro 17, 2009















Sinto-me só nos olhares
Estranhos da multidão
Sinto-me só na estrada
Em contramão
Sinto-me só nos ponteiros
Imóveis do tempo
Sinto-me só nas frescas
Brisas do vento
Sinto-me só á noite
Quando adormeço
E mais só ainda
Se um beijo te peço.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 14, 2009


















Singela prece
Que me descobres
Na teia dos dedos
Entrelaçados.
Inflama-me a face
Pintada na água
Da cor da alma
Que nunca vi.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, outubro 12, 2009



A CRÍTICA COMO MOTOR DA HISTÓRIA
MUITO RARAMENTE COLOQUEI AQUI TEXTOS SOBRE A POLITICA NACIONAL E SOBRE OS PARTIDOS POLITICOS, MAS DESTA VEZ NÃO POSSO DEIXAR DE REFLECTIR SOBRE AS REALIDADES MUNDANAS.
Beja, Sines, Marinha Grande, Vila Viçosa e Aljustrel. Cinco municípios emblemáticos para as cores do PCP. Em Beja nunca as diferentes coligações do PCP tinham perdido a direcção da câmara municipal. Aljustrel, terra de mineiros, de luta e de resistência, onde a CDU ganhou as legislativas agora caiu nas mãos do PS. Uma vitória do ex-ministro Manuel Pinho ou uma derrota do mau trabalho feito depois da saída de José Godinho?
A verdade é que a perca de 400 votos em relação a 2005 ditou que um bastião do operariado português tenha caído nas mãos de populistas e demagogos que o PS tem arregimentado a troco de lugares e benesses em organismos tutelados pela administração central. Mas só isto e a deslocação do voto útil do PPD/PSD para o PS não chegam para explicar a hecatombe da CDU e do PCP no distrito de Beja.
Desde há anos que afirmo ser a organização do PCP de Beja caracterizada pela tomada do poder, internamente no partido, pelos funcionários. Gente sem qualquer ligação às realidades locais que são enviados para os concelhos com orientações que visam apenas e só dar resposta ás suas visões sobre a realidade, incapazes de fazer qualquer tipo de autocrítica, unicamente interessados em procurar colunáveis concelhios. Gente com afirmação académica em nada ligados ao partido ou ao ideário comunista antes e só gente pragmática capaz de saltar de partido na primeira vez que lhes acenem com poder ou lugar distinto. Assim caiu Beja nas mãos de quem há muitos anos andou de braço dado com a DORB, assim têm caído outras câmaras por todo o lado. A intransigência da direcção do PCP em fazer a tão necessária autocrítica, e uma análise dialéctica das coisas tem colocado fora do partido centenas de militantes por processos enviusados e pouco claros e ao mesmo tempo tem promovido localmente gente que à primeira contrariedade não se inibe em virar costas ao partido e procurar safar a vidinha por outro lado. Tudo isto o PS agradece. Com lugares para distribuir nas mais diversas áreas da administração central, estende os seus tentáculos a toda a sociedade portuguesa.
No fundo a vitória do PS nas zonas de influência histórica do PCP deve-se exclusivamente ao facto do PCP ter hipotecado a sua vertente Marxista e ter cedido ás teses defendidas pelos funcionários. Alguns deles poderiam estar num outro qualquer partido. As suas práticas nas células onde estão colocados, há muito que deixaram de ser
Dignas de comunistas, e a análise que as populações fazem dos seus comportamentos e das suas actuações resultam em derrotas eleitorais que só a visão distorcida desses mesmos funcionários procura transformar em vitórias.
Num momento particularmente difícil para o PCP com a queda de 3 autarquias marcadamente operárias como são os casos de Sines, Aljustrel e Marinha Grande, aliado à queda da capital do Baixo Alentejo, Beja, julgo ser tempo do partido ouvir todos os militantes, debruçar-se sobre as razões que levaram a isso e tirar conclusões. Mas conclusões que não estejam marcadas pelos vícios dos responsáveis por estes recuos.
É tempo do PCP honrar a sua génese marxista.
Como curiosidade vejam-se o numero de eleitos locais eleitos nas listas do PS e PSD que em tempos militavam ou davam o seu contributo ao PCP e à CDU.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 11, 2009















Quantos meses se perderam no olhar?
O tempo no seu movimento
Teima em nunca parar.

E longe das multidões, dentro de mim escondido
Teimo em me procurar
De um tempo em que sou foragido.

Fujo de mim, do passado
Mais por hábito que por gosto
Sou ave de arribação, sou filho de todo o lado.

E faço a viagem sózinho
Com gente que me rodeia
Mas ninguém me ouve andar, é só meu este caminho.

