segunda-feira, novembro 27, 2006

um pais mais pobre














partiste de madrugada,
sem barulhos
sem alaridos.
coisa que tu
tanto gostavas.
eras um provocador
maricas e honesto.
ficámos mais pobres
hoje.
que os teus poemas,
a tua pintura,
a loucura feliz
do teu olhar
nos diga sempre,
vale a pena viver,
vale a pena ser homem,
vale a pena lutar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 26, 2006

quando o amor














o meu amor partiu, foi-se, acabou
outros estarão pra chegar.
nao vale a pena chorar
quem do nosso amor desdenhou

a vida é como a maré
sobe e baixa, como alua.
e só a realidade crua
nos devolve a vida como é.

olhar então o passado
nao nos dá nada de novo
então, como diz o povo,
fique o passado enterrado

saibamos olhar sempre em frente
com o olhar de quem quer ver
e outro amor ira nascer
feito na hora, feito presente.

e quando o momento chegar
tratemo-lo com todo o carinho
façamos dele novo ninho
pra que o possamos cantar.

poema da memoria















agora que és vida sem retorno
que és madrugada, mas sem côr
canto para ti todo este amor
onde recordo teu corpo morno

agora que és fantasma, sem regresso
que és por do sol em tarde calma
canto para ti um canto de alma
canto o amor que nao te peço

agora que és vela aberta ao vento
que és gaivota, livre no voar
eu canto a terra, o fogo e o ar

canto a vida, e canto o tempo
pra que possa em mim apagar
esta ferida que teima em nao sarar

Manuewl Filipe Carvalho de Almeida

sábado, novembro 25, 2006

Eles eram bons. E ainda sao














Something in the way she moves
Attracts me like no other lover,
Something in the way she woos me.I
don’t want to leave her now,
You know I believe and how.
Somewhere in her smile she knows
That I don’t need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.
You’re asking me will my love grow,
I don’t know, I don’t know.
You stick around now it may show,
I don’t know, I don’t know.
Something in the way she knows
And all I have to do is think of her,
Something in the things she shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

teoria do beijo




















um beijo dado a rigor
é sempre algo que liberta
se for então com calor
é porta do céu aberta.

abre as portas do prazer
antecipa o que está pra vir
façamos pois por merecer
o nirvana a atingir

nao interessa aqui o amor
nao interessa a intenção
só pesa aqui o ardôr
que traz prisioneira a paixão

nunca esqueçam o momento
muito menos o sabor
dos beijos que em movimento
dão ao mundo nova côr

sexta-feira, novembro 24, 2006

CONFESSO, ESTOU VICIADO EM ESCREVER


















A UMA AMIGA ESPECIAL

Já foste amiga, confidente.
farol prá minha barca,
tesouro da minha arca,
noites de falas presente.

agora serás só memória
das noites de companhia
foi-se o riso, a alegria
ficou tristeza feita história

e hoje vivo a pensar
onde possa ter errado
se na frontalidade do fado
se na confusão do falar

se te equivocaste agora
no meu jeito p'ra contigo
sabe que sou teu amigo
e tenho saudades do " ora ora"

MANUEL FILIPE CARVALHO DE ALMEIDA

quarta-feira, novembro 22, 2006




















Nos últimos dois meses escrevi quase diariamente neste local. Era o meu confessionário, o local onde deixei as minhas mágoas, as minhas lágrimas, as minhas alegrias e tristezas. Durante dois meses recebi de muitos manifestações de carinho e amizade que a todos agradeço. Mas o texto de Miguel Sousa Tavares deu-me talvez a real percepção do que sou. O texto e infelizmente a minha saúde que se agravou nas ultimas horas. Vou começar um ciclo na minha vida que se não compadece com o que a alma sente. O que me acontecer não será publicada aqui. Aliás nada mais penso publicar.
Não vou nomear nomes, os que se manifestaram de forma sincera sabem o quanto lhes agradeço. Os que o fizeram para auto justificar as suas atitudes, e foi apenas uma pessoa que o fez, não terão mais que justificar o que quer que seja. A todos liberto da minha presença por uns tempo.
Na vida tudo passa meus amigos, guardamos as mágoas em caixinhas e catalogamo-las. Guardamos tudo e em tudo colocamos um rótulo. Somos arquivistas da memória, arquivamos sentimentos, pessoas e equívocos. Muitas vezes o que nos motiva são coisas estranhas.
Eu não tenho poder, não tenho um título, não sou um misto de Zeca Afonso, nem de outra coisa qualquer. Nada sei sobre a protohistória ou sobre como gerir o que quer que seja, nem a mim mesmo eu sei gerir. Sou apenas eu, um português anónimo no meio da multidão. A minha história de vida é pobre. Nunca decidi sobre a vida dos outros, nunca movimentei interesses ou poderes quer para o bem quer para o mal. E ainda bem. Nada me pesa, e agora isso poderia ainda mais complicar a minha vida.
No fundo, como já se devem ter apercebido, não passo de alguém profundamente magoado com a vida que deitei fora, não estou magoado com mais ninguém senão comigo mesmo. Por um eldorado que nunca tinha visto, deixei uma vida, acreditei em futuros construídos de nada e pago agora, quer na saúde quer no espírito, o preço da minha ousadia em querer ser feliz. Mas se não ousarmos será que vivemos?
Ousar é talvez o que resta a todos nós, ousar amar e ousar ser amado é sem sombra de dúvida o que de mais belo podemos fazer na vida. Umas vezes perde-se, outras ganha-se mas quer numas quer noutras a frontalidade é sempre a única forma de ser honesto. Dizer amo-te e dizer já não te amo, nem sempre é simples. Muitas coisas acontecem dentro de nós, mas se o dissermos com respeito por nós mesmos e pelo outro, fazemos o que minimamente se deve fazer em nome do tempo que tivemos o outro ao nosso lado.
E quando assim não é, quando o outro deixa para que sejamos nós a descobrir a verdade, a descobrir que já não somos o centro do seu pensamento, a mágoa torna-se infinitamente maior. Afinal nem só de traições físicas vive o cérebro humano. A que mais nos atinge é a falta de verticalidade e honestidade e essa manifesta-se nas atitudes, nos silêncios e na hipocrisia com que as pessoas, a quem por vezes demos tanto, nos retribuem no fim dos ciclos. Existirá que leia este texto e saiba que eu, quando achei que era hora, as olhei nos olhos e lhes disse ser tempo de parar. Existirá quem leia ( ou se aborreça antes) e entende que parte dele lhe é dirigido. Não! Este texto é apenas um texto, se ele atingir alguém será mais pela consciência do que pela realidade.
Por fim que todos saibam que não guardo ressentimentos, mágoa sim isso guardo. E que desejo a todos, sem excepção, a maior das felicidades.
Os que sentirem a minha falta podem sempre deixar mensagens ou enviar emails.
O sagher vai deixar de existir por uns tempos, e talvez quem sabe para sempre. Este blog será o testemunho de que existi. Como dizia o Poeta “ confesso que vivi”
A todos obrigado.

