quarta-feira, fevereiro 02, 2005

SAUDADE DO QUE NÃO TIVE



HÁ! COMO EU SINTO, PRINCESA, SAUDADE
DAS MIL CARICIAS QUE NÃO DEMOS
DOS DIAS TERNOS QUE NUNCA TIVEMOS
DE NÃO ESTARMOS JUNTOS PRA ETERNIDADE

E COMO INVEJO, DOCE AMIGA, A SORTE
DAS MÃOS QUE NO TEU, RECENTE, PASSADO
PROFANARAM TEU CORPO, VIOLENTADO
E QUASE LHE DERAM UM TOQUE DE MORTE

E QUANDO HOJE TE VI DE LONGE, AO PASSAR
OLHEI PARA TI E FIQUEI A SÓ, A CANTAR
ESTA MINHA SINA, ESTE NOSSO FADO

E, POR BREVES SEGUNDOS, EU VI-ME A DANÇAR
ABRAÇADO A TI, EU E TU UM SÓ PAR
E A BEIJAR-TE NA ALMA, COM TODO O CUIDADO

clube de leitura

ontem aderia a um clube de leitura. eram 21 horas e 20 minutos quando entrei na sala. em torno de uma mesa, gente viciada em livros deleitava-se a reler passagens dos seus livros. entrei convidaram-me a sentar. assim fiz. o animadôr da sessão apresentou-me. de seguida pediu-me para ser eu a falar de mim. timidamente levantei-me e embaraçado apresentei-me:
sicrano de tal, 43 anos. estou aqui para me juntar a vós. ( a voz embargou-se) estou aqui porque ( e coloco as maos na cara de vergonha) finalmente admito; sou um viciado em livros. velhos novos, bd ficção poesia, prosa enfim tudo e estou aqui porque preciso de ajuda.
suava quando acabei, as maos tremiam-me e olhei de soslaio para a minha vizinha. tinha cara de intelectual, abraçava uma obra de gogol e os olhos estavam marejados de lágrimas. foda-se soube mesmno bem ter um grupo.

sexta-feira, dezembro 31, 2004

tempo

esperar
é sonhar-te
no tempo

just another song

Dizem que a POESIA se opõe à
Poesia
Pelo seu caracter universalista
Que um POETA só o é se
Não falar dos seus sentidos.
Coitados
Reduzem a poesia à lógica
E a beleza à matemática

Porque ao POETA importam as coisas
A vida
As tragédias
As alegrias
Os amores e desamores
Porque o poeta é humano
a poesia é vida

terça-feira, dezembro 28, 2004

poema sobre a tragédia de ser

Começas por ser criança. Por desejar agradar aos teus pais, amigos e à sociedade em geral. Estudas, ou não, depende da tua condição social e das expectativas que crias ao crescer. Durante esta 1ª fase de crescimento fazes as coisas por imitação, não raciocinas, limitas-te a copiar porque sabes que se copiares és aceite e tu queres ser aceite. Cresceste, és homem ou mulher, tens um curso superior ou não. Mas estás desde já formatado. De seguida é a procura de um emprego que te preocupa. A aceitação passa por aí, por ter um emprego. Depois procuras companhia, um amor para toda a vida, como te ensinram. E continuas formatado. Pensas em viver ou casar com essa pessoa. E corres para o banco a pedir um empréstimo para comprar casa. Depois é o casório, ou a vida em comum. A aparelhagem, o vídeo, o dvd, a televisão ( a peça mais importante) e se o dinheiro não chegar os bancos ai estão! Prontos para te emprestar. E tu também queres um carro. Mas um carro que a condizer com a posição social. Afinal tu és alguém. Não sabes quem, mas sentes-te alguém. E mais uma vez recorres à banca. Eles lá estão sorridentes, solícitos, amigos. Eles lá estão e tu também. E um dia alguém te diz que é necessário lutar por direitos que te querem retirar. Mas tu não podes, qualquer dia de trabalho perdido é um sufoco, tens os empréstimos todos por pagar. Não podes lutar. Confias nas pessoas em votas-te. Afinal eles representam o povo. Vives em democracia, nada tens a temer. Mas as leis começam a ser feitas contra ti, 1º contra os de mais baixo estrato social, e aí tu ficas descansado, afinal não és um deles. Tu também tens um curso superior na maior parte dos casos, votaste e tens sido um cidadão exemplar, auxilias quando te pedem, participas nas eleições, és uma pessoa de bem. Sócio do clube da terra até já fizeste parte dos corpos gerentes. Escreves e gostas de debater as ideias. Um homem de bem. Talvez católico, não praticante. Mas depois vêm as leis que te atingem e tu não queres crer. Recusas a ideia de ser tratado como os outros. E continuas a tua saga de pagamentos, contribuições, donativos, altruísmo. Até um dia. Um dia olhas o espelho. E perguntas: quem sou eu? Que faço aqui? Que foi que fiz a mim mesmo?. Mas é tarde. Tens de continuar a viver a farsa. Uma comédia trágica em que o fim anuncia a tua morte enquanto pessoa, ser pensante. E sais de casa. Dás um beijo aos filhos, olhas a tua companheira dos últimos tempo e dizes até logo. Nem lhe pedes desculpa, não sabes como nem porquê. Sabes que já nada faz sentido. Só o amor pelos filhos e mesmo esses estão a ganhar asas. A começar a merda de vida que tu trilhas-te. Queres alertá-los, mas não te deixas. Queres gritar-lhes para serem felizes, para não entrarem neste jogo, mas não podes. Estás formatado. E eles começam a estar. Trabalhas, comes, dormes, a vida não tem paixão, não faz sentido, arrasta-se todos os dias numa monotonia reconfortante e em simultâneo assustadora. Tens casa, carro, tv, e todos os sonhos que um dia te deram. Mas estás morto. Não tens autonomia, não és livre. E fica triste, se fores pessoa de bem. E um dia acordas e dizes á companheira: -desculpa! Dizes aos filhos:- desculpem! E sais para a rua á procura de quem como tu acordou de um sonho, mas estranhamente todos te olham com ar de reprovação. Sentes-te só. Terrivelmente só. Só como se o mundo tivesse desaparecido e não houvesse esperança. E recordas uma canção de Jorge Palma: deixa-me rir. E de repente desatas a rir. Beijas a 1ª mulher bonita que encontras e partes à procura da liberdade que um dia vendeste.

