sexta-feira, dezembro 29, 2006

aqui estou



nada de entusiasmos
a foto nao é minha
















E eis me aqui todo nu,
Despido de mim
E do mundo.
Solitário,
Caminho entre campos de
Giestas e de estevas
De flores brancas e
Amarelas que
Se dão a cheirar.
E ouço o gemido
Da manhã,
No seu despertar.
E já nem tenho
Frio
Apenas uma leve
Sensação de arrepio
Me recorda que “sou”
E eis me aqui todo nu
Despido de mim
Já pronto
Para voltar a cantar

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, dezembro 28, 2006

esta noite


Deixem que vos conte um segredo. Esta noite matei o meu fantasma. Sim …. Estrangulei-o! Sempre a chatear, sempre a chatear. Apanhei-o distraído e fodi-o.
Estava a ouvir beatles, olhei-o de soslaio e ele lá estava. A vigiar-me. Silencioso. Já não o suportava. Num ápice agarrei-lhe o pescoço e partilhe a traqueia. Filho da puta, não me largava. Isto começou á 3 meses, durante anos convivemos em silencio mas agora estava chato. Foda-se já tava plos cabelos. Que merda esta de vida. Quando não são as porras da falta de guito, são estas merdas dos fantasmas. Há…., mas desta vez acabei com ele. Sempre aqui a ocupar-me a cabeça, e a foder-me os cornos. Até a tusa me afectou.
E depois esta merda de um gajo ter de ser “ socialmente correcto” cansa.
- Tem de ser bonzinho, dizem uns- enquanto outros nos fodem vida a torto e a direito, e ainda se ficam a rir.
-Tem de ser pessoa honesta e séria; fodam-se todos…., sim…. Fodam-se todos! Tou farto desta merda de ser bem comportado, de cumprir com esta merda toda, que ganho eu? Sim que ganho eu? Os filhos da puta do poder e os seus lacaios banqueteiam-se com tudo. Nada fica pra mim e pró resto da maralha. Caralho de vida esta pá! foda-se!
Sim… um gajo escreve umas poesias todas delicodoces, é honesto no trato com os outros, é honesto consigo mesmo e depois?
Depois fode-se! Sim fode-se! E ainda ficam fantasmas de merda a azucrinar a cachimónia. Mas ontem acabei-lhe com o cagar. Até dormi melhor.
De manha olhei pró local onde o deixei. Continuava lá. Bem morto claro, já não chateia o filho da puta.
Pensei que ainda me olhava, o cabrão, mas não já não pia. Ta fodido de vez e não há cá mais merdas de conselhos bonitinhos que tou farto disso.
Andaram-me amigos a dizer:
-não vale a pena vinganças, temos de ser boas pessoas, temos de saber esquecer e perdoar, ser pessoas civilizadas. Sabem que vos digo? Estão-se a enganar. Que se foda isso tudo das boas maneiras. Eu quero é ficar bem. Matei-o e pronto. Sim fui eu. Fui eu que fodi isto tudo. Eu sou um gajo radical. Se fosse terrorista era o caralho, bombas pra cima e pra baixo, foder tudo e todos. Comigo não há meios-termos. Nada de negociações, isso é para o social, isso é o medo da lei. É o medo de ser preso.Eu quero que a lei se foda. Se um dia puder arrebento-me com explosivos e fodo uma data de gajos. Gajada do poder e o putedo que tiver com eles. Que esses gajos atrem sempre muita gaja. Não sei que lhes passa pela cabeça. É o dinheiro claro. Aquele italiano o albinoni ou o caralho é que a sabe bem. zurze-as a todas de putas pra cima. (Educadamente que o cabrão gosta é de vender). Mas sabem eu acho que isto ta mesmo tudo fodido. Não há ponta por onde se pegue.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 27, 2006

you and them















Eles alimentam-se
Do teu medo
Alimentam-se
Do teu ódio
Alimentam-se da
Tua ignorância
Alimentam-se
Do teu esforço
Alimentam-se
De tudo o que
És, ou
Desejas ser.
E tu mais não
Desejas
Que ser um
Deles.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 26, 2006















Quero um mundo sem prisões
Sem vencedores ou vencidos
Juntos somos milhões
Caminhemos todos unidos

Quero um mundo sem tiranos
Um mundo de liberdade
Sem bombas ou balas nos canos
Um planeta de igualdade

Quero um mundo sem fronteiras,
Sem propriedade privada,
Que não tenha tantas bandeiras,
Nem gente amordaçada.

