segunda-feira, outubro 30, 2006

Sem poesia, porque não sou poeta

















Eu queria amor libertar-me de ti,
Como qualquer escravo da saudade
E embora saiba que em ti morri
Não consigo pensar em liberdade

Eu queria amor não te ter amado
Nunca o teu rosto ter conhecido
Nunca por ti ter sido beijado
Nem pela paixão consumido

Eu queria amor … já nem sei bem
Talvez ter sido só teu confidente
Porque embora sentindo tanto desdém
Continuo a sonhar-te neste presente.


Manuel Almeida

domingo, outubro 29, 2006

Ericeira



E na ericeira com o mar ali tao perto, onde os surfistas cavalgam as ondas desenhando figuras no mar, nós cavalgavamos os nossos corações e tentavamos fazer pontes, solidificar o amor. e em tudo o que construiamos estava presente ( de forma aparente) o desejo de tocar a alma e o espirito do outro. E tudo acontecia como se nada pudesse quebrar algo tão belo e tao carinhoso. foi tao lindo este equivoco meu amôr.

Poesia, que sem ela a vida nao teria alma



´















Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,

É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Morais

sábado, outubro 28, 2006

o grande lago



ainda me recordo bem. ali estava o grande lago. olhei a imensidão de tanta água nas terras secas do alentejo. de soslaio olhei pra ela. de perfil contra as águas eu vi toda a beleza que o seu espirito tinha. ela olhou. desceu do lugar onde estava. abraçou-me e beijamo-nos longamente. como que a celebrar tanta paz e tanta vida que estavam ali presentes. e o canto das aves pareceu-me um hino ao nosso amor. afinal o canto das aves era apenas o seu canto de sereia.

sexta-feira, outubro 27, 2006

A Costa alentejana.


eis chegado o verão. A costa alentejana é linda para passear. Por lá existe sempre algo a descobrir. E quando duas pessoas apaixonadas se encontram sós em frente aos elementos Tudo parece ser simples. Tudo parece fácil. A vida toma outro valor, outros sabores. O cabelo solta-se e fica livre. Os olhos brilham de alegria. É tão bom estar contigo meu amor. Estávamos nós, o sol, a agua e o ar. Os quatro elementos primordiais. Demos as mãos. E quando as retiramos tínhamos descoberto a pedra filosofal. Transmutámos a paixão em desejo e da minha parte o desejo em amor. E o meu coração ficou dourado. Neptuno olhou e sorriu como só os deuses o sabem fazer. E Cupido divertia-se a fazer de nós os seus alvos. Beijei-a e nos seus labios, secos pelo sol e pelo sal, o sabor de ambrósia fez-me recordar o sabor de uns perceves. Suguei aquele beijo como se quisesse fundir-me na alma.
Era tão calmo estar contigo, tão bom, nunca pensei ser um dia bafejado por momentos tão doces. As nuvens da tempestade estavam ainda tão longe que nem se viam e eu habituado como sempre estive a prevenir tempestades deixei de ter esse dom.
E nem pensei que um dia poderia vir a molhar-me................

Bug ou reconhecer















ontem tive a oportunidade de trocar ideias com uma amiga, sobre os meus dois ultimos posts. no meio de uma conversa teclada, que decorre sempre bem com ela, chamou-me a atenção para um facto que eu começava a esquecer. O de que a memória vivida é memória de duas pessoas que muito se amaram( julga a minha amiga) e que expor pedaços da intimidade de um grande amôr nao deve ser feito.
A vida inteira fui feito de razoabilidade e na verdade senti que ela teria alguma razão.
E embora tenha a certeza de que nao passarei de um pequeno insecto a quem mandaram voar, qual joaninha, entendo que se entrar em pormenores muito intimos acabe por me tornar naquilo que me recuso a ser. Na natureza algumas espécies de insectos sacrificam o macho para salvar a prole. Serei um louva-a-Deus, nao quero ser um vampiro de memórias de outrens.
continuarei a postar sobre o amôr que vivi e que ainda está presente dentro de mim. Mas em nome da minha verticalidade e do amor que teima em nao se desvanecer, nao posso permitir que as minhas memórias sujem a beleza do que sinto e senti. ela é demasiado importante pra mim. Resolvi apaga-los.

