segunda-feira, dezembro 25, 2006

o rei morreu



this is the man's world

domingo, dezembro 24, 2006

natal



















Hoje, um pouco por todo o lado, o ocidente cristão mergulha na sua mais importante efeméride religiosa. O nascimento do Messias.
Nesta altura aparentemente, as pessoas são mais sólidarias. Até os que não acreditam no fenómeno religioso são contagiados em parte pelo espírito natalício. No entanto não creio que este espírito seja espontâneo. Esta solidariedade festiva, em meu entender, esconde, na maior parte das vezes, apenas e só muita hipocrisia. Na verdade entendo que a solidariedade é uma obrigação de todos nós e em todos os dias do ano. A educação para uma sociedade solidária deveria fazer parte dos currículos escolares. Mas a verdade é que não faz.
Esta época nao passa pois de mais uma data em que mergulhamos no consumismo de coisas supérfulas apenas e só para alimentarmos o ego dos nossos filhos e o nosso estatuto social. E enquanto nós assim fazemos, pelo planeta existem milhões de irmãos nossos que morrem de fome e de doenças passíveis de serem tratadas, que morrem vítimas de minas e de armas construídas nas fábricas do ocidente. Era nossa dever e obrigação, pressionar os nossos dirigentes a mudar de politicas, era nosso dever ajudar. Mas que nos interessa se em cada 3 segundos morre uma criança de fome? Nós não temos culpa pois não? Não somo culpados de nada, não somos nós que governamos, não somos donos das fábricas de armamento, nem somos nós que deitamos fora toneladas de alimentos que deixamos estraga. Não somos culpados e assim ficamos bem com a nossa consciência. Ficamos em paz com o nosso Deus.
Mas quem elege os governos? Quem se sente bem com o salário recebido das fábricas de morte, quem compra acções dessas empresas e aufere dai bom rendimento?
Seria interessante, que o natal fosse um dia de partilha, onde todo o planeta tivesse o suficiente para viver. Que partilhássemos tudo, que os nossos filhos dessem e trocassem brinquedos com quem não tem, que em suma se fizesse de todos os dias um dia de natal, já que todos os dias nascem crianças e em cada nascimento está a salvação da espécie, porque em cada uma que nasce há um natal que sorri nos seus olhos. E que todos tivessem as mesmas oportunidades na vida. Só assim seria cumprido o espírito natalício e se faria um mundo mais livre, mais justo e mais solidário.

soneto por vinicuis de morais





















De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Que vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

( Vinícius de Moraes

sábado, dezembro 23, 2006






















Pintei a alma de negro,
Com tinta sem qualidade
Espetei nela mais um prego
Uma marca da saudade.

E em cada marca que faço
Fica um ponto a lembrar
Que naquele lugar há um laço
Bom ou mau pra recordar

E em cada ponto marcado
Uma nova cor vai surgir
Que me leva a outro lado
Pra novamente sorrir.

Manuel F. C. Almeida

o amanhã a chegar.




















No meio da multidão
Acabamos por estar sós.
Que estranho destino
Temos nós?

Na aurora dos dias
Que passam, caminhamos
P´las escuras vielas
Da vida
Tacteamos o tempo
Na ânsia da paz
Perdida.
E cada sonho que sonhamos,
É esperança e coragem a ser
Vivida.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

prisões



Gélida
A face dos deuses
Traz-me à lembrança
Todos os medos.
Criei os meus carcereiros
E agora clamo pela
Liberdade?

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Fenix


















Hoje faz anos
Que o que o poeta nasceu.
Partiu á procura
Do mundo.
Olhou o teu
Rosto
E morreu.
e voltou a viver
noutro rosto
noutro corpo
onde renasceu.

Garimpo
















Poetas,
Mineiros
De pedras preciosas
Ocultadas
Nas palavras
Que dormitam
Em silêncio.
Escrevem poemas
Cantando o tempo,
O abrir caminhos
E o fazer de pontes,
Entre a morte
E a vida;
Entre o passado
E o futuro.
Manuel F.C. Almeida

DEPOIMENTO




De seguro,
posso apenas dizer que havia um muro
e que foi contra ele que arremeti
a vida inteira.
nao, nunca o contornei.
nunca tentei
ultrapassá-lo de qualquer maneira


A honra era lutar
sem esperança de vencer.
e lutei ferozmente noite e dia,
apesar de saber
que quanto mais lutava mais perdia
e mais funda sentia
a dor de me perder.