sexta-feira, dezembro 17, 2004

quem sou

É no sonho dos teus dias
Que me faço real.
Mordaças de tristeza e raiva
Calam a minha existência,
Há muros de silêncio enfadonhos
Içados pelos homens.
Desejo! Quero!
Reclamo um local
Para viver ou morrer.
Os lagos ficam espelhos
Sem o falar do vento.
Os dias correm placidamente iguais;
Como o vento, acariciam as tuas faces de porcelana
Oriental.
Morrer na lembrança dos teus dias,
É apenas o recusar a memória.

AO PASSADO


Olhar o tempo,
esquecer o espaço.
Só o horizonte do ser
Marca o compasso da vida
Partir.
Mudar de tempo e
de lugar.
Quero recorda como Sócrates.
O afago de uma vida
Num pedaço
De memória

pensamento

há num gesto, num olhar;
todo o mundo, num momento;
toda a caricia do amar;
toda a vida, sentimento.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

resposta do rapaz

O rapaz, entusiasmado pela resposta apressa-se a responder, agora com um pouco mais de malícia, quase a tocar a vulgaridade.


Desculpe mais uma vez
Mas não posso ignorar.
A proposta que me fez
Deixou-me quase a babar

Depois de ler o recado
De me pôr a matutar
Levantou-se me o cajado
Só de ficar a pensar

NO seu corpo bem formado
Cheio de fogo no ventre
Que de tão necessitado
Quase convida que entre

E de seguida só penso
O que é estar a percorrer
o seu corpinho bem tenso
Só com a língua a correr

E nisto fico perdido
Sinto as calças a saltar
Como se tivesse comido
Especiarias ao jantar

Fico cá c’uma vontade
De lh’apagar esse ardor
Que dou saltos d’ansiedade
Tão intenso é o calor

Pois fique já a informada
Nada terá de temer
Será sempre bem tratada
Poderá ou não gemer

nada de ficar assustada
Isso é coisa natural
gemer com uma minetada
Só faz levantar o moral

domingo, dezembro 12, 2004

matematica

o tempo corre
de mansinho
por entre giestas
e silvados.
lá onde os amantes
vivem
a agonia da vida
o tempo corre
de mansinho
é só equação
perdida

FOR THE ONE I LOVE

Afagar-te os seios,
Beber-te a vida.
Mesmo agora que não passas
De um ponto perdido
No tempo

Sugar-te os lábios,
Perder-me em teu cabelo,
Mesmo agora
Que mais não és
que uma quimera;
um tesouro sem mapa.

Felizes os que têm memórias.
Podem amar no passado
Como se fora presente.

resposta

Aqui vai a resposta da jovem divorciada á investida do seu poeta amante. De realçar que tudo isto pode ter acontecido ou vir a acontecer.



Cá recebi seu recado
Tudo li com atenção
É na verdade engraçado
Tanto desejo e paixão

O que mais apreciei
Foi o seu jeito cuidado
Acredite que gostei
De o saber interessado

Mas pra que fique a saber
Não conheço tanto prato
Usava meu marido dizer:
Que tinha bico de pato

Pode inda ficar informado
que há coisa que não sei
meu marido era quebrado
com outro céu, só sonhei

mas como é tão experiente
nas artes de bem beijar
terei de ser paciente
e deixa-lo trabalhar

Cá fico, com ansiedade
À espera de suas lições
Que se tudo for verdade
Soltarão em mim paixões

E se tal acontecer
Não fique muito assustado
Tenho o corpinho a arder
O baixo ventre tostado.

sábado, dezembro 11, 2004

alentejo

ALENTEJO
Os olhos deleitam-se
na ternura do horizonte.
Pontos brancos salpicam
E estepe prenhe
De passados.
Momentos vividos
Num esquecimento já distante.
A imutabilidade da paisagem
É o único presente.
O silêncio é constante e
Terrivelmente agreste.
O Alentejo é dos montes
De memórias perdidas noTempo

Neruda

Eu queria escrever-te versos
Tristes como a noite to you
Mas Neruda já o fez

Queria ter palavras novas,
símbolos, frases
Que te arrebatassem e te
Aproximassem de ti mesma

Mas não tenho as formas.

