quinta-feira, novembro 09, 2006

amigo erótico



eu ontem fiquei a saber
uma nova realidade
que já não interessa amar
e nem tudo o que se diz é verdade

para eu tentar perceber
comportamentos neuróticos
inventaram um conceito
fomos amigos eróticos

escolhe-se então um amigo
e com um pouco de arte
dão-se umas quecas com ele
antes de o pôr de parte

sendo rapaz sempre pronto
aberto a novas experiências
vou passar a convidar
amigas pra “confidências”

e quando elas pensarem
que aquilo é coisa de amar
digo:- desculpa lá filha,
é erotismo a brincar

quarta-feira, novembro 08, 2006


sintra dos misterios e do orgone, levantava-se diante de nós. pelas suas vielas e becos mercantis, deambulamos de maos dadas com o tempo e (seria?) amor.milhares de turistas passavam e olhavam. creio que viam dois num só, tal era a força com que nos unimos. o riso, a alegria, o olhar seria só encenação?. começo a recordar hoje a minha ingenuidade, até a memória dos beijos me sabem a fel. creio ter sido mais uma estatua no jardim de medusa. devolvia-me á vida sempre que necessitava de mim. é como as crianças. quando fartas de um jogo colocam-no de lado e em frente a novo brinquedo tudo se renova e nada resta do viveram. agora feito estatua ainda resta-me aguardar que o tempo me torne á vida.

terça-feira, novembro 07, 2006

ponto de ordem á mesa














eu ja tive mil amantes
(exagero) de quase todos me recordo
umas castas, outras bacantes
com umas eu sonho , com outras acordo

agora condenado pelos deuses
a ser pouco mais que ignorado
recordo os dias em que deixei
alguém triste e magoado

nao há palavras pra expressar
o quanto te tenho pensado
como pude ser tao cego e ignorar
quão belo é ser amado

felizes sao os que amam
mais felizes os amados
perdidos estão os que esquecem
o quanto sao magoados.


a todos as mulheres que me amei peço desculpa mas sou sincero nunca amei assim e bastante me arrependo

segunda-feira, novembro 06, 2006




















Não sei quando vais ler ou se vais ler
Não sei se sem ainda pensas ou recordas
Sei que tinha de o fazer, de te dizer
Que estou ao pé de ti sempre que acordas

E quando abres os olhos para o dia
O universo volta a ter sentido
E faço do teu olhar o meu guia
Embora já seja esquecido

Talvez estejas a descobrir
Um novo caminho, uma nova paixão
Mas de ninguém iras ouvir:
- amor, beija-me o coração.

domingo, novembro 05, 2006

cold play



e em abril os cold play tocaram em portugal. e nós estivemos lá. sempre juntos, sempre como se foramos um. até quando quiseste ir mais á frente e eu, receoso por causa de algum toque que me pudesse magoar, ali ficaste, a ouvir a musica e quando tocaram for you, recordo o beijo longo que trocámos, a caricia que soltamos na alma do outro, e de maos dados com a musica assim ficamos. e como desejei ficar sempre contigo de maos dadas a deixar a musica fluir a ouvir speed of sound. não minha concubina era já amôr, nao só paixão, era mais que o fisico era o desejo de estar no outro e com o outro. e tudo parecia tão fácil.

o arco iris no ar















e a seguir á tempeestade
o arco iris no ar
que traga algo de novo
que conjugue o verbo amar

morena


as palavras tendem a a apagar-se diluidas nas gotas de sal por mim ja derramadas. deixemos a musica falar pelos nossos espiritos. Mas sempre na certeza de uma coisa. é bom sentir-te por perto. E é bom para dois

sábado, novembro 04, 2006

obidos das ruelas em flor e do licor de ginja em chocolate












começou hoje em óbidos o festival anual do chocolate e também lá fomos uma vez, deambulamos pelas suas ruelas pequenas mas lindas. visitamos lugares de cheiros especiais e claro bebemos a ginja pelo copo mais saboroso do mundo. Depois um longo beijo deu-nos o sabor do chocolate no outro. e toda a magia daquele lugar brotou tão doce como doce eram os copos . e quando a noite chegou eramos meninos, amigos e amantes eramos seres humanos apaixonados.

sexta-feira, novembro 03, 2006

aos meus amigos. obrigado.


so um beijo prá viajem.

quinta-feira, novembro 02, 2006

outono


o outono faz-me recordar sempre momentos de grande carinho e intimidade. onde os nossos corpos finalmente se saciaram e os espiritos começaram a desaparecer. Revisitar memórias é como olhar o Outono, são apenas folhas caidas no chão. Mortas pelo tempo e pela alegria de ter vivido. Sonhar é preciso viver nao é preciso.

quarta-feira, novembro 01, 2006

olhar
















Olho a janela dos teus olhos
Persianas corridas
Sobre a minha existência
mas inda assim encontro
Estas palavras para te dizer;
Dou-te um pedaço de mim para amar ou
Rasgar
Dou-te uma lágrima para resgatar
O amor que não me queres dar:
Dou-te a vida que não saberei
Cumpri sem te ter
e quando um dia nascer verás
que te amei até morrer….


autor desconhecido

os outros




















Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, outubro 30, 2006

eis-me


E aqui me encontro face a mim mesmo
Escrevendo textos que só eu entendo.
Que só eu
valorizo.
E aqui me encontro
nada mais resta
O sonho, o passado,
nada tem
Sentido.
Aqui onde me descubro e desnudo
Sou apenas eu.
Só eu me entendo.
Falo de momentos que
já foram presentes
Bebo e
despejo.
Bebo o sabor na memória.,
Despejo a mágoa e a dor.
E ainda assim só eu me entendo,
E ainda assim só eu sei a verdade.

