sexta-feira, dezembro 15, 2006

amor / ódio parte 3





















Dizem alguns autores de comportamento, que existem várias formas de transferência de sentimentos. Alguns de nós explodimos de forma a provocar uma reacção análoga. Outros preferem usar de métodos mais subtis e talvez mais egoístas.
Uma das formas mais utilizadas é a de provocar no outro, numa primeira fase, um sentimento de dor e de algum descontrole emocional que o leve a desejar nunca ter vivido nada do que viveu, a renegar o passado. E como se faz isto? Avivando a memória dos bons momentos de forma a obrigar a recordar tudo sempre no intuito de que o outro acabe por se sentir exposto e assim começe a sentir necessidade de negar o que de bom existiu. Outra forma, é a de utilizar todos os meios de que se dispõe no intuito de provocar mágoa. Quer através de carta, quer utilizando os novos meios ao nosso alcance. Pelo meio envolverem-se terceiras pessoas, enfim expor os sentimentos do outro, nao deixando que o outro jogue seu jogo ou pelo mnos tentando impedi-lo, obriga-lo a recordar a forma como acabou, porque acabou e nalguns casos como acabou. Porque, defendem alguns versados na matéria, em certos casos o que mais magôa é a forma utilizada. É a falta de sentido ético e de honestidade intelectual. É a falta á palavra é o silêncio ou a mentira.
Assim o mais atingido e que não deseja ficar preso ao ódio acaba por o exorcizar, criando um fosso jamais ultrapassável, libertando todos os sentiments negativos nesta tentativa de transferência de sentimentos. Mas o que alguns autores defendem é que na verdade quem usa estas técnicas apenas pretende a sua pequenina vingança, faz-lhe falta para que o seu amor-próprio se volte a fazer sentir. Se o seu amor ja nada vale então que se instale o ódio. E no fundo o que pretendem é manter-se vivos no outro, se já não o podem fazer com amor então que o façam com o ódio, afinal são ambos aliados, e nós enquanto seres racionais estamos sempre expostos a eles, porque só na razão e com ela todas as coisas acontecem.
Este será, talvez, o comportamento mais egoísta de todos. Quem assim se comporta, embora não esqueça, porque o não pode ou nao consegue fazer, recupera rapidamente o orgulho e a auto estima. Volta sentir-se seguro, dono de si mesmo. E Tudo isto se faz em nome da sobrevivência. Desumanizar o outro, apaga-lo do nosso registo imediato é o preço a pagar pelo desejo de voltar a viver de forma plena. E nestes casos nao fica pedra sobre pedra porque se algo ficar, então não se atingiram os objectivos. Exarcerbar o ódio é claramente uma prova de incapacidade para lidar com as coisas, mas é tao necessário como o ar que se respira. Então como o ódio e o amor são sentimentos irmãos creio que no fundo sempre que se crê odiar alguém, em resultado de uma relação frustrada, o que acontece é que continuamos presos a essa marca, presos a essa idéia, apenas nao a queremos viver mais.
Assim sem um resultado concreto, diria para acabar, que no amor e na guerra tudo é permitido, até o ódio como arma.
como quem diz
- Um dia o amor perguntou ao ódio: Porque me odeias tanto? E o ódio respondeu: -Porque um dia amei-te demais.

Felicidade























Felicidade
Passa
E quase não se sente,
Passa.
Sem passado
Nem presente.
Olhem!
Quase não se vê
Como a ausência que não se lê.
Felicidade
Passa
Tão perto, tão rente
Junto de nós
Calada.
Colada levemente
Olhem
Quase não se vê
Como a tristeza que não se lê.
Felicidade
Passa
E quase não se sente
Passa
Mesmo ao nosso lado
E desaparece de repente.

