terça-feira, novembro 21, 2006

pensamento


















Há uma brisa que corre
Ao sabor dos dias.
Nos olhares que se cruzam
Só o tempo parece
Dar sentido à existência,
Que teima em não se encontrar.
O verme da aparência,
Perfura os sentidos.
Até o olhar se desvanece
E mortifica.
Tudo se resume
A ser,
A querer ser
A querer ser só ser

segunda-feira, novembro 20, 2006




















solitárias as palavras,
acomodam a vontade
dos sentidos.
O instinto queda-se
prisioneiro da razão,
e nós
somos apenas animais
selvagens.
Fazemos da alma dos
outro o nosso alvo.
Que fizemos de nós?

Ainda hoje os Beatles nos ajudam



















Strawberry fields forever na minha versão.


Deixa-me ajudar, estende a tua mão
Deixa-te guiar em contra mão
Vais ver que tu vais gostar
De ver os campos flores a cantar
Sei que não estás só, também eu não estou
No pensamento, tudo ficou
Memória que o tempo vai levar
Que a vida vai apagar
Em campos de flores a cantar


Não. Não tenhas medo
Eu vou Guardar o segredo
Mas também te vou mostrar
Que há campos de flores a cantar.
Sei que não estás certa de nada
Vives receosa, acossada
Mas pode alguém estar
Livre de errar?
Só os campos de flores a cantar.


Deixa-me tocar a tua mão
Deixa que o olhar tudo leva
Um dia serei Adão
Um dia tu serás Eva
Há um grito de esperança no ar
Nos campos de flores a cantar.


Manuel F.C. Almeida

domingo, novembro 19, 2006

ó mar
















ó mar azul. mar salgado
lava-me as mágoas e a suadade
conduz-me tu a outro lado
onde cante e viva a liberdade

ó mar azul, mar salgado
lava-me a alma, da sujidade
mostra-me a lua, o céu estrelado
onde se veja só amizade

ó mar azul, mar salgado
lava a mentira e a verdade
mostra-me os versos de novo fado
onde só viva a felicidade

FERNANDO PESSOA- porque hoje nao me apetece escrever




















eu amo tudo o que foi,
tudo o que já nao é,
a dor que já nao me dói,
a antiga e errónea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria,
só porque foi, e voou
e hoje já é outro dia

F. PESSOA.

sábado, novembro 18, 2006

amizade














São amarelas as pétalas desta rosa
São da cor de uma fornalha
Que façam com a minha prosa
Fendas nalguma muralha

E que nessas fendas frutifiquem
Poemas á amizade
E que ai se depositem
Cantigas á liberdade

eis o que sou



















E eis-me no fim da jornada
Caminho passo a passo
Pra não pisar as pedras da calçada
Pra fazer da vida um compasso

Tenho um relógio feito de nada
Procuro na escuridão
Um caminho, uma estrada
Prenhe de solidão

Tenho nas mãos areia da praia
Que se vai, nesta ampulheta de tempo
Espero por fim que a noite caia
Que me traga algum alento

E eis-me aqui à espera de alguém
Que me traga de novo a alegria
De encontrar aqui e além
A cor da vida que se faz dia.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, novembro 17, 2006

Poema. que desculpem ser apenas humano




















Foram dias tristes e cinzentos
Dias agitados, noites sem luar
Minutos que corriam lentos
De esperança e incertezas a reinar

Mágoa ultrapassada e sem alentos
Uma lâmpada ao longe a iluminar
Mas a brisa deixou de trazer ventos
E a noite deixou de ter luar

Por fim, pouco tempo decorrido
Sobrou-me o coração muito dorido
Depois de tanta, tanta doação

O meu ocaso de oiro agonizou
Do passado, já tudo se esfumou
Na vida há coisas sem perdão

(variação sobre um poema de Natividade Negreiros)

PARABENS A VOCÊ

para a Maria _arvore. podia deixar aqui uma foto de um gajo bonito, mas preferi recordar-te que mais um ano é só mais uma gota. parabéns linda amiga.
















Já não sou alvorada, mas sou dia
Com dom d’iluminar e aquecer!
Orvalho já não sou, mas maresia
Com suaves odores d’entardecer

Não sou fonte que jorra de euforia
Mas inda sou caudal que quer correr!
Não sou trinado de uma cotovia
Mas pássaro que canta p’ra esquecer

Qual ave friorenta e sem ninho
Espero o gorgear do teu carinho
Pois, para te encontrar foi que eu nasci!

