terça-feira, fevereiro 18, 2014





















Nunca da ave arranques penas
Porque as penas são o voo
E o voo é sempre o que resta
A quem não cumpre o destino
E entende que a vida é um
Um poema de escolha livre.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 12, 2014














Na mesa, o lugar
Do afeto e do prazer
O teu corpo encantado
Ergue-se numa dança
Imortal,
Há séculos repetida
Na solidão do pensar
E no engano da partilha.
Eu assisto ao festim
Do teu corpo
E quando me tomas
Sou apenas a folha
Que um vento te trouxe,
Um perfume na vida
Que abandonas
Quando os tambores
Se calam.
E o teu ventre se cobre
Em mil espasmos.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 04, 2014






















Ditamos palavras aos outros
Reflexões sobre reflexões
Obscuras ideias da vontade
Estilhaçadas em mil faces
E mil corpos
Que reluzem na luxúria
Do pensar e do sonhar

Num encontro cósmico
Belo e de sentimentais
Desejos egoístas.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 29, 2014





















Cruzei-me esta manhã com a morte
Estava parada à minha esquina
Pediu-me boleia mas não lhe dei
Porque não tinha a barba feita
E cheirava a sexo. Não dou boleias
Quando cheiro a sexo.
Para a compensar pisquei-lhe o olho
Ela encolheu os ombros.
E acenou-me com os dedos
Descarnados.
Não gostei do gesto
E espetei-lhe o dedo do meio
-toma lá grande vaca.
Sorri, gosto de sorrir pela manhã




Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, janeiro 24, 2014





















Ofertei o que sou aos deuses,
Mas não aceitaram.
Escrevi mil cartas de amor,
Que nunca leram.
Esventrei as palavras em poemas
Nunca lidos

Resta-me o sol, o mar
E o canto das aves para
Acreditar que estou vivo.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, janeiro 16, 2014

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Nunca chores um amor que partiu
Porque outros amores irão surgir
E se alguém de ti fugiu
Outro alguém te fará sorrir

Viver é um encandear de acasos,
Um enfrentar de esquinas ao virar
Uma surpresa em todos os passos
Que damos neste caminhar

Por isso não chores o passado
São só pétalas de eternidade,
Faz da vida um poema, um fado
E abraça sempre a liberdade.


Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 12, 2014
















Chega-te a mim
Quando te sonho
Agarra todos
Os olhares vazios
Tenho tanto de nada
Que podes levar
Um pouco de mim
Guarda-me numa
Caixa bonita
Forrada com papel
De um qualquer jornal
Assim quando um dia
Me retomares sempre
Terás algo a ler.
Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 04, 2014



Ergo-me nos ombros
De gigantes
Na cidade adormecida

E as luzes que me ofuscam
Indicam-me o caminho
Ao centro das coisas

Lá talvez encontre
A resposta para todas
As perguntas por fazer.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 28, 2013



O desejo não é feito de palavras
Nem de intenções que se criem
Nos olhos
É algo que cresce ao som da pele
E se reclama nos dedos e nos lábios.
Aspiramos no outro,
A vontade que se dá em crescendo
Às aguas de um rio que
Em nada se detém

O desejo é uma fonte de águas
Límpidas e turbulentas
Do qual a razão está refém.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 24, 2013

Musica
















Conhecer as notas
De dó a dó e todas
As outras.
Ouvi-las vezes sem conta,
Em milhares de tempos
E variações
Retomá-las, dá-las
Ao mundo.
E que o mundo crie
Novos tempos
Novas canções.

Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 21, 2013















Tudo se passou num corredor sem fim

De um lado vidros, do outro

Imagens passadas.

De um lado o tempo presente

Do outro o tempo passado.

Ao fundo duas portas

Meio abertas

Ou meio fechadas.

E nós caminhávamos

Lado a lado

Com o olhar preso em frente

E os dedos das mãos entrelaçados

Num anuncio de amor que não

Se explica.

E parámos junto às portas

E olhámos nos olhos do outro

E escolhemos cada um a sua porta

Hesitámos um pouco mais

Tudo o que se seguiria seria

Para sempre

E eu nunca gostei de nada

Para sempre

É sempre tempo demais

E as imagens começaram a perder-se

E pelos vidros vi o temporal lá fora

Beijei-te as mãos

E segui o meu caminho

Para sempre

Sabendo que só a morte é para sempre.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 11, 2013

















Recordo da infância
As gaivotas e os poemas
Do Tejo
O cheiro a brisa do mar
De um local que pouco
Vejo

As gaivotas, sei que escrevem
Os seus poemas
A brisa, sei que esconde
Os seus segredos

E o Tejo que pouco
Vejo
Vai voltar a abraçar-me
E resgatar-me
Do medo.