quarta-feira, outubro 25, 2006

vidigueira




vidigueira. terras dos Gamas. estranho esta palavra Gamas. Nao sei porquê remete-me sempre para a palavra Gamar. ainda nao sei porquê, mas tenho a sensação de que existe um elo claro entre esta minha sensação e a perca de verticalidade na acção.talvez um dia posa explicar isto.

mas foi aqui numa das nossas muitas incursões pelo espaço dos nossos corpos e sentimentos que uma noite fiquei só. depois de a ter amado e ter sentido no meu corpo a beleza do seu. nem de baco necessitámos para livertar a sensualidade que existia entre nós. a tela que pintamos foi mais uma vez feita de milhares de cores.

será sempre bom voltar á vidigueira? nao sei. alguém o deve ter feito. um dia pergunto

terça-feira, outubro 24, 2006


Modo de amar – III
1
É bom nadar assim
em cima do teu corpo
enquanto tu mergulhas já dentro do meu
1
Ambos piscinas que a nado atravessamos
de costas tu meu amor
de bruços eu
.
by Maria Teresa Horta

alfarim, meco, cabo espichel



chegamos a alfarim. a procura do local anteriormente marcado, revelou-se divertida, como tudo o que faziamos. entramos e os nossos labios fecharam-se um no outro. tanto era o desejo. tanta era a paixão. amámo-nos, procurei fazer daquele momento um momento de magia. queria que se sentisse como uma princesa. uma princesa adormecida que eu, com os meus beijos iria despertar. e foi tanto o amôr, tanta a dedicação que o meu coração quase parava na tentativa e no desejo de parar o tempo.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Para o meu filho


Está aí alguém?
Digam por favor se está aí alguém,
Eu não vejo.
És tu filho?
És tu?
Diz alguma coisa filho
Fala comigo.
Não me reconheces é?
Sou eu, o teu pai.
Sim o teu pai
Aquele amigo, onde tu dormias.
Que te irritava e te beijava.
Eu sei que parti filho, eu sei.
Não me reconheces?
Não o sou mesmo, dizes.
Talvez filho, talvez tenhas razão
Um sorriso filho?
Eu perdi o sorriso, perdi tanta coisa filho
Já nem eu mesmo me reconheço.
Eu sei que era alegre e brincalhão,
Sei que os meus olhos brilhavam para a vida
Sim eu sei filho
De nada vale falar como eu era.
Esse que conheceste morreu.

Sim filho, foi consumido
pelo sonho e pela ilusão.
por juras de amôr eterno.
Dele resta talvez e só o corpo.
O espirito está algures, e só tu, filho, só tu
o podes resgatar do abismo.
Por isso apróxima-te filho.
preciso do teu calor e dos teus abraços.
isso eu sei que é honesto.
que nao me empurra quando estou doente
que nao se envergonha de mim. sim filho nos teus braços
encontro a paz.


Manuel F. C. Almeida

parte III de muitas


AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU



Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Era Abril, os cravos abriam-se em Castelo de Vide, fiquei doente, apreensivo sobre se a conseguiria amar como ela merecia. Como nunca teria sido. Nem um fantasma que surgiu me impediu de sentir o mais feliz dos homens. Eu estava ali. Com a mulher que mais amava. Nem todos os demónios do mundo me conseguiriam fazer parar. O frio da serra pareceu-me o melhor local do mundo. Estávamos ali. O frio, a penumbra, a paz e o nosso amor. Era um círculo perfeito. Tivesse morrido nessa noite e levaria comigo o melhor sorriso do mundo.

parte II de muitas outras


“O caminho faz-se caminhando.” Vamos pois dar um salto. Um salto de 13 anos. Um salto que inicia a descida ao inferno. A data não mais esquecerei. Nesse dia em Lisboa tocavam os R.E.M. Foi aqui, num local a que chamam Almodôvar que pela primeira vez provei o néctar dos seus beijos, senti o frémito do seu corpo colado ao meu. Olhei os seus olhos sem nada temer. ( porque eu gosto de olhar os outros nos olhos) E o que tinha sido apenas sonho tomou forma. Só não sabia que, qual Ulisses, estava a ser arrastado pelo canto de uma sereia e que os seus olhos transformariam o meu coração em pedra. Nesse dia alguém me disse em jeito de revelação. “ Não gosto que ninguém acabe o eu comecei…”
Eu entendi e o meu coração encheu-se de alegria. O seu plano tinha começado. Só não sei se tinha consciência das consequências dos seus actos.

