
Agarrei uma pedra. Era fria e apresentava algumas rugosidades. Gostei dessa pedra. O tempo tinha-a torneado de forma irregular no entanto era uma pedra linda. Julgo que também simpatizou comigo. Pelo menos não se queixou. Durante semanas a fio coloquei-a junto de mim. Sentia-me bem junto dela, ela não se queixava. Gostava que a acariciasse e adorava que, com carinho, lhe reparasse as marcas do tempo. Pelo menos não se queixava. Mostrei-lhe a cor do coração, as faces da alma, sempre a cuidar daquela minha pedra. Cheguei a senti-la parte de mim. Um dia, depois de bem cuidada e reparada, deixou-se levar para outro bolso.
Agarrei o coração e saiu-me uma pedra. Tenho de a reparar.
