terça-feira, novembro 21, 2006

DE MIGUEL SOUSA TAVARES




















Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.




Sonhei esta noite um poema
Feito com o som de um piano
De um lado… um teorema
N’outro lado um lindo plano


Eras céu da minha mente
E quando uma nuvem surgia
Soprava-la timidamente
E a nuvem depressa fugia.


Tua face enevoada
Estava sempre ali comigo
Afastou a trovoada
E fez de mim teu amigo


Não passo de um sonhador
Que leva a vida a sonhar
Comigo trago uma flor
Para um dia te agradar.


Manuel F.C. Almeida

pensamento


















Há uma brisa que corre
Ao sabor dos dias.
Nos olhares que se cruzam
Só o tempo parece
Dar sentido à existência,
Que teima em não se encontrar.
O verme da aparência,
Perfura os sentidos.
Até o olhar se desvanece
E mortifica.
Tudo se resume
A ser,
A querer ser
A querer ser só ser

segunda-feira, novembro 20, 2006




















solitárias as palavras,
acomodam a vontade
dos sentidos.
O instinto queda-se
prisioneiro da razão,
e nós
somos apenas animais
selvagens.
Fazemos da alma dos
outro o nosso alvo.
Que fizemos de nós?

Ainda hoje os Beatles nos ajudam



















Strawberry fields forever na minha versão.


Deixa-me ajudar, estende a tua mão
Deixa-te guiar em contra mão
Vais ver que tu vais gostar
De ver os campos flores a cantar
Sei que não estás só, também eu não estou
No pensamento, tudo ficou
Memória que o tempo vai levar
Que a vida vai apagar
Em campos de flores a cantar


Não. Não tenhas medo
Eu vou Guardar o segredo
Mas também te vou mostrar
Que há campos de flores a cantar.
Sei que não estás certa de nada
Vives receosa, acossada
Mas pode alguém estar
Livre de errar?
Só os campos de flores a cantar.


Deixa-me tocar a tua mão
Deixa que o olhar tudo leva
Um dia serei Adão
Um dia tu serás Eva
Há um grito de esperança no ar
Nos campos de flores a cantar.


Manuel F.C. Almeida

domingo, novembro 19, 2006

ó mar
















ó mar azul. mar salgado
lava-me as mágoas e a suadade
conduz-me tu a outro lado
onde cante e viva a liberdade

ó mar azul, mar salgado
lava-me a alma, da sujidade
mostra-me a lua, o céu estrelado
onde se veja só amizade

ó mar azul, mar salgado
lava a mentira e a verdade
mostra-me os versos de novo fado
onde só viva a felicidade

FERNANDO PESSOA- porque hoje nao me apetece escrever




















eu amo tudo o que foi,
tudo o que já nao é,
a dor que já nao me dói,
a antiga e errónea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria,
só porque foi, e voou
e hoje já é outro dia

F. PESSOA.

sábado, novembro 18, 2006

amizade














São amarelas as pétalas desta rosa
São da cor de uma fornalha
Que façam com a minha prosa
Fendas nalguma muralha

E que nessas fendas frutifiquem
Poemas á amizade
E que ai se depositem
Cantigas á liberdade

eis o que sou



















E eis-me no fim da jornada
Caminho passo a passo
Pra não pisar as pedras da calçada
Pra fazer da vida um compasso

Tenho um relógio feito de nada
Procuro na escuridão
Um caminho, uma estrada
Prenhe de solidão

Tenho nas mãos areia da praia
Que se vai, nesta ampulheta de tempo
Espero por fim que a noite caia
Que me traga algum alento

E eis-me aqui à espera de alguém
Que me traga de novo a alegria
De encontrar aqui e além
A cor da vida que se faz dia.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, novembro 17, 2006

Poema. que desculpem ser apenas humano




















Foram dias tristes e cinzentos
Dias agitados, noites sem luar
Minutos que corriam lentos
De esperança e incertezas a reinar

Mágoa ultrapassada e sem alentos
Uma lâmpada ao longe a iluminar
Mas a brisa deixou de trazer ventos
E a noite deixou de ter luar

Por fim, pouco tempo decorrido
Sobrou-me o coração muito dorido
Depois de tanta, tanta doação

O meu ocaso de oiro agonizou
Do passado, já tudo se esfumou
Na vida há coisas sem perdão

(variação sobre um poema de Natividade Negreiros)