Manuel F. C. Almeida












sexta-feira, dezembro 06, 2013





















Procurei-te na madrugada
Dos tempos
Nas folhas caídas
Da memória
No canto infindável
Das aves
Nas palavras e letras
Que devagar
Soletrei

Mas tinhas partido
Nas asas de um vento qualquer…
De um vento que não encontrei



Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 30, 2013















Toda a poesia que escrevo
É envolta de silêncios e mistérios
Ficará depois de mim eternamente
Presente, sem código para a decifrar
Sem espaço onde viver
Sem sonhos para cantar
Serão apenas as palavras
De quem se recusa a morrer
Acompanhado.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, novembro 26, 2013


















Passa o tempo
E outro tempo
Vai passando.
Faz-se do sonho
Um engano,
No tempo que a gente tem.
Dia a dia vai
Passando,
O tempo que nunca
Se alcança,
Ficam apenas na
Lembrança
Os dias em que o viver
Nunca deixava que tempo
Passasse sempre a correr.


Manuel Almeida

domingo, novembro 17, 2013



Tenho um caminho secreto


De giestas e loendros

Nas margens do teu olhar

Tenho um caminho secreto

Que desenhei no teu corpo

Numa noite de luar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 13, 2013

INTERLUDIO POÉTICO




Regresso a ti

Neste desejo que me impele

Na procura dos teus lábios

No encanto dos teus seios

No espasmo do teu ventre

No perfume do teu sexo

Regresso a ti

Em cada canção escrita

No vento.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 07, 2013

O segundo da série não aconselhável



Ode às gajas boas e de boas mamas.



Sentei-me e pedi algo para beber. Uma tipa boa e de mamas tesudas trouxe-me uma cerveja. Bebi-a de um trago. E a tipa boa e de mamas tesudas sempre a olhar para mim. Gostei da atitude dela. Um gajo gosta sempre de ser o centro das atenções de gajas. Em especial se tiverem tetas grandes. E não me venham com conversas de merda, sobre o machismo e o meu modo de avaliar as gajas. Porque quase todos pensam como eu. Salvam-se os paneleiros, os papa-hóstias ( e não são todos) e aqueles jovens a quem a educação maternal limitou a honestidade animal e mesmo esses acabam por se libertar e um dia olhar para uma gaja e dizer ou pensar

- Que belo par de mamas.

Eu sei que as gajas não gostam de ser olhadas assim. Querem que as tomem por algo sério. Mas existe algo mais sério que a honestidade dos instintos? Ou acaso não pensam elas o mesmo quando olham um gajo que lhes enche o olho e as medidas?

Pois nós agora somos “ seres sociais” empenhámos o que somos a troco da vida miserável que nos dão, cheia de leis e regras de comportamento. Porque a espécie tem de obedecer às regras da vivência em grandes comunidades chamadas nações. Mas no segredo do seu pensamento só a castração cultural nos impede a liberdade. E eu gosto de gajas boas e de mamas tesudas a olharem para mim. Dão-me tesão. E a elas que lhes dará tesão?



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 01, 2013

1º Poema ( ou tentativa) de uma série pouco recomendada a seres muito sensiveis



Outra face, outra viagem


Outro corpo, outra massagem

Casa de banho, chinelos

Um pijama, um roupão

Uma cona com cabelos.

Outra mão.



Uma cama preparada

Uma mulher desvairada

Um toque nas mamas

Um sexo molhado

-diz que me amas…

-Só o quero entalado



Perdi o tesão

Não fazia sentido

Ser um vibrador

Privativo.



Olhei-a de lado

E sem nada a dizer

Agarrei-lhe a cabeça

E pu-la a lamber.



Afaguei-lhe os cabelos

Apertei-lhe os mamilos

Olhou para mim

Enquanto chupava.

Quase me vim

Enquanto a deixava.



Virei-a de costas

Apontei-lhe o sardão

- nem penses nisso

Meu grande cabrão.