Já não há memória que reste em mais ninguém.
Mas eu continuarei a dar-lhe vida


Manuel F.C. Almeida

Sem poesia, porque não sou poeta

















Eu queria amor libertar-me de ti,
Como qualquer escravo da saudade
E embora saiba que em ti morri
Não consigo pensar em liberdade

Eu queria amor não te ter amado
Nunca o teu rosto ter conhecido
Nunca por ti ter sido beijado
Nem pela paixão consumido

Eu queria amor … já nem sei bem
Talvez ter sido só teu confidente
Porque embora sentindo tanto desdém
Continuo a sonhar-te neste presente.


Manuel Almeida

domingo, outubro 29, 2006

Ericeira



E na ericeira com o mar ali tao perto, onde os surfistas cavalgam as ondas desenhando figuras no mar, nós cavalgavamos os nossos corações e tentavamos fazer pontes, solidificar o amor. e em tudo o que construiamos estava presente ( de forma aparente) o desejo de tocar a alma e o espirito do outro. E tudo acontecia como se nada pudesse quebrar algo tão belo e tao carinhoso. foi tao lindo este equivoco meu amôr.

Poesia, que sem ela a vida nao teria alma



´















Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,

É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Morais

sábado, outubro 28, 2006

o grande lago



ainda me recordo bem. ali estava o grande lago. olhei a imensidão de tanta água nas terras secas do alentejo. de soslaio olhei pra ela. de perfil contra as águas eu vi toda a beleza que o seu espirito tinha. ela olhou. desceu do lugar onde estava. abraçou-me e beijamo-nos longamente. como que a celebrar tanta paz e tanta vida que estavam ali presentes. e o canto das aves pareceu-me um hino ao nosso amor. afinal o canto das aves era apenas o seu canto de sereia.

sexta-feira, outubro 27, 2006

A Costa alentejana.


eis chegado o verão. A costa alentejana é linda para passear. Por lá existe sempre algo a descobrir. E quando duas pessoas apaixonadas se encontram sós em frente aos elementos Tudo parece ser simples. Tudo parece fácil. A vida toma outro valor, outros sabores. O cabelo solta-se e fica livre. Os olhos brilham de alegria. É tão bom estar contigo meu amor. Estávamos nós, o sol, a agua e o ar. Os quatro elementos primordiais. Demos as mãos. E quando as retiramos tínhamos descoberto a pedra filosofal. Transmutámos a paixão em desejo e da minha parte o desejo em amor. E o meu coração ficou dourado. Neptuno olhou e sorriu como só os deuses o sabem fazer. E Cupido divertia-se a fazer de nós os seus alvos. Beijei-a e nos seus labios, secos pelo sol e pelo sal, o sabor de ambrósia fez-me recordar o sabor de uns perceves. Suguei aquele beijo como se quisesse fundir-me na alma.
Era tão calmo estar contigo, tão bom, nunca pensei ser um dia bafejado por momentos tão doces. As nuvens da tempestade estavam ainda tão longe que nem se viam e eu habituado como sempre estive a prevenir tempestades deixei de ter esse dom.
E nem pensei que um dia poderia vir a molhar-me................

Bug ou reconhecer















ontem tive a oportunidade de trocar ideias com uma amiga, sobre os meus dois ultimos posts. no meio de uma conversa teclada, que decorre sempre bem com ela, chamou-me a atenção para um facto que eu começava a esquecer. O de que a memória vivida é memória de duas pessoas que muito se amaram( julga a minha amiga) e que expor pedaços da intimidade de um grande amôr nao deve ser feito.
A vida inteira fui feito de razoabilidade e na verdade senti que ela teria alguma razão.
E embora tenha a certeza de que nao passarei de um pequeno insecto a quem mandaram voar, qual joaninha, entendo que se entrar em pormenores muito intimos acabe por me tornar naquilo que me recuso a ser. Na natureza algumas espécies de insectos sacrificam o macho para salvar a prole. Serei um louva-a-Deus, nao quero ser um vampiro de memórias de outrens.
continuarei a postar sobre o amôr que vivi e que ainda está presente dentro de mim. Mas em nome da minha verticalidade e do amor que teima em nao se desvanecer, nao posso permitir que as minhas memórias sujem a beleza do que sinto e senti. ela é demasiado importante pra mim. Resolvi apaga-los.

quarta-feira, outubro 25, 2006

vidigueira




vidigueira. terras dos Gamas. estranho esta palavra Gamas. Nao sei porquê remete-me sempre para a palavra Gamar. ainda nao sei porquê, mas tenho a sensação de que existe um elo claro entre esta minha sensação e a perca de verticalidade na acção.talvez um dia posa explicar isto.

mas foi aqui numa das nossas muitas incursões pelo espaço dos nossos corpos e sentimentos que uma noite fiquei só. depois de a ter amado e ter sentido no meu corpo a beleza do seu. nem de baco necessitámos para livertar a sensualidade que existia entre nós. a tela que pintamos foi mais uma vez feita de milhares de cores.

será sempre bom voltar á vidigueira? nao sei. alguém o deve ter feito. um dia pergunto