DIÁRIO DE UMA MORTE ANUNCIADA


foi à quatorze anos. aqui neste lugar a que chamam castro verde. cruzei-me com alguém. No ar senti o cheiro da vida. senti o pulsar do universo. o meu passado foi arrumado. o meu coração ficou cativo. durante anos o carcereiro fui apenas eu, no silêncio do olhar, no ruido da alma. o tempo parou e a vida era muito mais bela. Enchi a vida com a côr do arco iris. No fim estava um tesouro. Comecei a caminhada.

sábado, outubro 21, 2006

stone


Agarrei uma pedra. Era fria e apresentava algumas rugosidades. Gostei dessa pedra. O tempo tinha-a torneado de forma irregular no entanto era uma pedra linda. Julgo que também simpatizou comigo. Pelo menos não se queixou. Durante semanas a fio coloquei-a junto de mim. Sentia-me bem junto dela, ela não se queixava. Gostava que a acariciasse e adorava que, com carinho, lhe reparasse as marcas do tempo. Pelo menos não se queixava. Mostrei-lhe a cor do coração, as faces da alma, sempre a cuidar daquela minha pedra. Cheguei a senti-la parte de mim. Um dia, depois de bem cuidada e reparada, deixou-se levar para outro bolso.
Agarrei o coração e saiu-me uma pedra. Tenho de a reparar.

sexta-feira, outubro 20, 2006

sonhar

tempo
esperar
é sonhar-te
no tempo

carta













Parei o carro. O som a música de leonard cohen finalmente fazia-se ouvir de forma clara e límpida. Recordo a canção, “ Marianne”. Lá em baixo, o mar batia nas rochas e abraçava-as numa dança sem fim. Olhei em frente Pra toda aquela massa imensa de vida que se perdia diante do meu olhar. Recordo um momento em que me vi tentado a fundir-me naquela imensidão de força. A música trouxe-me de regresso á realidade. Puxei de um cigarro e acendi-o, um velho hábito agora retomado. Aspirei longamente o fumo e senti que não o deveria ter feito. Por entre as nuvens do cigarro a face do meu filho surgiu. Atirei o cigarro fora. Sentei-me numa rocha. Os meus pensamentos voaram
Em direcção ao desconhecido. Uma estrela anunciava a chegada da noite. E eu, ali, sozinho em frente do mar senti que aquele lugar era meu. Fiquei sentado, vencido pelo cansaço, esmagado pela beleza de um momento. Agora a musica era outra, “ bird on the wire”. Deixei-me invadir pela paz do local, pela beleza da música, pelos pensamentos que tingidos de dor se sobrepuseram a tudo. Completamente abstraído do mundo, assim fiquei largos minutos. A música foi-se. O único ruído que chegava era o ruído das ondas. Esse eterno retorno que teima sempre provocar uma certa erosão, desgastando agora um bocadinho depois outro. É agradável ver como a natureza se procura impor mesmo nas mais adversas condições. A recusa em abandonar a sua tarefa deixa-me sempre maravilhado. Senti que era invadido por um momento único de paz, de comunhão com o mundo. Era eu e o mundo e eu era parte desse mundo. Nada de magias, ou de truques. Apenas o sentir quão pequenas são as nossas preocupações face ás tragédias cósmicas. Olhei novamente o céu eram aos milhares as estrelas que cintilavam Para mim. Sorriam, como que a dar-me as boas vindas. Olhei para trás. Sentada uma figura impunha-se na escuridão. Não sei quem era. Ou o que fazia ali. Limitamo-nos a olhar o outro e a comungar daquele momento. Procurei-lhe as mãos. Eram doces e quentes. Sem trocar palavra beijamo-nos. Senti o seu pulsar. O ritmo do seu coração. E fui abraçado.
Ao acordar olhei o mar. Sorri. E de repente dei-me conta que contos de fadas só existem em sonhos. Voltei a olhar o oceano coloquei uma música de bob dilam e parti. Sempre gostei de ouvir aquela canção “ its all over now baby blue”.

quinta-feira, outubro 19, 2006

loking for ligth


uma porta aberta para luz
um trilho escondido
um sonho, uma ilusão, uma miragem!

quarta-feira, outubro 18, 2006

the end

the end

É vão o amor, o ódio ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento…
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!