Mal ela falou e sem piedade

Empurrei o pilão cheio de vontade

Ouvia-a gritar;

- meu filho da puta agora não pares.

Dei-lhe umas estocadas

E sem me deter

Ouvia gritar

- tu pões-me a arder.



E num arrepio que não tinha fim

Disse-lhe ao ouvido

- já me vim.



Limpei o caralho ao lençol.

Olhei a janela.

 Lá fora

Estava um dia lindo de sol.



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, outubro 28, 2013




Vinquei o vivo da cor

Numa onda de sentir.

Flor de areia com odor

Chama solta a sorrir

Numa fogueira calor

Num beijo a descobrir



E se libertares os instintos

Serás uma planta a florir.



Manuel F. C. Almeida



domingo, outubro 20, 2013





















Procurei-te nos cantos
Escondidos da memória
Nas palavras livres
De um qualquer poema
Sem nome
E no fim tu já não estavas
Tinhas partido
Na bruma dos dias
E na penumbra
De um inverno
Esquecido.


Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 13, 2013





















Percorri o trilho
Do teu ser
Nos versos ondulantes
Da maré
Mas foi em vão o caminhar
Por entre estrofes
Que se escondem do olhar

Porque há nos teus olhos
Um mundo encerrado
Do mundo.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 09, 2013


Nesta vertigem de fogos

Corporais

A sede mata-se nos

Lábios

Quando deles brota o

Néctar

Que nos convida a tomar

Os corpos

Ao som de violinos

Naturais

Que os sentidos têm como

Sábios.

No momento em que o prazer

Faz encontrar

A certeza que no fundo

Não somos mortos.



Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 29, 2013



Solta o medo


Não o cales

Não deixes que

Ocupe os espaços

Da alma.

Esse é o teu território

O teu segredo.

Não deixes que o tomem

De assalto

E grita, grita sempre

Bem alto

Que um homem só

Se faz homem

Quando levanta a cabeça

E num grito de coragem

Liberta o medo

E solta no mundo

A liberdade.





Manuel almeida



domingo, setembro 22, 2013














Nada pior que estar em espera


Por alguém que nunca vem,

É um ficar que desespera

Um adiar do horizonte,

De quem num amor se detém.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 15, 2013




Sentir os tempo ocos

O prenhe dos campos

E adormecer na manhã fria


As mãos e as palavras

Quatro pontos cardeais

Quatro cardeais perdidos

A esperança que se não tem

Nem nos campos mais floridos


Olho as plantas que despidas

Não têm moral ou pudor

É assim que são sentidas

Num sentimento sem dor

E nuas se dão vestidas


Os lábios roubaram-lhe a cor


Num qualquer corpo que se perde,

Um desejo multicor

E o querer que se reprime

Descobre um dia por fim

A liberdade em valor


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 08, 2013

Que terei de tirar mais de mim

Para indicar que nada sei

Se as duvidas nunca terminam

Que será de mim, que farei?



Olho em frente e o que vejo

São tantas gentes diferentes

A apontar-me horizontes

De futuros e de presentes

Sempre inflamados pelas certezas

Dos seus infalíveis caminhos

E eu na duvida que me consome

Lá vou dando os meus passinhos

Porque o sol não vai morrer

Nos anos de vida que espero

Deixai-me ser como sou

Pensar aquilo que quero

Lutar se for tempo de agir

Amar se for tempo de amar

Mas não me apontem caminhos

Não me queiram doutrinar.



Porque aceitar como certo

Qualquer que seja a razão

É transformar o pensar

Em simples religião.



Manuel Almeida



segunda-feira, setembro 02, 2013

















A insondável criação
Das flores
Elimina o género
As letras criadas
No acontecer dos corpos
No avanço da luxúria
Queda-se
Na memória do tempo,
Neste ser quase não ser
Em que o viver se resume
A um breve momento.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 28, 2013


Não tenho o eterno

por verdade

Muito menos como certo

o imutável

Nos meus olhos paira

sempre a liberdade

Numa vida que é

mudança inevitável.

Negar esta razão que

se faz vida

É negar o real

de acontecer

É esconder a universalidade

sentida

A mola mestra do

que é viver.


Mudar é algo sempre

presente

Em todo o universo

temporal

E só quem da vida

está ausente

Constrói cadeias

de moral.

Então se nada na vida

é eterno

Se tudo na vida

é mudança

Saibamos manter o

olhar terno

E abraçar o mundo

com esperança.



