
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
quinta-feira, junho 28, 2007

quarta-feira, junho 27, 2007
terça-feira, junho 26, 2007

entardecer
foto by:Alberto Viana d'Almeida
Ontem matei o universo.
Extingui o sopro de vida
Que o destino desenha
Na ausência do sonho.
Ontem o sol ao despontar
Mostrou o caminho,
Num andamento
Sem fim, até dormir
E se apagar.
Manuel F.C. Almeida
segunda-feira, junho 25, 2007
domingo, junho 24, 2007

mais uma do sempre atento
António Barreto
in" Público" dia 24 de junho de 2007
( nao me venham dizer que este também é inimigo)
OPA sobre o país
Não. Não se trata do lançamento de mais uma OPA sobre empresa ou clube desportivo. E, simplesmente, a tentativa visível e crescente de o Governo tomar conta, orientar e vigiar. Quer saber tudo sobre todos. Quer controlar. Quando o Governo de Sócrates iniciou as suas funções, percebeu-se imediatamente que a afirmação da autoridade política era uma preocupação prioritária. Depois de anos de hesitação, de adiamentos e de muita demagogia, o novo primeiro-ministro parecia disposto a mudar os hábitos locais. Devo dizer que a intenção não era desagradável. Merecia consideração. A democracia portuguesa necessita de autoridade, sem a qual está condenada. Lentamente, o esforço foi ganhando contornos. Mas, gradualmente também, foi-se percebendo que essa afirmação de autoridade recorria a métodos que muito deixavam a desejar. Sócrates irrita-se facilmente, não gosta de ser contrariado. Ninguém gosta, pois claro, mas há quem não se importe e ache mesmo que seja inevitável. O primeiro-ministro importa-se e pensa que tal pode ser evitado. Quanto mais não seja colocando as pessoas em situação de fragilidade, de receio ou de ameaça. Vale a pena recordar, sumariamente, alguns dos instrumentos utilizados. A lei das chefias da Administração Pública, ditas de “confiança política” e cujos mandatos cessam com novas eleições, foi um gesto fundador. O bilhete de identidade “quase único” foi um sinal revelador. O Governo queria construir, paulatinamente, os mecanismos de controlo e informação. E quis significar à opinião que, nesse propósito, não brincava. A criação de um órgão de coordenação de todas as polícias parecia ser uma medida meramente técnica, mas percebeu-se que não era só isso. A colocação de tal organismo sob a tutela directa do primeiro-ministro veio esclarecer dúvidas. A revisão e reforma do estatuto do jornalista e da Entidade Reguladora para a Comunicação confirmaram um espírito. A exposição pública dos nomes de alguns devedores fiscais inscrevia-se nesta linha de conduta. Os apelos à delação de funcionários ultrapassaram as fronteiras da decência.
O processo disciplinar instaurado contra um professor que terá “desabafado” ou “insultado” o primeiro-ministro mostrou intranquilidade e crispação, o que não é particularmente grave, mas é sobretudo um aviso e, talvez, o primeiro de uma série cujo âmbito se desconhece ainda. A criação, anunciada esta semana, de um ficheiro dos funcionários públicos com cruzamento de todas as informações relativas a esses cidadãos, incluindo pormenores da vida privada dos próprios e dos seus filhos, agrava e concretiza um plano inadmissível de ingerência do Estado na vida dos cidadãos. Finalmente, o processo que Sócrates intentou agora contra um “bloguista” que, há anos, iniciou o episódio dos “diplomas” universitários do primeiro-ministro é mais um passo numa construção que ainda não tem nome. Não se trata de imperícia. Se fosse, já o rumo teria sido corrigido. Não são ventos de loucura. Se fossem, teriam sido como tal denunciados. Nem são caprichos. É uma intenção, é uma estratégia, é um plano minuciosamente preparado e meticulosamente posto em prática. Passo a passo. Com ordem de prioridades. Primeiro os instrumentos, depois as leis, a seguir as medidas práticas, finalmente os gestos. E toda a vida pública será abrangida. Não serão apenas a liberdade individual, os direitos e garantias dos cidadãos ou a liberdade de expressão que são atingidos. Serão também as políticas de toda a espécie, as financeiras e as de investimento, como as da saúde, da educação, administrativas e todas as outras. O que se passou com a Ota é bem significativo. Só o Presidente da República e as sondagens de opinião puseram termo, provisoriamente, note-se, a uma teimosia que se transformara numa pura irracionalidade. No país, já nem se discutem os méritos da questão em termos técnicos, sociais e económicos. O mesmo está em vias de acontecer com o TGV. E não se pense que o Governo não sabe explicar ou que mostra deficiências na sua política de comunicação. Não. O Governo, pelo contrário, sabe muito bem comunicar. Sabe falar com quem o ouve, gosta de informar quem o acata. Aprecia a companhia dos seus seguidores, do banqueiro de Estado e dos patrícios das empresas participadas. Só explica o que quer. Não explica o que não quer. E só informa sobre o que lhe convém, quando convém. verdade que o clima se agravou com o tempo. Nem tudo estava assim há dois anos. A aura de determinação cobria as deficiências de temperamento e as intenções de carácter. Mas dois conjuntos de factos precipitaram tudo. O caso dos diplomas e da Universidade Independente, a exibir uma extraordinária falta de maturidade. E o novo aeroporto de Lisboa, cujo atamancado processo de decisão e de informação deixou perplexo meio país. A posição angélica e imperial do primeiro-ministro determinado e firme abriu brechas. Seguiu-se o desassossego, para o qual temos agora uma moratória, não precisamente a concedida aos estudos do aeroporto, mas a indispensável ao exercício da presidência da União Europeia. De qualquer modo, nada, nem sequer este plano de tutela dos direitos e da informação, justifica que quase todos os jornais, de referência ou não, dêem a notícia de que “o professor de Sócrates” foi pronunciado ou arguido ou acusado de corrupção ou do que quer que seja. Em título, em manchete ou em primeira página, foi esta a regra seguida pela maior parte da COMUNICAÇÃO SOCIAL