Autor:
uma poetisa anónima

quinta-feira, dezembro 14, 2006

amor ódio parte 2 de nao sei quantas















foto de 13-12-2006 Buda Bar vila nova de milfontes

Temos então que amor/ódio apresentam a mesma génese: a memória e a razão.
E em face disto qual deles toma o papel central na vida humana. Estou em crer que de forma geral nenhum se sobreporá ao outro. O que por vezes acontece é que é somos forçados a recordar os piores momentos, umas vezes para encontrar-mos forças de forma a seguir em frente outras porque o nosso ego a isso nos obriga. Mas sempre como forma de sobreviver. Por outro lado a avalanche de más memórias é de tal forma intensa que tudo o resto é esquecido ou quando recordado apenas serve para alimentar ainda mais aquele sentimento perturbante de perca. Os bons momentos, as horas de dificuldade, os momentos de partilha, o cheiro e tudo o resto fica esquecido, escondido por detrás dos últimos momentos e acontecimento. Alguns de nós conseguem viver assim por tempo indeterminado, corroendo-se a si mesmos. Outros há, que não o fazem. Esses usam uma forma de psicologismo enviusada e de autodefesa a todos os níveis notável. Transferem o ódio ao outro de forma a ficarem limpos de ódio mas a provocarem esse mesmo ódio ou irritação no outro.
A questão é a de tentar perceber os mecanismos usados para esse projecto de transferência

AOS MEUS AMORES ( REPETIDO)
















É no frio das noites que acontecem
Que vivo o teu rosto
Construído de culpas e receios
E, no tempo que corre
E trata a ferida sempre aberta
Descubro a nostalgia de te ter
Sem te possuir.
Percorro o espaço vazio
E um leve rumor a frio
Dilacera os meus sentidos.
Recupero por fim
Os pedaços do teu rosto
Já sem culpas ou receios.
Olha para o lado
E encontro presente
Os odores do teu “eu”
Que o fado fez ausente.
Recolho-me,
Digo obrigado e adormeço
Com a tua alma fechada na mão,
E o teu corpo vivo na mente.

Manuel F.C. Almeida

Novembro de 2004

quarta-feira, dezembro 13, 2006

agora escolha e vote se lhe apetecer claro(pode ouvir as duas versões)


amor ódio parte 1 de nao sei quantas












Amor, ódio, dois sentimentos aparentemente opostos e no entanto quantas vezes não se entrelaçam nas nossas vidas. Aparentemente antagónicos, alimentam-se de momentos diferentes da mesma matéria: a memória.
O amor apela ás memórias dos afectos, ao toque na pele, ao cheiro, ao gosto, ao prazer do sexo, etc. Emfim a todas as memórias boas que carregamos. O ódio remete para o que de menos nobre existe em nós. São as memorias dos maus momentos, da dor, da angustia, do não entender ou não querer faze-lo. No entanto ambos os estados têm a mesma origem: a memória. Ora isto desde logo afasta o possível antagonismo de um em relação ao outro. Mas o que me levou aespecular sobre isto é o de tentar entender a reacção dos humanos a esta realidade. É a sua razão que faz amar e odiar alguém e em muitos casos a mesma pessoa que antes se amava.
Qual será o sentimento mais forte aqui? O amor ou o ódio?

continua...

prata















eu tenho um rio de prata

a nascer na minha mão

e só vou deixa-lo correr

prá foz de um coração

terça-feira, dezembro 12, 2006

penso logo existo













nao creias quando te dizem ter sido por acidente. Os jogos só se jogam quando sao desejados. A mentira é sempre a fuga mais fácil. Nao se ama por caso. Ama-se porque se deseja amar, porque nao há amor previo. nao vale apena falar em duvidas. Quando os nossos olhos se encantam é porque estavam vazios....