Manuel F. C. Almeida



sábado, agosto 24, 2013

















Criamos a coisa no sentido figurado
Das palavras.
Dentro dela a luz da sua essência
Fica livre.
Na leitura desenhamos os seus
Contornos.
Damos-lhe a forma de um conceito
Universal

E no palato toma novo gosto à medida
Do acontecer

Até a morte tem sabor.


Manuel F. c. Almeida

sexta-feira, agosto 16, 2013


E os olhos


Que não vejo

E as mãos

Que não conheço

Rasgam-me

O silencio

Pausado na mente.

Num grito

Que enlouquece

O ser que em mim

Está em constante

Em agitação

Nas aguas

E em permanente

Descoberta

De novos trilhos.



Manuel Almeida

domingo, agosto 11, 2013



















Tudo o que se assemelha
A um sinal de vida
É a descoberta das
Amarras guardadas
Num baú
Algures no mundo
Num local secreto onde
Pulsam os temores e os amores
E onde o sangue teima em pulsar
Num erotismo da pele
Com sabor a oceano.

A brisa é fresca e
Os muros erguidos são paredes
De velhas casas.
Paredes grossas onde a musica
Se faz ouvir suspensa da memória
De quem abraçaram.
Das trombetas de Jericó
Às liras de Roma
A toda a música se dão corpos.
Amantes esquecidos dos vivos;
Amantes da história

Sem medo abri a porta e tomei
O tempo
Sem medo fiquei só
Aos pés do mundo e da memória
Eterna dos amantes


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, agosto 06, 2013
















Visitas guiadas ao teu corpo
A sedução nos lábios e no olhar
O mergulho cego no teu ventre
O desejo louco de te amar
O grito da loucura
Quando me tomas
O corpo no corpo
E os instintos
A gritar
São marés
No caminhar.

Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 03, 2013

















Cabisbaixo


Derrotado

De casaco esfarrapado

Deixaste roubar o futuro?



Vai á luta!

Não te entregues

Á lamurias tristes do fado

Nem ao canto dos corais

Religiosos



Tens nas mãos um

Velo de ouro

E nas veias um tesouro

És humano!

Age como tal



Levanta a cabeça

E luta

Constrói tu um mundo

Melhor, não esperes

Por heróis ou que

Outros façam

O que tens de ser tu a fazer



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 30, 2013

passo a passo














Segredos que caem
Como gotas de chuva
Num imenso lago
Que se espraia.
 Paisagem

Marcas que ficam
Gravadas na pele
Tatuagens que vincam
As dobras da alma.
Mensagem

E uma sinfonia
Teima em tocar
É a alegria
A germinar
Uma flor de liberdade


Manuel Almeida

quinta-feira, julho 25, 2013





















Acordei a amaldiçoar o mundo.
A corrida, todos os dias
A mesma merda de corrida.
O sorriso de boneco sempre em pé
E os ares das gentes que se sonham
Importantes.
-Bom dia
-Bom dia- e lá tem de sair outro sorriso.
Dinheiro, caixa, cheques e outras merdas
- E a saúde Sr. Manuel?
- Cá se vai andando….
Nunca me apetece falar de manhã.
Debito ódio pelos olhos
Sonho com o dia em que nada farei
E as gentes com ares da sua patética
Importância, desfilam à minha frente
Num corrupio imparável de figurinhas
De cera local.
Começou já o folclore eleitoral
Daqui e dali surgem candidatos
A oferecer-me o seu sorriso de merda
Convencidos que me convencem de algo
Atiro-lhes com o que penso
O sorriso desmaia e sem argumentos
Olham para mim com ódio contido
Há sempre umas gajas com belos cus
E tetas tesas. Tanto melhor.
Vejo-os partirem, ufanos das suas certezas
E da sua vontade em montar o dinheiro
Das gentes.
Esta merda só tem valor pelas gajas de
Bons cus e tesas tetas
O resto é um bando de hipócritas.
Vigaristas prontos a sugarem-me o sangue.
Mais à frente, vejo o candidato com uma criança
Ao colo. Sorriem todos até ao momento em que
Puto vomita o fato do candidato
Desvanecem-se os sorrisos.
Fico e vê-los na venda da banha da cobra
Nem sei quem são ou o que pensam
Também não sabem, ou não pensam
Ou o que pensam é na vaidade pessoal
No gosto por estarem rodeados de um séquito
Acéfalo que espera comer umas migalhas
Da mesa do rei.
No carrinho ou no lugar de bobo do Sr. Presidente.
São todos tão importantes
Que até pensam nunca morrer, nunca ir para o esgoto
Da sua vida miserável que procuram mascarar
Com uma suposta missão altruísta.
Malditos sonhos
O que me safa é não me recordar
Deles.