Erotismo consequente
Eu quero enlaçar todo o teu corpo
Tocar-te o espírito, roubar-te a alma
Quero ter-te a ti como meu porto
Num entardecer em tarde calma.
Quero embriagar-me com teu perfume
Ficar insano, perder o nexo,
Beijar-te os seios e fazer lume
Incendiar-te o ventre, tomar-te o sexo.
Manuel F.C. Almeida
sexta-feira, junho 22, 2007

elegia III
FOTO BY:Edna Medici
Que não se calem as
Verdades.
Que nao se neguem os
Sentimentos.
Silencios ou
Meias palavras
só alimentam
Equívocos
E na vida não há
Tempo para
Miticos e falsos
Paraisos.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, junho 21, 2007

somos
foto by:Sofia Maurício
Povoas o espaço
Que o pensamento
Ocupa.
Sinto-me.
Sinto-te.
Ambos sós,
Acompanhados
De memorias...
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 20, 2007
terça-feira, junho 19, 2007

isto sim um premio mas prefiro saber que se apropriam das minhas palavras. obrigado
premio atribuido por
http://pracadarepublica.weblog.com.pt/
um par, sim um belo par de tomates (que mais poderia ser...?) foi a oferta que me fizeram. veio directo da http://pracadarepublica.weblog.com.pt/, que diga-se em abono da verdade, nao é dos meus favoritos, mas mercê desta distinção e das belas imagens que tem passará a ser mais visitado ( graxa claro).
o prémio em si é curioso. Um par de tomates. a somar aos que me acompanham faz tempo, fará com que fique com 2 pares.
num tempo em que a produção de concentrado dos ditos começa a declinar, ter um par em reserva e novinhos em folha, vem mesmo a calhar.
as minhas nomeações sao:
http://ainfelicidadeaoalcancedetodos.blogspot.com/
http://avatares-de-desejo.blogspot.com/
http://www.riquita1303.blogspot.com/
Manuel F.C. Almeida

NATUREZAS MORTAS
foto by: Paulo Madeira - www.paulomadeira.net
Silencio! A minha morte sem dor iluminou a floresta de diamantes onde tudo acontece.
Aves de um paraíso perdido copulam num frenesim floral e imaginam viver num
Planeta Errante. Astral.
Jim lamenta a morte numa Americana oração.
Em seu redor algumas mulheres de seios grandes e caídos dançam com o ventre
Junto á face lívida de Hendrix, que lhe canta foxy lady. Putas finas.
- Olá Joe, costumavas fumar erva? Perguntam em coro.
Cantam e em simultâneo esfregam o sexo na estátua de Apolo. Uma cópula Grega. Tradição ocidental.
Só Jesus nas suas vestes Judias, não pode participar.
Ainda assim transformou a água em champanhe e o peixe enlatado em caviar.
A Madalena fez streep e bebeu absinto.
A meu lado, Janis etilizada e estilizada teima em pedir a Deus um Mercedes benz.
Mercury diz-lhe: who wants to live forever?
Ao mesmo tempo que Lennon se apresenta vestido de Ghandi a açoitar uma asiática que teima em cantar:
Imagine hall the people fucking like we do.
Silencio! Estou na minha mortalha, enrolado entre os dedos trémulos de Marley e a loucura intelectual de Zappa.
Wath a bad moon rising man.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, junho 18, 2007
domingo, junho 17, 2007

Rapidinhafoto by: angelica
A ouro e prata bordado
Farei de ti meu presente
Do teu corpo o meu prado.
Manuel F.C. Almeida
sábado, junho 16, 2007

Suprimia o odor
Adocicado do teu corpo
E a candura aveludada
Dos teus lábios.
Mas as mãos vieram
Resgatar-te na memória
Do corpo
E o tempo revelou-te
Num quadro
Que vive nos rios
Das nossas muralhas.
Manuel Filipe Carvalho de Almeida
sexta-feira, junho 15, 2007

foto by:Silverio Santos
Vivo o meu canto num tempo finito
Alimento com ele a minha vontade
No alimento do tempo desenho o meu grito
E com ele cavalgo a tempestade
E na chama que voa eu teimo em mostrar
A loucura dos homens, esta insanidade
Este manto de sangue que corre pró mar
Nascido de um tempo sem humanidade.
Mnuel F.C. Almeida
quinta-feira, junho 14, 2007

Vento,
Uma folha no ar.
Escrita num
Tempo,
Num tempo de
Amar.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, junho 13, 2007

Almiscarado
Das tuas coxas
Avivou-me a memória
Das noites
Em que um
Olhar te levava
Ao paraíso.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, junho 12, 2007

Fiz do meu caminho
Um carreiro de indiferença
Ao mundo.
Nem me dei conta
Da morte dos deuses
Indiferentes
A tudo...
Como eu.
Manuel F.C. Almeida





