quarta-feira, junho 25, 2008



RESOLUÇÃO

FOTO BY:grENDel

Há flores que foram corpos
E foram terra foram montes.
Há flores que foram rios
Há flores que foram fontes…

Mas sempre que um vento agita
As suas pétalas de cor
Há sempre um homem que fita
O fim eterno da dor
E a flor será caminho
O homem cinza de terra
Irmãos feitos no trilho
Neste mistério de guerra

Numa centelha de tempo
Na eternidade das estrelas
A vida é só um momento,
Simple flor feita de velas.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, junho 23, 2008












FILHO






O meu sonho?
És tu o meu sonho.
Tu és toda vida;
Um tempo novo
Que se precipita
Sobre mim
E me transporta
Nas asas de Ícaro.
E
Se voares alto
filho
Tem cuidado com o sol
O deslumbramento pode
Quebrar-te as asas.



Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, junho 20, 2008






Meu mundo







Procuro viver, cultivando arte
Na vida que eu sempre desenhei
Num mundo com que sonhei
Situado entre Vénus e Marte

Vivo o que quero, de mim orgulhoso
Semeio em redor oásis de cores
Recordo a doçura de tantos amores
De mãos partilhadas, de noites de gozo

E assim construí este meu universo
De olhares que encontrei e que perdi

E que agora canto em cada verso
Em memória de tudo o que vivi.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, junho 16, 2008





DESPERTAR




FOTO BY:luis azevedo







Foi num sonho
Algures no centro da alma

Caminhavas lentamente
De encontro ao sol

As tuas mãos vertiam
As cores do arco-íris

E os teus olhos, os teus olhos
Sabiam a mar...

Foi num sonho
A despertar.


Manuel F.C. Almeida

sábado, junho 14, 2008






Pétala



foto by:bernardo coelho







Floresta viva
Despida e nua
Tua sombra esquiva
Teu sexo…
Semente crua.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, junho 12, 2008





Memória


foto by:Helder Vasconcelos




Nada mais resta que recordar,
Se o tempo existir,
O assomo de uma face, um olhar
No momento de quase partir.
Um espaço para ocupar
Num corpo a resistir.
E a memória que teima em ficar
De um corpo de deusa a sorrir.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, junho 10, 2008








A CAMÕES










Sou tão pequeno aos teus pés
de gigante
Que nem me atrevo a nomear

o teu nome.

Manuel F. C. Almeida

domingo, junho 08, 2008



Faina















Areia, sol!
Ao longe o mar;
Tua boca anzol
Teu corpo…
Meu pescar.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 06, 2008






Dança das estrelas




foto by:Nuno Belo


Já tarde, recolhemos o olhar
Sem palavras
E libertámos os corpos,
Numa dança tão imortal
Como a vida,
Iluminando as estrelas
E libertando o sonho.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, junho 04, 2008






ACONTECER



FOTO BY:bernardo coelho







No espasmo
Corporal
De um orgasmo
Infernal
O teu corpo de fera
Rugiu
Na minha mão.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, junho 02, 2008





Alquimia




foto by:Tuta







Foi com estas mãos
que percorri
Os secretos caminhos
do teu perfume
Foi com elas que agarrei
a tua alma
E toquei a crisálida
em formação.
Agora, qual alquimista
Do amor,
Faço dos meus dias
A descoberta
Dos segredos que o teu
Corpo esconde.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 31, 2008



Tudo


















Eu creio que tudo existe…
Em nós.
Somos então o produto material
Que nomeia e se materializa em si mesmo
Tudo o que existe é passível
De existir como mera possibilidade verbal
Nada há para lá do verbo
Sem ele a existência era inócua
Um enorme conjunto vazio
Mera probabilidade de uma matemática
Cósmica inexistente.
O homem é o todo universal
Revelado.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 27, 2008








TEMPESTADE











Evocar os deuses quando chove
É mais que um exercício de temor
É recordar a inocência que se move
Um eco da memória, medo, dor

De um tempo sem ciência ou explicação
De um tempo de crenças e de magia
De um tempo em que a inocência da razão
Explicava o mundo dia a dia .



Manuel F. C. Almeida






RESUMO

foto by:Nuno Manuel Baptista

Não faço promessas vãs, quando te amo.
Faço do meu amor só um poema
De rimas e estrofes enviesadas,
Um estranho e complicado teorema
Que se descobre no ar quando te chamo.

Mas creio que tudo se pode resumir
Num poema feito beijo
Que em nós dois se vai abrir.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 25, 2008






VIDA



Foto: DDiArte







Do tempo fiz meu aliado
Nesta batalha da vida
Mas dela estou alheado
E sinto-a quase perdida

Mantenho a face no ar
A esperança no vencer
Tenho a vida no olhar
Do nascer até morrer.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 23, 2008











A F. Pessoa

Num só corpo conviveram
Varias figuras de gente
E todas elas escreveram
Aquilo que a gente sente

Engenheiro ou pastor
De todas as artes sabias
Visionário, pregador
Sobre tudo tu escrevias.

Teu filosófico saber,
Vivência da tua paixão
Deixou no nosso viver
O melhor desta nação.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, maio 21, 2008















ilusão

foto : Emanuel Oliveira

Eu queria ver o meu pensar
Explicar o que não entendo
Quais as razões de não voar
Quais os motivos porque me prendo

Explorar nele os meus segredos
Olhar-me ao espelho da verdade
Apartar de mim os meus degredos
Abraçar em mim a liberdade.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 19, 2008

















A Florbela


Desenhavas sonetos no olhar
E sentimentos nas palavras
Teus olhos, de tanto chorar
Nunca paravam onde estavas

Teus amores e desencantos
Teus homens, tuas paixões
Trouxeram-te horas de prantos
Engalanaram tuas canções

Mas tanta dor e sofrimento
Tanta genealidade vivida
Terminaram no momento
Em que te subtraíste à vida.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 17, 2008







guitarras








Tocam livres as guitarras
Acordes do meu país.
No seu canto de cigarras
Soltam gemidos, amarras
Dum tempo que não conheci.
Desfraldam notas aos ventos
Num vento feito saudade
Seus acordes são tormentos,
Seus gemidos são momentos
Num abraço de vontade.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 15, 2008





Viuva













Naquela face escura de tristeza
Descobri um livro sem memória
Paginas e paginas de história
Folhas e folhas de beleza

O mar ao fundo que se agitava
Avivava o recordar de lugares
E da angustia vivida em mil lares
Saltava uma pérola que rolava

Da face escura e já sulcada
Pelas lágrimas vertidas junto ao mar.
A mulher olhava o mundo e a chorar
A face do seu homem recordava.

Manuel F. C. Almeida