Manuel F.C. Almeida

pé ante pé















Olhão 12-12-2006

e pé ante pé

passo a passo

faço o meu auto de fé

tento encontrar meu compasso

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 11, 2006

a florbela espanca





















das magoas fizeste um livro belo,
enchendo de tristeza os versos teus.
somente os torturados podem lê-lo,
fazendo dos teus versos, versos seus.

tu foste, na verdade, a lira eleita!
ninguém como tu a dor cantou.
até no sofrimento insatisfeita,
tao cedo a tua vida se finou.

colocaste o coração em cada verso.
nada ficou ao acaso ou disperso
na tua existência triste, dolorida!

tu, que escreveste tanto sobre o amor,
um rosário fizeste em versos-dor
com pedaços da tua própria vida

in florilégio 4 edições NERP

AUTOR: Silveste Val

brisa
















Já me sopra uma brisa na face
Novidades vindas no vento
Dizem-me que espere plo tempo
Em que tudo vá e tudo passe

Mas esta brisa ligeira
Traz consigo a esperança
De dias em que a bonança
Seja minha companheira

Que tudo pode acontecer
Pra tudo existe uma hora
Seja amanhã ou agora
Outros amores virei a ter.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 10, 2006

poder


















eu queria ter o poder
de ao esticar a minha mão
colocar um arco iris
junto ao teu coração

Manuel F.C. Almeida

basta





















Chega!
Nãos nos enganem mais ao dizer
Que o coração tem razões
Que a própria razão desconhece.
Porque as razões do coração
Só a razão as conhece.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 06, 2006

frio




















http://amoratus.deviantart.com/gallery/


tenho frio hoje.
um frio que me toca
a alma e o coração.
um frio que nao me
deixa ver
mais além.
um frio que me assusta
porque me deixa
tolhido,
vencido pelo peso
da vida.
tenho frio,
um frio de quem está
de partida.


Manuel F.C. almeida

EGOCENTRICO




















Eu sou lobo e sou cordeiro
Sou a noite e também dia
Sou a estepe e seu sequeiro
Sou oceano, maresia

Sou uma parte do passado
Sou o real destruído
Sou o sonho apunhalado
Sou pouco mais que ruído

Sou o amanhã a chegar
Sou futuro radioso
Sou arco-íris no ar
Em “ ser”, sou orgulhoso.

terça-feira, dezembro 05, 2006

PAZ.
















A paz que os meus olhos
Querem
Só a terei no fim
Da jornada
Quando a vida passar
Como filme
E já tudo for memória
E eu quase
Nada.

Manuel F.C. Almeida

CAMINHOS
















Quantas vezes meu irmão, quantas vezes
Pensaste ter encontrado o teu lugar
E quantas vezes tiveste de reinventar
O caminho, enfrentando novos reveses.

Assim se constrói a vida humana
Feita de erros, vitórias, insatisfações
Feita de alegrias, tristezas, ilusões
Umas vezes com sentido, outras insana

Que o ser humano nunca está satisfeito
Objectivo atingido, logo este é desfeito
Porque esta nossa vida é mesmo assim.

Cortamos os caminhos sempre a eito
Procuramos sempre o mais perfeito
Em nome de uma procura sem ter fim.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 04, 2006

porque gritam os poetas



pintura de amoratus

http://amoratus.deviantart.com/gallery/

Porque gritam os poetas
Poemas sem dizer nada?
Gritam a alma feita estrada
Sentimentos feitos metas.

MANUEL F.C. ALMEIDA

mulher





















Mulher
Quando a vida
Se solta em teus
Olhos
E o vento acontece
Em teus cabelos
Olhar-te mais não é
Que um feitiço
Onde somos argonautas
Perante o desejo e a
Vida.

domingo, dezembro 03, 2006

WAR
















Já soam as bombardas e a metralha
Já se sente o cheiro a morte no ar
Homens e homens, a homens matar,
Escondida, à defesa ficou a canalha.

De fato e gravata tratam da batalha
Como se fossem crianças a brincar
Não lhes repugna a ideia de matar
Jovens que só pensam numa medalha

É nesta insane e cruel verdade
Onde se perde o valor “ humanidade”
Que os poderosos se fazem sentir

Uns farão isto por honra ou vaidade
Outros porque entendem sua a verdade
Outros, porque mais não sabem que destruir.

MANUEL F.C. ALMEIDA