Florbela espanca


Lindo poema desta poetisa maior do nosso mundo. Um poema que nos deve fazer reflectir sobre as manifestações de amor que damos aos outros. Porque de nada vale mostrar o nosso amor a quem deixou de ter ouvidos. A resposta está em nós, no meio de nós. Na nossa auto estima. Se alguém desdenha da nossa intensidade de amar, será que merecerá ser o centro do nosso pensar?
Difícil resposta esta, no entanto convirá que nos foquemos no que é lógico e racional. Se amámos ou amamos alguém isso não implica um sentimento do outro. Isso é apenas o nosso sentimento. Quanto mais nos convencemos de que os outros têm de responder da mesma forma, mais estamos a perder porque permitimos que a nossa vida dependa da vontade alheia, enfileiramos no mundo pelos outros. Assim a nossa infelicidade será atribuída aos outros quando no fundo é apenas resultado dos nossos pensamentos. Estarmos felizes ou infelizes é escolha nossa, apaixonarmo-nos ou não, são escolhas nossas. Aprendemos desde pequenos que os sentimentos não se controlam, também eu nos últimos tempos acabei por sucumbir a esses pensamentos. Mas será que isto é verdade?
Será claro que não controlamos os sentimentos? Eu acho que não é claro. Nada nos vem á sensibilidade que não tenha passado pela razão. ( se sentimos angustia é resultado de um pensamento, se sentimos êxtase é resultado de um estimulo cerebral) Ora a ser assim tudo o que sentimos é em primeiro lugar tratado na razão. Se nos apaixonamos ou se deixamos alguém é porque o desejamos, não porque tenha acontecido por acaso. E a resposta à nossa angústia está encontrada. Nós somos os donos do nosso pensar. Amámos fomos amados e acabou, então só nos resta um caminho, o de procurar-mos ser felizes, encontrar a felicidade dentro dos nossos pensamentos e deixar de ter pena de nós é sempre o primeiro passo. Quando olharmos o mundo com redobrada confiança talvez mostremos aos outros o quão bonitos somos e o que se perdeu. Mas acima de tudo sem medo, angustias ou temores. Amar sem nada pedir em troca é o primeiro passo para conquistar quem nos souber e quiser ouvir. Amar sem nada pedir em troca é assumir a liberdade de amar que nos merece. Lutar por algo é decisão nossa, tudo é decisão nossa. A liberdade, a vida e o amor são decisões nossas. Os outros não nos comandam. Quanto muito podem, ou não aprender a amar-nos. Mas a vida que temos é sempre decisão nossa.

terça-feira, outubro 17, 2006

PARIS TEXAS É JÁ AQUI


Era uma vez um homem.