E que importa o que possa vir depois?
O que conta são pontes feitas a dois…
Tudo será melhor do que vivi!

Natividade Negreiros

quinta-feira, novembro 16, 2006

amigos obrigado

















Tenho recebido nos últimos tempos provas e mensagens de amizade como nunca pensei receber. Umas genuínas outras nem tanto. Umas que provêm da beleza das pessoas, outras que apenas mostram o quanto egoísmo se estende por ai. Umas que nada pedem em troca outras que me pedem o mundo, me pedem a minha pessoa, enquanto algo passível de ser utilizado apenas como suporte para a consciência. Nem a todas tenho respondido, julgo que a quase nenhuma. No entanto agradeço a uns e a outros. E agradeço porque ser amigo implica muita coisa. Implica que acima de tudo o sejamos de forma incondicional. E se a umas eu nada tenho a apontar, a outras peço desculpa mas não poderei mais responder. Vive-mos sempre a aprender alguma coisa com os degraus da nossa escada. Tenho-me como alguém que vai aprendendo e que nunca fecha os olhos ao mundo, que retira de cada minuto que vive uma pequenina parte dessa coisa enorme que é a vida e o meu caminho. Por isso também sei viver e terei de o fazer com as minhas decisões. Algumas há que são dolorosas mas que são escolhas nossas, temos de saber decidir e arcar com as consequências. Ganhar um amigo é tão difícil como ganhar a lotaria, e quem os tiver será sempre muito rico. Perder um amigo, ou deixar o seu convívio é pois por isso algo tão doloroso como perder a alma. Porque no amigo que se vai, fica sempre um pouco do que somos. Mas como já devem ter percebido, sou humano, tenho defeitos (muitos) e virtudes (talvez poucas) por isso meus amigos nem a todos direi presente.

aos meus amores futuros.




















Não prometo paraísos
Que são coisas de enganar
Prometo sempre glamour
Prás conseguir conquistar

Não prometo eternidades
Que são coisas que não sei
Prometo presentes, futuros
Coisas com que sonhei

E se alguém tiver corajem
Pra se deixar conduzir
Seja bem vinda á viajem
Que goste de seduzir

Q’esta vida é um segundo
Pró cosmos não tem valor
Não a deixemos passar
Sem viver um outro amor

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, novembro 15, 2006













e agora que tudo é findo, resta-me olhar o que ai vem
vivi um sonho lindo, outros o mundo trará também
esperar que volte a ter, no meu olhar a luz do dia
sentir que é bom viver, que sem a es'prança alma morria
olhar em meu redor, ter um sorriso pra todo o mundo
viver sem sentir dôr, fazer da alma poço sem fundo
e quando este meu ser, com outro ser venha a cruzar
sentir e nao temer, todo o amor por encontrar

vivemos sempre com medo, vivemos sempre na ilusão
vivemos, partimos cedo, fique a beleza que é paixão.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 14, 2006

Eu quero ser feiticeiro















Eu queria ser feiticeiro
Pintar almas, encantar
Ter na mão o mundo inteiro
E a todo o mundo ajudar

Limpar mágoas e tristezas
Limpar injustiças e dores
Dar a mão às incertezas
Libertar novos amores

Mas hei-de ser feiticeiro
Pra limpar o meu pensar
Libertar o meu terreiro
Dar-lhe algo novo a amar

Quero pois acreditar
Que me tornei feiticeiro
Deixei o passado passar
O futuro é companheiro

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 13, 2006

QUÉM ÉS TU?


Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?

A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas

A história da noite é o gesto dos teus braços
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas

SOPHIA DE MELLO B. ANDRESSEN

domingo, novembro 12, 2006

linha


na linha desenhada
de um horizonte
perdido
vejo o que sou
e o que fui,
e interrogo-me sobre
o que serei.
linha de um horizonte,
prometido
mil vezes,
nada mais resta
eu sei

Manuel F. C. Almeida

amizade versus amor


" quando alguém ama outrém, qual é que se torna amigo do outro; o que ama, do que é amado ou o que é amado do que ama?"