Cruzo vales e montanhas
Riachos, ribeiras e rios,
Faces de que me recordo mas sempre faces estranhas

E quando regresso ao meu cais
E agarro as minhas memórias
O tempo tratou de fazer todas as horas iguais.

Manuel F. C. Almeida


foto: SAGHER

quinta-feira, outubro 08, 2009

















A primavera abria-se
Em mil vitrais coloridos.
Sentado num jardim
Eu escutava o riso
Cadenciado das crianças.
E sonhava
Com o doce sabor
Do teu corpo,
No tempo em que
O teu corpo
Se descobria no meu
E nos perdíamos por
Entre as giestas
E o alecrim do ventre.
Agora o Outono
Levou o riso das
Crianças e dissipou
O encantamento dos
Corpos.
As giestas e o alecrim
Já se apresentam sem
Vida…secos pelo calor
De um verão tórrido
Demais.

Manuel F. C. Almeida


foto Maria Salvador

terça-feira, outubro 06, 2009
















Cada dia que olho as estrelas
Na sua vida milenar, entendo um pouco
Mais o pó
E a vacuidade da existência.
Lá longe, tão longe que os meus olhos
Não conseguem ver o presente,
Milhares de pontos dançam e pulsam
Como se fossem pequenas velas
Plantadas ali
Pela mão dos homens.
E na escuridão que me toma a alma
Só essas pequenas velas
Me fazem sentir vivo
E recordar que a terra que piso
(e também eu)
É apenas parte de um todo
A que chamo universo.

Manuel F.C. Almeida

sábado, outubro 03, 2009














Se um dia descobrir o
Nome das coisas
Terei encontrado o berço
Do mundo.
Esconde-se onde as palavras
Nasceram e se ouviram
Pela primeira vez.
Algures, num universo
Orgânico e silencioso
Repousa o real sentido
Dos conceitos convencionados.
Nesse lugar tudo é
Como é
Tudo se descobre na nudez
De um universo que se existe
Sem se incomodar como o pensam.
Nesse lugar tudo “é” apenas o que "é"
E não como a razão o pensa.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 30, 2009

















Encontro
Desencontro
Encanto
Desencanto

E em tudo o mais
Apenas um tempo
Bordado de ilusões
E iluminado
Pela vaidade
Humana.

Manuel F.C. Almeida

domingo, setembro 27, 2009












Já me fartam os lusíadas
De monstros epicos
E cantos nacionalistas

Gosto mais dos lábios
pintados das coristas.

Manuel F. C. Almeida


foto Luiz Alvim

quinta-feira, setembro 24, 2009






Conselhos a um
jovem poeta





Paneleiro.
Punheteiro.
Mineteiro.
Palavras que não deves usar.

Brochistas
Fodilhões
Colhões
São todas para evitar.

Caralhos
Tetas
Gretas
São difíceis de rimar

Resta-te pois
Adocicar o verbo
Com o lirismo imaginário
De um vate
Não ordinário

Porque Bocage
Só se admitiu
Porque o povinho
Gostou dele...
E sorriu

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, setembro 21, 2009



A joão de César Monteiro



(Que morreu a 3 de Fevereiro de 2003)









A pátria dita, cantada
A pátria inventada

Uma bandeira, ilusão
A bandeira, divisão

Um hino, gritado no vento
Orgulho, partilha, excremento

Uma língua, cultura que se herda
É tudo história, é tudo merda.


Manuel F C. Almeida

sexta-feira, setembro 18, 2009



















Em mim, há uma mão
Misteriosa e distante
Que parece indicar
O caminho certo;
O caminho que não conhece
Fronteiras ou a cor da
Minha alma.

O caminho que não conhece
A verdade ou as palavras
Escondidas e impuras.

Em mim há uma mão
Que não sente o sopro
Do vento
Nem a corrente fria
Das águas
Que deslizam no
Pensamento.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, setembro 15, 2009













Inconsequente procura
Das palavras .
Cíclica rotina
Das lavras.
O teu corpo em suor
O cavas
O sexo institivo
Lavas
Na impassível moral
Das larvas
E da merda de vida
Que escavas.

Não escapas.

Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 12, 2009













A morte dos homens
É espera, terror,
Angustia antecipada.
Temor,
Da presença perdida...
Nos homens, a morte
É a consciencia da vida.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, setembro 10, 2009


















Na primavera beijei
Um caminho novo
Com alegria gritei
-não vão mais calar o povo
Mas o céu limpo de Abril
Depressa escureceu
E o grito juvenil
Calou-se e um dia morreu.

Manuel F.C. Almeida