Quero um mundo de esperança
Feito de amor e paixão
Visto por uma criança
Pintado pela sua mão

Mnuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 25, 2006

o rei morreu



this is the man's world

domingo, dezembro 24, 2006

natal



















Hoje, um pouco por todo o lado, o ocidente cristão mergulha na sua mais importante efeméride religiosa. O nascimento do Messias.
Nesta altura aparentemente, as pessoas são mais sólidarias. Até os que não acreditam no fenómeno religioso são contagiados em parte pelo espírito natalício. No entanto não creio que este espírito seja espontâneo. Esta solidariedade festiva, em meu entender, esconde, na maior parte das vezes, apenas e só muita hipocrisia. Na verdade entendo que a solidariedade é uma obrigação de todos nós e em todos os dias do ano. A educação para uma sociedade solidária deveria fazer parte dos currículos escolares. Mas a verdade é que não faz.
Esta época nao passa pois de mais uma data em que mergulhamos no consumismo de coisas supérfulas apenas e só para alimentarmos o ego dos nossos filhos e o nosso estatuto social. E enquanto nós assim fazemos, pelo planeta existem milhões de irmãos nossos que morrem de fome e de doenças passíveis de serem tratadas, que morrem vítimas de minas e de armas construídas nas fábricas do ocidente. Era nossa dever e obrigação, pressionar os nossos dirigentes a mudar de politicas, era nosso dever ajudar. Mas que nos interessa se em cada 3 segundos morre uma criança de fome? Nós não temos culpa pois não? Não somo culpados de nada, não somos nós que governamos, não somos donos das fábricas de armamento, nem somos nós que deitamos fora toneladas de alimentos que deixamos estraga. Não somos culpados e assim ficamos bem com a nossa consciência. Ficamos em paz com o nosso Deus.
Mas quem elege os governos? Quem se sente bem com o salário recebido das fábricas de morte, quem compra acções dessas empresas e aufere dai bom rendimento?
Seria interessante, que o natal fosse um dia de partilha, onde todo o planeta tivesse o suficiente para viver. Que partilhássemos tudo, que os nossos filhos dessem e trocassem brinquedos com quem não tem, que em suma se fizesse de todos os dias um dia de natal, já que todos os dias nascem crianças e em cada nascimento está a salvação da espécie, porque em cada uma que nasce há um natal que sorri nos seus olhos. E que todos tivessem as mesmas oportunidades na vida. Só assim seria cumprido o espírito natalício e se faria um mundo mais livre, mais justo e mais solidário.

soneto por vinicuis de morais





















De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Que vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

( Vinícius de Moraes

sábado, dezembro 23, 2006






















Pintei a alma de negro,
Com tinta sem qualidade
Espetei nela mais um prego
Uma marca da saudade.

E em cada marca que faço
Fica um ponto a lembrar
Que naquele lugar há um laço
Bom ou mau pra recordar

E em cada ponto marcado
Uma nova cor vai surgir
Que me leva a outro lado
Pra novamente sorrir.

Manuel F. C. Almeida

o amanhã a chegar.




















No meio da multidão
Acabamos por estar sós.
Que estranho destino
Temos nós?

Na aurora dos dias
Que passam, caminhamos
P´las escuras vielas
Da vida
Tacteamos o tempo
Na ânsia da paz
Perdida.
E cada sonho que sonhamos,
É esperança e coragem a ser
Vivida.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

prisões



Gélida
A face dos deuses
Traz-me à lembrança
Todos os medos.
Criei os meus carcereiros
E agora clamo pela
Liberdade?

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Fenix


















Hoje faz anos
Que o que o poeta nasceu.
Partiu á procura
Do mundo.
Olhou o teu
Rosto
E morreu.
e voltou a viver
noutro rosto
noutro corpo
onde renasceu.

