domingo, maio 25, 2008






VIDA



Foto: DDiArte







Do tempo fiz meu aliado
Nesta batalha da vida
Mas dela estou alheado
E sinto-a quase perdida

Mantenho a face no ar
A esperança no vencer
Tenho a vida no olhar
Do nascer até morrer.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 23, 2008











A F. Pessoa

Num só corpo conviveram
Varias figuras de gente
E todas elas escreveram
Aquilo que a gente sente

Engenheiro ou pastor
De todas as artes sabias
Visionário, pregador
Sobre tudo tu escrevias.

Teu filosófico saber,
Vivência da tua paixão
Deixou no nosso viver
O melhor desta nação.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, maio 21, 2008















ilusão

foto : Emanuel Oliveira

Eu queria ver o meu pensar
Explicar o que não entendo
Quais as razões de não voar
Quais os motivos porque me prendo

Explorar nele os meus segredos
Olhar-me ao espelho da verdade
Apartar de mim os meus degredos
Abraçar em mim a liberdade.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 19, 2008

















A Florbela


Desenhavas sonetos no olhar
E sentimentos nas palavras
Teus olhos, de tanto chorar
Nunca paravam onde estavas

Teus amores e desencantos
Teus homens, tuas paixões
Trouxeram-te horas de prantos
Engalanaram tuas canções

Mas tanta dor e sofrimento
Tanta genealidade vivida
Terminaram no momento
Em que te subtraíste à vida.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 17, 2008







guitarras








Tocam livres as guitarras
Acordes do meu país.
No seu canto de cigarras
Soltam gemidos, amarras
Dum tempo que não conheci.
Desfraldam notas aos ventos
Num vento feito saudade
Seus acordes são tormentos,
Seus gemidos são momentos
Num abraço de vontade.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 15, 2008





Viuva













Naquela face escura de tristeza
Descobri um livro sem memória
Paginas e paginas de história
Folhas e folhas de beleza

O mar ao fundo que se agitava
Avivava o recordar de lugares
E da angustia vivida em mil lares
Saltava uma pérola que rolava

Da face escura e já sulcada
Pelas lágrimas vertidas junto ao mar.
A mulher olhava o mundo e a chorar
A face do seu homem recordava.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 13, 2008


POR UM DIA
ETERNAMENTE


Meu corpo á beira-rio
Abandonado
Descansa no orvalho
Docemente
E no perfume do sonho
Libertado
Dois corpos que flutuam
Livremente
No encontro de um momento
Esmagado
Pelo amor de um dia…
Eternamente.


Manuel F.C. Almeida

domingo, maio 11, 2008



MISTERIO

FOTO
VanessaDesigner

É rápido o esquecimento,
Da cor que os dias nos dão,
Dos truques do pensamento,
Do bater do coração...
Mas tão difícil é esquecer
Um corpo visto ao luar
Na hora do entardecer
Quando o mistério do ser
Se resolve num olhar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, maio 09, 2008

MAS QUE BELA PRENDA DE ANOS

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quinta-feira, maio 08, 2008






Corcel






Naquela tarde cavalguei as ondas
E desfiz-me em espuma
No teu ventre…


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 06, 2008





memories



Foto de Manuel Gonçalves





Escondo a face com
A nudez das mãos.
Percorro mentalmente
O tempo que um dia
Me deixou nu face aos
Elementos.
O meu corpo, refém
Da memória
Já me não pertence.
Tudo é apenas tempo
Tudo é somente
Alvorada.


Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 04, 2008







Ilusão



foto by:Marcos Sobral Nudes & Fashion






Não se diga que não tentei.
A verdade incompreendida do
Entardecer escondeu sempre
A face real da dor.
Um fragmento do espaço liberta-se
Em cada olhar incontido e nele
Revivemos a alegre inocência
Dos adolescentes apaixonados.
Mas o cheiro das acácias
E o sabor almiscarado do teu corpo
Mascaram a ilusória passagem
Temporal
E em cada investida que faço
É o jovem que fui
A falar presente.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 02, 2008




Plágio











E tudo o que escrevo é plágio. Exaltação
dos sentidos, repetida como um grito que
se perpetua nas margens do tempo
empurrado pela unicidade do som, e
pelas vozes dos homens que ousaram dizer:
AMO-TE.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 29, 2008



NAUFRAGO:




FOTO BY:DDiArte




Nas palavras que transpiro,
E que carrego nos meus ombros
Deixo que por vezes a solidão
Se solte e se resolva no olhar
Dos outros.
Por vezes acordo do sonho
Numa ária nocturna com cheiro
De oceano.
Sou só um náufrago perdido
Na tempestade das palavras.

Manuel F. C. Almeida

domingo, abril 27, 2008






BLUE





FOTO: antonio louro







Dá-me a tua mão, que eu levo-te ao mundo
Nos dias de verão, teu sonho profundo
Feito de mil cores, perdidas
Lágrimas roladas, esquecidas
Canto o passado... distante
Num cruel silencio gritante
Canto o teu olhar ausente
No meu sofrido presente
Fomos momentos no vento
Memórias espalhadas no tempo
Dá-me a tua mão, que eu levo-te ao mundo
Nos dias de verão, teu sonho profundo
Guardo em mim a tua beleza
No meu cofre de tristeza
Teimo em me arrastar na vida
Pássaro de asa ferida
Tu foste a deusa encantada
Num sonho vivo, sonhada
Teu nome ........, é minha bênção
É rosa a florir no meu coração.
É o meu farol, meu porto de abrigo
Vás tu onde fores, estás sempre comigo.


Manuel F. C. Almeida




sexta-feira, abril 25, 2008







repetição








Já estragaram a nossa festa, pá
Destruíram nossos sonhos
Desfolharam nossos cravos
Os cravos de pétalas de liberdade.

Sei que há sonhos que não morrem
Mesmo com tanta mentira
Sei que há homens que não vergam
Mesmo quando a esperança
Lhes tiram

Sei também quando é preciso, pá
Resistir, resistir e lutar
Canto Abril, canto o mar
Canto o sonho de igualdade
Canto a minha irmã liberdade
Canto a esperança de ver o povo
Acordar.

E ouvir em todo o mundo
Um novo Abril a gritar.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 23, 2008









IMAGENS





FOTO BY:Caamaño Castro



No corrupio das horas
E dos dias, todo o momento
Parece dolorosamente
Fugidio.
Liberto os meus sentidos
Na placidez das horas e
Despejo nelas a angustia
Dos espelhos intemporais.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 21, 2008
















Levanto ao alto a
Espada justiceira
Das mortes adiadas
Do desemprego e da
Fatalidade económica.

Faço do meu peito
Alvo
E das minhas palavras
Balas contra a
Injustiça divina
Dos senhores do mundo.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, abril 18, 2008

















Fiz-me ao largo na espera
De uma onda que me arrancasse
Ao quadro de uma vida
Sem chama.
Das asas fiz meu sonho
Do vento meu futuro
E no rugir do oceano,
Encontrei o teu olhar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, abril 16, 2008





















Das pátrias nada quero
Senão o sangue dos mil
Homens mortos sem sentido
Nas guerras engalanadas
Por bandeirinhas e hinos...
No altar da honra nacional.

Manuel F.C. Almeida