dialogos platónicos "lisis"

esta questão impõe-se à espécie humana desde á seculos. Afinal o que é a amizade?
o termo provém de um outro conceito: amigo. um termo algo ambiguo que implica a distinção entre amante, o que deseja, e amado, o que é desejado. mas qual deles se impõe? a questão continua sempre em aberto.
então como ja vimos amizade e amor são conceitos interligados, mas onde acaba e onde termina essa ligação?
Ninguém sabe, talvez a solução deste impasse nao resida nos conceitos em si mas nas expectativas que o outro nos cria e claro na matéria histórica de que somos feitos. Assim o amor e a amizade mais nao serão que diferentes perpectivas do mesmo sentimento, o sentimento de desejo por algo que nao seja o outro mas sim a sua representação. a amizade e o amor nao tem inicio nem fim, mas porque sao fruto da nossa projecção serão sempre conceitos condenados a serem escrutinados á luz da nossa vida passada. e neste impasse entre a resposta pessoal e a procura da universalidade impoe-se sempre algo como realidade; Os sentimentos são sempre fruto da nossa racionalidade quer sejam motivados pelo medo quer sejam motivados pela corajem de errar, porque errar faz parte de matrix humana e só a errar podemos conseguir aprender algo de util para o nosso futuro.

sábado, novembro 11, 2006

liberdade


A liberdade quer dizer responsabilidade.
É por isso que muita gente tem medo dela.

Bernard shaw
.
Ocorreu-me esta frase no momento em que procurava em mim respostas para a o desconhecido.
Pensei numa amiga de há uns anos que dizia:
- Eu sou livre. Posso ter um gajo cada noite e não ter de acordar todos os dias com a mesma face ao meu lado. Quantas mulheres mulheres nao terão ja dito ou pensado isto?
Nunca tinha especulado sobre o tema. Inclusive era para mim uma forma de vida bastante livre e assumida. Fiz em parte, parte da história daquela mulher.
Mas olhando para trás que lhe dei eu? Algumas noites de sexo nada mais. Que me deu ela?
Algumas noites de sexo nada mais. É este nada mais, que se transformou objecto do meu pensar.
Que fazemos nós humanos quando a liberdade que dizemos ter se transforma numa forma mais que clara de não assumir a responsabilidade de dar e de receber algo de alguém, de o fazer de forma voluntária e consciente, de partilhar a vida com outro sem esperar nada mais que a medida em que damos?
Questão tão difícil de responder como difícil seria procurar reduzir a espécie humana a um estereótipo. Eu mesmo durante anos segui essa prática sem me debruçar muito sobre ela. É verdade que na maior parte das vezes findo o momento, ficava comigo e embora estivesse acompanhado continuava só. Hoje pergunto-me, quando assim era será que eu estava mais triste ou mais feliz. Que fiz eu da minha liberdade quando a usei como arma contra outros?
Esta pergunta começa a perseguir-me como se fosse a derradeira etapa nas minhas questões sobre a vida. Seremos nós ainda humanos, ou clones com medo da responsabilidade de ser humanos.
Será a nossa liberdade uma coisa vazia ou implica acima de tudo respeito pelos outros e por nós mesmos? e acima de tudo será esta a liberdade de "ser" ou apenas a forma mais facil para nao olharmos para dentro de nós?

sexta-feira, novembro 10, 2006

off the wal


e lá fomos mais uma vez. a banda tocava peças dos pink floyd. e como tocava bem. o pavilhao apreciou a mestria dos executantes. nós de maos dadas ia-mos desenhando no espaço e no tempo esboços de um futuro a acontecer. e com as maos entrelaçadas no outro acariciavamos a alma, o espirito e o corpo. e quando o banda tocou o tema time ficamos suspensos no beijo terno e doce que trocamos. e nas palavras sinceras que lhe disse coloquei tudo o que sou. foi bom acreditem. muito bom. e quem gostar do album dar side of the moon, pode deixar a pagina aberta e ouvi-lo por inteiro

quinta-feira, novembro 09, 2006

amigo erótico



eu ontem fiquei a saber
uma nova realidade
que já não interessa amar
e nem tudo o que se diz é verdade

para eu tentar perceber
comportamentos neuróticos
inventaram um conceito
fomos amigos eróticos

escolhe-se então um amigo
e com um pouco de arte
dão-se umas quecas com ele
antes de o pôr de parte

sendo rapaz sempre pronto
aberto a novas experiências
vou passar a convidar
amigas pra “confidências”

e quando elas pensarem
que aquilo é coisa de amar
digo:- desculpa lá filha,
é erotismo a brincar