MIGUEL TORGA

quarta-feira, dezembro 20, 2006

APELO



Quem quer que sejas, vem a mim apenas
De noite, quando as rosas adormecerem!

Vem quando a treva alonga as mãos morenas
E quando as aves de voar se esquecem.

Vem a mim quando, até nos pesadelos,
O amor tenha a beleza da mentira.

Vem quando o vento acorda em meus cabelos
Como em folhagem que, ávida, espira…

Vem como a sombra, quando a estrada é nua,
Num risco de asa, vem, serenamente

Como as estrelas quando não há lua
Ou como os peixes, quando não há gente…

Pedro Homem de Mello

terça-feira, dezembro 19, 2006

Poema a tinta da china



















Uma gota de orvalho
Que rola
Uma abelha que enfrenta
Uma flor
Um avião que na pista
Descola
Um poeta que canta
O amor

Uma criança que nos olha
A sorrir
Uma estela que paira
No ar
Um caminho que temos
De abrir
Um corpo de mulher
Para amar.

Equivocos



















Eu quis fazer de uma mulher
O que não devia
Um templo onde eu extasiado
A pudesse ver
E nunca reparei se ela queria
Ser deusa
Num templo meu querer.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 18, 2006


É natal em parte do mundo mas deveria sê-lo em todo o lado. É natal a 25 de Dezembro
Mas deveria ser todos os dias para toda a gente. Não que celebrássemos o nascimento de um qualquer Messias, mas celebrar-mos o nascimento de milhares de crianças seria só por si suficiente. É natal e as pessoas parecem ser mais solidárias. Que engano, são apenas mais hipócritas. No natal as pessoas vestem novas roupagens e deliciam-se com as suas boas acções comungando do espírito da época. A voracidade com que se gasta dinheiro no hemisfério norte contrasta com a desolação e fome do hemisfério sul.
Milhares de crianças do norte gozam milhares de novos brinquedos de centenas de euros. Cinco euros apenas, sim 5 euros, são o suficiente para combater doenças como a lepra. Será que todos nós temos consciência disso? Quantos de nós têm consciência disso. Quantos contribuem? Quantos dizem aos filhos que a melhor prenda do mundo seria ajudar a salvar uma vida distante e desconhecida pelo simples prazer de o fazer?
Ajude, contribua para erradicar a morte e a fome no mundo. Bastam 5 euros e uma dose de boa vontade humana.

Formas de o fazer:
AMI- Remessa livre
25049-1148 lisboa codex

Conta do milenium ( não é minha a propaganda)
020450100492823

Ajudem 5 euros podem fazer a diferença a quem deles necessita.














Hoje cruzei-me
Com o desconhecido.
Olhei para ele
E sorriu.
Convidou-me a
Segui-lo na caminhada.
Fui de imediato tentado.
É sempre aliciante
Seguir o desconhecido.
Faz-nos sentir vivos.
Só lamento que uma
Vez conhecido
O desconhecido
Se esqueça de nós.
Mas é sempre assim
Só estamos bem
Onde não estamos.

Manuel F.C.Almeida.

domingo, dezembro 17, 2006

E fiquem-se com a velha musica que deu polemica


e dancem ao som desta linda musica

a todos os amigos.





















O meu amigo partiu
Nada fiz para o deter
Ele ainda me sorriu
Mas eu já não queria ver

É sempre triste partir
Mas por vezes tem de ser
Pra voltarmos a sorrir
Pra voltarmos a viver

E quando um amigo partir
Seja qual for o momento
Recordemo-lo a sorrir
Que fique no pensamento

Porque amigos verdadeiros
É coisa rara, em extinção
Nunca os queiramos cordeiros
Mas gente com coração.


Manuel F. C. Almeida













Podia cantar o amor fugido
Cantar a intensidade acontecida
Mas esse amor é amor ido
Viveu comigo e está de partida

Todo passa, tudo vai, ate a dor
De quem viveu amargurado
Por ter dado tanto amor
E por esse amor ser só usado.

Por isso eu canto o amanhã
O dia que está para chegar
Uma bela e alegre manhã
Em que voltarei a amar.

Manuel F.C. Almeida