terça-feira, março 10, 2009





foto:Daniel Oliveira







E se os lábios percorrem
As avenidas do teu corpo
Só param no florir
Da maré.


Manuel F. C. Almeida


domingo, março 08, 2009





foto:DDiArte










Em silêncio
Liberta-se o olhar
Do desejo,
Ergue-se um altar
Aos corpos
E aguarda-se
Pelo renovar
Da primavera.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 06, 2009








foto: Paulo Silva









Tomar-te a
Boca
Na língua
E a vida
Nos lábios
Em flor.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 04, 2009






foto: Marta Ferreira - www.mfotografia.com




A pele contra pele
Suaviza
A vontade

E o ventre em
Fogo
Celebra a saudade…
De nós.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 02, 2009




foto http://www.paulocesar.eu%20-%20paulo%20cesar/






Caí em mim.
Na sedução da penumbra
A silhueta move-se
Numa dança natural.
E o meu corpo,
Numa lascívia antecipação,
Espera o encontro
Com o universo do desejo.




Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 28, 2009








foto Valter Okumoto





Soltas no vento, as folhas dançam
Ao sabor dos dias de invernia
E em teus olhos as aves cantam
Canções passadas, melancolia

Não trazes flores presas no olhar
E nas mãos dissolves o ocaso
Teus lábios recordam a cantar
Aquele amor vivido por acaso

Pudesse eu esquecer o teu sabor
Seria livre, e não um escravo
Das memórias vivas, teu amor
Dos mil odores, rubro cravo



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 26, 2009







foto:SAGHER

Os olhos. Sim
Os olhos de quem
Me escreveu
São olhos
Que me contam
Os segredos de um Outono
De folhas caídas,
De gotas que
Vivem nas teias
Da madrugada
E se escondem na
Dança obscena
Do ventre.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 24, 2009












foto:nuri






Perco a face
Nos limites da memória
E se as mãos
Se encontram
No respirar do ventre
Só o teu olhar
Me liberta
Do esquecimento.
Manuel F. C. Almeida

domingo, fevereiro 22, 2009






foto: SEVEN







E nos teus seios
A marca
Dos beijos
Celebra
O nosso prazer.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 20, 2009





OS DEDOS




foto:angelica







Ao meu olhar,
Os teus dedos
São flechas
Hábeis
Nos jogos
Imperceptíveis
Do prazer.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 18, 2009





Memórias







foto by:Leigi Lopes





O Outono desce do seu indeciso temperamento.
As folhas, feridas de morte, esqueceram
O sol, e o cantar irritante das aves.
Agora tudo parece ser um imenso teatro
De castanhos e amarelos em desuso.
Foram-se as belas borboletas e as andorinhas,
Foram-se as areias da praia e os corpos ao sol.
É o tempo em que as crisálidas se preparam para
A sua longa reclusão. É tempo de esperar pelo tempo.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 16, 2009


A maria_arvore lançou-me, traiçoeiramente, um desafio, digo nove coisas sobre mim e três - como não podia deixar de ser - são mentira.
Adivinhem quais:
1) Nunca não tentei tangear gajas para sexo anall.
2) Quando olho para uma gaja, tiro-lhe sempre a medida aos lábios.
3) Gosto de apalpar mamas não descaídas. O tamanho não importa.
4) Costumava apalpar as amigas das gajas com quem andava, nos restaurantes, cafés, enfim onde calhasse.
5) Nunca contabilizei as parceiras com quem fiz sexo
6) Já dormi em quartos com gajas sem lhes dar o prazer de ter sexo comigo e não eram familiares.
7) A minha posição preferida é … uma qualquer.
8) Nunca me fizeram sexo oral numa biblioteca
9) Não gosto de foder gajas carecas (de crica rapada)

Agora os nomeados:
Bloguite
Avesso do Avesso do Avesso...
Moura ao Luar
Amêndoa Amarga
Maluca Responsável
xanax
VAN FILOSOFIA!Van Filosofia
não compreendo as mulheres
http://cabradeservico.blogspot.com/

agora vamos ver













PORNO SATIRICA

FOTO:Daniel Oliveira


Mariana, brincalhona
Danada prá brincadeira
Adorava dar à cona
E rapar a pintelheira

No broche era rainha
E de nalguinhas pró ar
Dava o cú e a coninha
A quem a quisesse papar

As mamas, dois marmelos
Do melhor que há pra colher
Dava vontade come-los
E no meio deles foder

A cara ainda menina
Era um quadro pra beijar
Mas a falsa pequenina
Muito adorava mamar

Tinha nascido com ela
A arte de dar ao corpinho
Era da natureza dela
Não dar descanso ao coninho.

Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 14, 2009





foto: PauloVieira galeria de Nu












Beijei o tempo,
A memória,
O ser.
Cantei o amor,
A imagem,
O querer.
E foi assim
Que o luar de abriu
E o teu corpo
Sorriu.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 12, 2009






PENUMBRA


foto:Ed Ferreira



Na pele a
Língua encontra
A seda. Como
Uma nuvem branca
Entre os lábios,
Desenha a
Penumbra
Doce
Do teu cálice.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 10, 2009












foto: Ricardo Jorge Miguel Soares





Desejo ser
Um arco-íris
Num céu cinzento,
Sobre a esperança
Que ontem deixei
Presa na vida.
Sorriso envergonhado
A olhar o passado
Que um dia vivi.

