sexta-feira, fevereiro 08, 2008





JÁ!



FOTO BY:Fernando Figueiredo

Com licença! Com licença!
Tenho pressa em comprar;
O voar de uma gaivota,
Uma flor de encantar,
Um planeta de ar puro,
Um prado pra dormitar,
As areias de uma praia,
Um lugar pra descansar.
Tenho pressa! Tenho pressa!
De um mundo novo criar.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 06, 2008







ilusions
foto by:António Louro


Não tenho sonho maior
Nem ilusão que se compare
Que ver-te contra o luar,
E querer adivinhar-te
Envolta na bruma da noite
Para na noite te amar.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 04, 2008









Maré








Guardo a linha do teu espaço
No jardim do meu olhar
E percorro com as mãos
O mistério que te trouxe à orla

Do meu amar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, fevereiro 02, 2008



Pensar-te









foto by:Amanda Com



Da escuridão da alma
Que posso dizer?
Sente-se em cada interrogação
Do olhar
E entre o vai e vem
Do desejo
Liberta-se a luxúria
Do pensar.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, janeiro 31, 2008







Abrigo







Foto by:grENDel



Vou percorrer na madrugada
O caminho da bruma
E abrigar-me nos teus lábios
Até o sol raiar.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 29, 2008





saudade



foto by:TIAGOXAVIER





Foi no tempo
Perdido,
Em que estavas
Ausente
Que sem nunca te ver,
Sentia
Que eras sempre
Presente.

Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 27, 2008












ANDAMENTO





Não te me mostres
Deixa que te descubra nos
Teus silêncios e segredos.
O amor não se resolve
Em palavras, mas na procura
Dos lábios e no ritmar
Dos corpos enlaçados.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, janeiro 25, 2008






SENSIVEL



FOTO BY:n...o






Teimo em procurar nos dias que passam a chama que um dia me iluminou a alma. Deambulo pelo vazio dos meus dias, convencido que o tempo tem sentido e justiça. Sou aquele que um dia deixou apagar o fogo e que fez dos dias um inferno de gelo. Não me transformei, nem me transmutei. Sou o mesmo que fui, aquele que nunca quis ser o que foi mas que luta por ser o que não é. Suprema contradição esta procura de mim, na fuga que um dia encetei de mim. Ausente, sou uma sombra do meu “eu”. Prisioneiro nesta estatua que criei, há muito que me hipotequei à inevitabilidade do real. Não procuro rios de águas sem cor ou jardins supostamente suspensos, não procuro deuses ou deusas.
Só aspiro à transparência das palavras, e já agora a um olhar desassombrado.

(POEMA em memória do HOMEM desconhecido, ou como se implode a existência)

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 23, 2008



TO LEONARD










Foi como ave num fio que te conheci.
Tentavas ser livre à tua maneira,
E eu escutava a tua voz nascida
Do fundo da alma.
Fui ouvindo a poesia que te brotava
Do peito como fonte. Foi assim que
Contigo aprendi a amar as mulheres
Na madrugada,
A beija-las de forma terna e a apreciar
Os seus cabelos caídos sobre os seios.
Contigo chorei os amores perdidos
E aprendi a lutar pela liberdade,
Com palavras nas mãos,
E o charme nos gestos e no olhar.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, janeiro 21, 2008





AQUI



FOTO BY:Olga










Já não quero fugir deste lugar.
Aqui, cativo do enigma da paixão
Navego as ondas da planície
Que se perdem na linha do olhar,
Angustiosamente repetida.
Aqui, celebro a tempestade
Redentora, a vida renovada
Numa centelha de fogo.
Aqui, encontro o meu caminho
Por entre pedras perdidas
E veredas escondidas
Engalanadas de urze e rosmaninho.


Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 20, 2008


NESTE MUNDO DE TANTA RIQUEZA
AINDA MORREM CRIANÇAS DE FORMA
ABSURDA.
A ISTO SE PODE CHAMAR AS MARAVILHAS
DA DISTRIBUIÇÃO DE RIQUEZA.
E ÀS PROMESSAS DE UM MUNDO MELHOR
DEIXO-VOS UMA DAS MAIS TRISTES NOTICIAS QUE LI NOS ULTIMOS TEMPOS.
Cidade do México, 20 Jan (Lusa) - Uma menina mexicana de 12 anos morreu hoje vítima de uma doença viral contraída na água do rio que diariamente atravessava a nado para poder chegar à escola onde estudava, noticiou a agência EFE.
Magali Cortés foi internada no hospital há cerca de quatro meses, na sequência de convulsões, tendo ficado em coma, com um diagnóstico de encefalite viral e intoxicação por estreptococos.
Os médicos do Hospital de Tepic, no México, consideram que a infecção poderá ter-se devido ao consumo de água contaminada do rio Santa Rosa.
Por falta de uma ponte, cuja construção começou há quatro anos, mas nunca chegou a ser concluída, todos os dias a menina tinha de atravessar a nado o rio que a separava da escola.
Antes de ser internada, Magali Cortés tinha pedido a construção da ponte à prefeitura da cidade onde vivia.
JPB.
Lusa/Fim




CONVITE




FOTO BY:




A Serenidade do olhar
Resolve-se na sensualidade
Do convite à luxúria.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, janeiro 18, 2008


Sentido....Meu

Neste trilho
Do caminho
Que me deixam
Percorrer,
De galáxias
E planetas,
Ora em vida
Ora a morrer,
Transporto almas
Comigo
Que teimam
Comigo em
Viver.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, janeiro 15, 2008














FADO



Na tua voz encantada
O meu nome soa a espanto
Parece gume de espada
Parece grito de pranto
Não digas pois o meu nome
Trata-me antes por amor
Que assim matas-me a fome
Do teu corpo, teu calor
Que assim matas-me a fome
Do teu corpo, teu calor


Prometo levar-te uma rosa
Ao altar do meu olhar
Prometo levar-te uma rosa
Ao altar do meu olhar


Farei poemas e prosa
Pró nosso amor declamar
Farei poemas e prosa
Pró nosso amor declamar

E se voltares a cantar
Com tua voz encantada
E se voltares a cantar
Com tua voz encantada
Pela certa vais encontrar
A minha alma deslumbrada
Pela certa vais encontrar
A minha alma deslumbrada.



Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, janeiro 14, 2008










AO ZECA QUE TANTA FALTA NOS FAZ







Do teu cantar
Fiz meu canto
Do teu sonho
Meu sonhar
Com teu olhar
Fiz meu espanto
Com teu crer
Fiz meu lutar.



Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 12, 2008






CRAVOS

( Aos deputados do P.S.)




Trouxeste um cravo
na mão.
Rubra a face do teu
cravo…
Desculpa, peço
perdão
O que tu trazes
na mão
Não é um cravo
encarnado
Mas um sonho
atraiçoado.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, janeiro 10, 2008



GLOSANDO

DAVID MOURÃO FERREIRA













E por vezes vivemos em enganos
Que nos tomam os dias e os meses
E os braços que em delírio nós tomamos
São máscaras de alegria. E por vezes
Julgamos ter nos outros o que amamos,
Mas o sopro do passado e dos meses
Traz-nos a imagem viva do que achamos
Estar ao nosso lado muitas vezes


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 09, 2008

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terça-feira, janeiro 08, 2008








SOU





foto by: grENDel




Mil marés
Que se renovam
Na rebentação do olhar!
Pedaços do meu viver,
Poemas do meu cantar,
No mistério do meu
Ser.
Manuel F.C. Almeida

domingo, janeiro 06, 2008

















Já Morreu e deixou um conselho aos jovens:

- Vão prá puta que os pariu.

Eras poeta, ensaísta,
Chulo e putanheiro
Mulherengo, paneleiro
De Lisboa eras cronista.

Viveste a vida que querias
De costas para o poder
Nunca vendeste o teu ser
A toda a gente fodias

Livre foste camarada
Até ao dia final
Fica cá a carneirada
Neste triste Portugal

Manuel F. C. Almeida