
Dizem alguns autores de comportamento, que existem várias formas de transferência de sentimentos. Alguns de nós explodimos de forma a provocar uma reacção análoga. Outros preferem usar de métodos mais subtis e talvez mais egoístas.
Uma das formas mais utilizadas é a de provocar no outro, numa primeira fase, um sentimento de dor e de algum descontrole emocional que o leve a desejar nunca ter vivido nada do que viveu, a renegar o passado. E como se faz isto? Avivando a memória dos bons momentos de forma a obrigar a recordar tudo sempre no intuito de que o outro acabe por se sentir exposto e assim começe a sentir necessidade de negar o que de bom existiu. Outra forma, é a de utilizar todos os meios de que se dispõe no intuito de provocar mágoa. Quer através de carta, quer utilizando os novos meios ao nosso alcance. Pelo meio envolverem-se terceiras pessoas, enfim expor os sentimentos do outro, nao deixando que o outro jogue seu jogo ou pelo mnos tentando impedi-lo, obriga-lo a recordar a forma como acabou, porque acabou e nalguns casos como acabou. Porque, defendem alguns versados na matéria, em certos casos o que mais magôa é a forma utilizada. É a falta de sentido ético e de honestidade intelectual. É a falta á palavra é o silêncio ou a mentira.
Assim o mais atingido e que não deseja ficar preso ao ódio acaba por o exorcizar, criando um fosso jamais ultrapassável, libertando todos os sentiments negativos nesta tentativa de transferência de sentimentos. Mas o que alguns autores defendem é que na verdade quem usa estas técnicas apenas pretende a sua pequenina vingança, faz-lhe falta para que o seu amor-próprio se volte a fazer sentir. Se o seu amor ja nada vale então que se instale o ódio. E no fundo o que pretendem é manter-se vivos no outro, se já não o podem fazer com amor então que o façam com o ódio, afinal são ambos aliados, e nós enquanto seres racionais estamos sempre expostos a eles, porque só na razão e com ela todas as coisas acontecem.
Este será, talvez, o comportamento mais egoísta de todos. Quem assim se comporta, embora não esqueça, porque o não pode ou nao consegue fazer, recupera rapidamente o orgulho e a auto estima. Volta sentir-se seguro, dono de si mesmo. E Tudo isto se faz em nome da sobrevivência. Desumanizar o outro, apaga-lo do nosso registo imediato é o preço a pagar pelo desejo de voltar a viver de forma plena. E nestes casos nao fica pedra sobre pedra porque se algo ficar, então não se atingiram os objectivos. Exarcerbar o ódio é claramente uma prova de incapacidade para lidar com as coisas, mas é tao necessário como o ar que se respira. Então como o ódio e o amor são sentimentos irmãos creio que no fundo sempre que se crê odiar alguém, em resultado de uma relação frustrada, o que acontece é que continuamos presos a essa marca, presos a essa idéia, apenas nao a queremos viver mais.
Assim sem um resultado concreto, diria para acabar, que no amor e na guerra tudo é permitido, até o ódio como arma.
como quem diz
- Um dia o amor perguntou ao ódio: Porque me odeias tanto? E o ódio respondeu: -Porque um dia amei-te demais.



