Manuel F. C. Almeida

domingo, fevereiro 08, 2009











foto:jose ferreira

A noite
Esconde a nu
A raiz do medo.
Só na madrugada
Te descreves
Viva.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 06, 2009






foto:Sara Sa







Há sempre um dia
Em que os espelhos
Se quebram.
Só então se descobre
Que o amor
Significa verdade
Que as imagens baças
Também podem ser
Transparentes.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 04, 2009


















Na chama que anima
Todo o meu ver,
Vive o passado
Do meu viver.
Teu corpo entesado,
Meu malmequer.
Doce pecado
Para me perder.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 02, 2009













Por todo o mundo são milhares os que nos dias de hoje perdem os seus empregos, os seu haveres e por vezes até a vontade de “ser”. A crise dos mercados financeiros e dos especuladores arrasta consigo milhões de pessoas anónimas e que a única culpa que têm é acreditar nos que lhes sugam o sangue, a alma e a vida. África é um continente nas mãos dos interesses das multinacionais do hemisfério norte. Os seus governantes, corruptos como os antigos colonizadores, têm mantido os seus povos na maior das misérias humanas, culturais e materiais. Na Ásia os povos são escravizados pelos detentores do poder através da repressão e de uma cultura milenar que faz deles escravos do estado e do patronato. A América latina, dominada em parte por fantoches do ocidente e por populistas sedentos de poder, vê manterem-se as condições de desigualdade que caracterizam a sua existência desde há séculos. Na Europa de leste um sistema capitalista de estado deu lugar a um sistema de corrupção e capitalismo selvagem como não há memória. A mão-de-obra, alguma altamente qualificada, é desvalorizada, os nacionalismos voltaram a florescer e os povos são cada dia que passa mais infelizes. Na Europa e na América do Norte o processo de empobrecimento generalizado cria cada vez mais um enorme exército de gente sem vida, sem esperança e sem futuro, nesta sociedade. Um exército sem comandante e sem rumo. Um exército de desesperados, que mais tarde ou mais cedo vai explodir.
Os governos, braços políticos do poder económico, consertaram entre si o mais odioso processo de escravização humana. A globalização.
Apontada como a arma para combater as desigualdades do mundo em matéria de produção de riqueza e de desenvolvimento e implementada de forma quase imediato, serviu apenas para que as empresas do ocidente se deslocalizassem para os locais do planeta onde a mão-de-obra era mais barata e as obrigações sociais não existissem, desta forma o sonho capitalista de dominar o planeta á escala mundial e de fazer circular pelo mundo grandes massas financeiras como, quando e para onde lhes apetecesse foi finalmente atingido.
Simultaneamente o processo de destruição do ensino teve lugar. Aos jovens não se lhes pede para pensar. Antes são confrontados com a necessidade de se sentirem parte de algo, uma formiga no carreiro, como diria José Afonso, o direito ao prazer e ao lazer foi pervertido. Disciplinas como filosofia, história ou literatura foram estruturadas no sentido de criar gente amorfa e sem desejo ou capacidade de pensar. O mundo dos conteúdos facilmente obtidos, caiu de para quedas com a internet. Os governos promovem retrocessos civilizacionais em nome de um progresso que não acontece e que nunca foi explicado.
O sistema cria a mistificação da democracia, uma mistificação que assenta em pressupostos altamente falaciosos e profundamente desonestos. A eleição de fantoches como Lula da silva, é o exemplo acabado desta mistificação. Chegado ao poder, o ex sindicalista torna-se num aríete contra os que o elegeram. O poder económico cobra-lhe o facto de o ter apoiado. A esperança colocada em Obama, não irá ser mais que isso. Esperança.
Por todo o mundo o silêncio dos que deveriam e podem denunciar este estado de coisas é ensurdecedor. Magoa. Dói.
Tudo está em sintonia. Milhões serão sacrificados nas fogueiras desta crise. Mas serão sempre os filhos de outros milhões que o já foram no passado.
A urgência de uma alternativa a este sistema é uma necessidade histórica. Criar algo de novo exige rupturas. Um mundo diferente, onde o “ser” volte a ter direito e lugar a existir. Desiludam-se os reformistas, os pacifistas os colaboracionistas. Não vai ser uma “revolução vermelha” ou “azul”. Terá de ser uma coisa sem nome. Ou antes e só apenas um salto da civilização. Isto nunca aconteceu de forma pacífica, ou gradual. Quando surge, é como uma lava, que tudo destrói no seu caminho. Sem que fique algo do passado. A necessidade de destruir os alicerces desta civilização é cada vez mais premente. E o tal exército espreita uma oportunidade. Em cada dia que passa as suas fileiras são engrossadas. As castas mais ricas da sociedade vivem em condomínios dourados, fechados nas suas fortalezas, acham que nada nem ninguém lhes poderá tocar. Blindados em leis que eles mesmos promovem, julgam-se a salvo das marés. Mas nada está a salvo do desespero.
Um dia, não sei quando, mas um dia, a quadra de António Aleixo será uma realidade:

Vós que lá do vosso Império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um Mundo novo a sério.
quadra de António Aleixo.
texto de Manuel F. C. Almeida