Os conceitos que expressam
Isto
Terão de inventados.
Retirados do mundo mágico
Da paixão e colocados
Ao serviço do amor.

Eu queria escrever-te versos
Tristes como a noite.
Mas não sei

QUADRAS BREJEIRAS

A história, verídica, é baseada nos sonhos de um jovem amante em relação á sua amada. Temendo que a sua acção fosse vista como apenas platónica, quis o rapaz dar a conhecer as artes de que era já experiente.

O BEIJO

Saiba vossa senhoria
Q’eu a beijar sou um mestre
Tanto beijo uma Maria
Como uma emigrante de leste

Em jovem fui ensinado
Nessa arte sempre nobre
À francesa, linguado
Gosto o rico e gosta o pobre

Também fui bom aprendiz
De beijos noutro lugar
Coisa que faz mui feliz
Quem deles está a provar

O segredo é começado
Nos beijos dados no lábio
Devagar e com cuidado
Logo se nota ser sábio

Mas caso aqui corra mal
Resta sempre outro lugar
Para o Homens é um local
De que se estão sempre lembrar

maminhas bem desenhadas
merecem muita atenção
já que muito bem tratadas
fazem saltar a te(n)são

As coxas, dedos do pé
Todo deve ser beijado
É dever beijar-se até
O paraíso orvalhado

Se tiver pois precisada
Deste ou doutros favores
Não se faça de rogada
Eu com beijos, tiro calores.

Palavra que és

Palavra que és

Vives no mundo das palavras
Teu corpo é letra esculpida
Tua face, frase despida
Tua mente, imagem lavrada

Vives no mundo da idéia
No mais escondido recanto,
Onde o óbvio mais não é que espanto
Onde todo o real se incendeia

És imagem não mais que fugida
És sonho não mais que adiado
És terra, és gosto, és vida,

És desejo maldito, nunca odiado
És mulher, por mim não possuída
És este louco amor, sempre cantado

sábado, dezembro 04, 2004

COERENCIAS

Vamos ser um pouco serios. o salazarismo e o pcp são caminhos paralelos. Salazar morreu mas o salazarismo não. o PCP pode caminhar para o abismo, não duvido, mas, fiel a anos de luta e principios, não quer morrer oco de ideologia ou de sentido, embora não concorde com este caminho, não deixo de dizer que o gesto de algum romantismo que tudo isto revela é puro, coerente e acima de tudo permitirá que quando ( caso aconteça) o comunismo se impôr como uma inevitabilidade histórica pra dar lugar á anarquia, nesse momento alguns comunistas poderão dizer, eu fui fiel ao meu partido, que para mim era o que melhor interpretava marx. E embora eu não concorde com esta visão, ela revela alguma gente de caracter. Que o mestre BARATA MOURA ME NÃO DESMINTA

SAUDADE DO QUE NÃO TIVE

HÁ! COMO EU SINTO, PRINCESA, SAUDADE
DAS MIL CARICIAS QUE NÃO DEMOS
DOS DIAS TERNOS QUE NUNCA TIVEMOS
DE NÃO ESTARMOS JUNTOS PRA ETERNIDADE

E COMO INVEJO, DOCE AMIGA, A SORTE
DAS MÃOS QUE NO TEU, RECENTE, PASSADOI
PROFANARAM TEU CORPO, VIOLENTADO
E QUASE LHE DERAM UM TOQUE DE MORTE

E QUANDO HOJE TE VI DE LONGE, AO PASSAR
OLHEI PARA TI E FIQUEI A SÓ, A CANTAR
ESTA MINHA SINA, ESTE NOSSO FADO

E, POR BREVES SEGUNDOS, EU VI-ME A DANÇAR
ABRAÇADO A TI, EU E TU UM SÓ PAR
E A BEIJAR-TE NA ALMA, COM TODO O CUIDADO

quadras a uma amada

como posso eu dizer
tudo o que estou a pensar
sem os ricos de perder
a docura desse olhar?

talvez se tiver cuidado
e usar sinceridade
tu aceites de bom grado
esta " especial" amizade

mas já não posso adiar
tenho mesmo de dizer:
que a beleza desse olhar
é uma razão pra viver

sexta-feira, dezembro 03, 2004

poema

EU VI A LUZ QUE TRANSPORTAS
SOBREVOAR A VIDA POR ENTRE
O RUMOR DA MULTIDÃO.
CAMINHAVAS SÓ. DISCRETA, COMO UMAPRINCESA
NUM CONTO DE FADAS.
PAREI A OLHAR-TE. MANIETADO.
NA ESPERANÇA DO MEU
OLHAR TOCAR TUA ALMA.
E TAL COMO AS ONDAS NO MAR
GRAVAR EM TI SULCOS AO MORRER.
E TU SEGUIS-TE
CHOREI NA ALMA. CHOREI POR MIM