Era uma vez um homem, um amigo meu, talvez o meu melhor amigo. Mas isso não importa para a história que vos quero contar.
O meu amigo chegou à minha terra faz anos. Recordo ainda a forma discreta como chegou, a timidez de que dava ares e a simpatia com que acolhia os sorrisos de outras pessoas. Pelo que consta vinha a fugir de um grande amor, lambia as feridas, como diz o povo. Cedo demais viu-se numa situação de saúde estranha e original. Amava a vida como nunca vi ninguém. Cavalheiro quanto baste nunca fez da sua vida em comum um lugar desagradável, apenas vivia pouco feliz, acho eu. Mas o filho e o comodismo tinham-no manietado. Soube anos depois que ele já tinha decidido que partir daquele lugar. Mas acredito que o fez em resultado de um amor enorme que começou a viver. Aconteceu que essa pessoa se encontrava livre e de repente o meu amigo deixa tudo e parte à conquista de um sonho de felicidade. Como podem ver uma história banal nada de transcendente. Mas há mais. No meio dessa luta que foi conquistar alguém ( agora que conheço bem a história acho que ele foi apenas uma muleta, e o pobre coitado sempre acreditou ser especial quando foi apenas mais um, vaidades masculinas que as mulheres alimentam) aconteceram ameaças físicas, verbais, mas acima de tudo aconteceu uma entrega total por parte dele. Nunca tal tinha feito nem nunca tal tinha sentido. Cego pela paixão, viveu ano e meio entregue nas mãos de Cupido. Mas como todas as histórias reais também esta é sobre o quão estranho é ser-se humano. Pelo que ele me contava e as pessoas com quem a companheira dele falava, ele era para ela o ser mais meigo e carinhoso que algum dia tinha encontrado.
Começaram a construir mundos nas conversas, mundos nos quais ele se imaginava, pobre tolo, a envelhecer junto a ela. Afinal entre eles tudo era perfeito. Do sexo ao prazer em estar acompanhado, tudo funcionava bem. Tudo digo eu, algo deveria não ser assim tão bom, pelo menos para ela. As coisas começaram devagar, mas a perspicácia dele e a maldade humana alertaram-no para uma realidade que se desenvolvia debaixo dos seus olhos, mas que ele teimava em não ver. Aquela que dizia que ele era insuperável apaixonou-se por outra pessoa. Incapaz de ser sincera, começou os jogos que acontecem nestas alturas. Mas ele descobriu, tal como disse por intuição e por maldade humana. Suportou uma primeira crise na qual ela lhe disse que lhe começaram a surgir duvidas sobre a relação que mantinham, e que inevitavelmente teria de lhe dar um tempo. Nem a amizade, nem a sinceridade que ele pôs na relação durante tanto tempo foram úteis. Sei que ainda assim estava disposto a tentar mais uma vez, a recomeçar lentamente a construção parcialmente arruinada. Mas era demais. Pedir tempo a alguém depois de uma relação perfeita (na boca de ambos) de ano e meio é o mesmo que colocar um preso condenado á morte no corredor da mesma. A esperança do indulto nunca acaba, mas no fim a injecção acaba por acontecer e esperou-se tempo demais. Segundo o que me contou apresentou-lhe um ultimato, sabendio de antemão que ela não necessitava de tempo nenhum, ela já tinha decidido. Acabou um amor de ano e meio, acabou com o sonho do meu amigo pelo telemóvel, nao foi capaz de o olhar nos olhos. Não sabendo entretanto que aquele por quem o trocou não tinha a mais pequena ponta de interesse nela. Que era apenas um amigo de longa data. Quando o meu amigo acabou de me contar tudo isto, perguntei-lhe se podia publicar. Não que fosse uma história importante, mas exactamente pelo facto de ser banal achei que deveria ser conhecida. Afinal ele sempre se tinha defendido, menos desta vez. Infelizmente aquele homem ja nao existe. Partiu sem rumo( qual travis) certo á procura de si mesmo e dos cacos que lhe pertencem. Quanto á sua amada, bom penso que ainda iremos ouvir falar nela entretanto anda por ai. Feliz como sempre, ( agora inda mais afinal sarou as suas feridas e desfez-se das muletas) consta-se que colecciona almas mas pouco mais sei sobre ela. É uma pessoa estranha. Ele descrevia uma Senhora, dava-lhe até atributos de deusa. Mas cá para mim as deusas estão mortas e as senhoras, bom essas sabem sempre enganar os incautos.

domingo, outubro 15, 2006




Vive esse amor novo querida vive-o bem
Não deixes que a memória o destrua
Mostra o teu ser, toda a beleza nua
Com que um dia encantaste alguém

Entrega-te a ele como só tu sabes
Entrega-te a ele e serás feliz
Que a tua indecisão não te diz
Em que coração é que tu cabes

Este que te fala, fala o que sente
Diz que tem dor, tem mágoa, que é gente
Diz que está triste que ficou sem chama

Mas isso querida já nada lhe vale
É flor que morreu, morreu pelo caule
É a sorte de quem sempre te ama.

sagher