Garimpo
















Poetas,
Mineiros
De pedras preciosas
Ocultadas
Nas palavras
Que dormitam
Em silêncio.
Escrevem poemas
Cantando o tempo,
O abrir caminhos
E o fazer de pontes,
Entre a morte
E a vida;
Entre o passado
E o futuro.
Manuel F.C. Almeida

DEPOIMENTO




De seguro,
posso apenas dizer que havia um muro
e que foi contra ele que arremeti
a vida inteira.
nao, nunca o contornei.
nunca tentei
ultrapassá-lo de qualquer maneira


A honra era lutar
sem esperança de vencer.
e lutei ferozmente noite e dia,
apesar de saber
que quanto mais lutava mais perdia
e mais funda sentia
a dor de me perder.

MIGUEL TORGA

quarta-feira, dezembro 20, 2006

APELO



Quem quer que sejas, vem a mim apenas
De noite, quando as rosas adormecerem!

Vem quando a treva alonga as mãos morenas
E quando as aves de voar se esquecem.

Vem a mim quando, até nos pesadelos,
O amor tenha a beleza da mentira.

Vem quando o vento acorda em meus cabelos
Como em folhagem que, ávida, espira…

Vem como a sombra, quando a estrada é nua,
Num risco de asa, vem, serenamente

Como as estrelas quando não há lua
Ou como os peixes, quando não há gente…

Pedro Homem de Mello

terça-feira, dezembro 19, 2006

Poema a tinta da china



















Uma gota de orvalho
Que rola
Uma abelha que enfrenta
Uma flor
Um avião que na pista
Descola
Um poeta que canta
O amor

Uma criança que nos olha
A sorrir
Uma estela que paira
No ar
Um caminho que temos
De abrir
Um corpo de mulher
Para amar.

Equivocos



















Eu quis fazer de uma mulher
O que não devia
Um templo onde eu extasiado
A pudesse ver
E nunca reparei se ela queria
Ser deusa
Num templo meu querer.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 18, 2006


É natal em parte do mundo mas deveria sê-lo em todo o lado. É natal a 25 de Dezembro
Mas deveria ser todos os dias para toda a gente. Não que celebrássemos o nascimento de um qualquer Messias, mas celebrar-mos o nascimento de milhares de crianças seria só por si suficiente. É natal e as pessoas parecem ser mais solidárias. Que engano, são apenas mais hipócritas. No natal as pessoas vestem novas roupagens e deliciam-se com as suas boas acções comungando do espírito da época. A voracidade com que se gasta dinheiro no hemisfério norte contrasta com a desolação e fome do hemisfério sul.
Milhares de crianças do norte gozam milhares de novos brinquedos de centenas de euros. Cinco euros apenas, sim 5 euros, são o suficiente para combater doenças como a lepra. Será que todos nós temos consciência disso? Quantos de nós têm consciência disso. Quantos contribuem? Quantos dizem aos filhos que a melhor prenda do mundo seria ajudar a salvar uma vida distante e desconhecida pelo simples prazer de o fazer?
Ajude, contribua para erradicar a morte e a fome no mundo. Bastam 5 euros e uma dose de boa vontade humana.

Formas de o fazer:
AMI- Remessa livre
25049-1148 lisboa codex

Conta do milenium ( não é minha a propaganda)
020450100492823

Ajudem 5 euros podem fazer a diferença a quem deles necessita.














Hoje cruzei-me
Com o desconhecido.
Olhei para ele
E sorriu.
Convidou-me a
Segui-lo na caminhada.
Fui de imediato tentado.
É sempre aliciante
Seguir o desconhecido.
Faz-nos sentir vivos.
Só lamento que uma
Vez conhecido
O desconhecido
Se esqueça de nós.
Mas é sempre assim
Só estamos bem
Onde não estamos.

Manuel F.C.Almeida.

domingo, dezembro 17, 2006

E fiquem-se com a velha musica que deu polemica


e dancem ao som desta linda musica

a todos os amigos.





















O meu amigo partiu
Nada fiz para o deter
Ele ainda me sorriu
Mas eu já não queria ver

É sempre triste partir
Mas por vezes tem de ser
Pra voltarmos a sorrir
Pra voltarmos a viver

E quando um amigo partir
Seja qual for o momento
Recordemo-lo a sorrir
Que fique no pensamento

Porque amigos verdadeiros
É coisa rara, em extinção
Nunca os queiramos cordeiros
Mas gente com coração.


Manuel F. C. Almeida