Manuel Almeida.

quarta-feira, julho 24, 2013






















E se o ventre te tomo
Numa orgia sem fim
Alimento-te o gozo
Num sonho de mim.

Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 20, 2013

Silêncios





















E um dia já nem a nossa
Sombra se erguerá
E em seu lugar restará apenas
O vazio e a angústia da ausência
No outro.
Os amores eternos irão terminar
(os amores nunca são eternos)
Seremos apenas memória
Doce ou acre                      
Mas unicamente memória
Silenciosa.



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 15, 2013





















Onde a lua se incendeie,


Ao encontro da pele

E do teu rosto.

Farei uma estátua de

De terra e sal,

E do teu corpo

Um areal de volúpia.



Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 06, 2013

Sombras





















Perdi o teu corpo
Algures entre o sonho
E o tempo
Ficou o silêncio
E o caminho desenhado nas trevas
Ficou a memória do teu cheiro
E o sabor do teu corpo
Numa caixa vazia
De nós.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 03, 2013

RASCUNHOS





















Nada mais tenho que o teu


Sorriso de escárnio

E a mão cheia de nada

No palco da minha vida



A peça está quase a acabar.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 28, 2013



Ergo-me nas montanhas


Do néon citadino

Num exercício de

Curiosidade latente


E


Agarro a angustia de existir

Na certeza de que

Nada acontece

Para lá da morte.



Manuel almeida

quinta-feira, junho 20, 2013
















Lanço-me à terra, ao vento, ao mundo


Agarro o tempo com as mãos

E é com ele que fecundo

Os sonhos e pesadelos,

Nos dias de solidão.



Manuel F. C. Almeida

sábado, junho 15, 2013
















Conheces o frio? Aquele frio que se instala na alma


E se propaga como a luz, alagando tudo o que és?

Conheces por acaso a noite, aquele lugar onde os braços

Da escuridão te afagam os sentidos e te despem?

Conheces o som do silêncio? Aquele silêncio que

Se instala no olhar e só se resgata quando o som

Das marés te devolve à vida?

Conheces, eu sei que conheces tudo isto.

Por isso as pessoas te dão vómitos, por isso

Preferes ser como és a invés de seres como

Esperavam que fosses. Por isso nem te amam

Nem te odeiam, simplesmente te ignoram

E se julgam superiores.

Tu, tu não julgas nada e sentas-te diante do

Mar na esperança que uma onda se faça ouvir

Acima do silêncio dos sentidos.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 06, 2013





















Para te ter dobrei o sonho
E descobri novos mundos
Em mim

Para te ter escavei o tempo
E encontrei tesouros
Em ti

Para te ter construí castelos
De sólidas muralhas
Em nós

E quando um dia a história
Se contar
E o tempo desgastar as pedras
Do nosso universo

Ficaremos sós
Ficaremos só nós
E o canto do outro
Na nossa voz...

Sempre.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 28, 2013























Trespassados os sonhos
Do crescimento
Ausentes dos dias
E do presente
Damos o corpo ao mundo
Sem consciência
Que o branco da alma
Se perdeu
Nas madrugadas incertas
Da existência.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 23, 2013





















Paredes brancas, casas vazias
Onde o vento se perde e se demora.
Sussurros do tempo, dias nos dias.
Nada é real é tudo ilusório
E só a madrugada nos desnuda
Na procura dos corpos, no delírio
Na luxúria dos lábios e dos ventres
Paredes brancas, casas vazias
Vidas pretensamente presentes.


Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 19, 2013















Em ti nada se perde


Nem o sonho, nem a ternura

Nem o desejo de quem

Ao ouvido te murmura

Um amor intemporal.



Em ti nada se encontra

Que não seja esse vazio

Dos dias intermináveis

E das horas sempre estáveis

Das tardes bucólicas de estio.



Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 12, 2013





















Nos mistérios do saber,
Escondidos em campos
Que ao por do sol
Se desnudam
Estão os seios e as coxas
Que ávidos de vida
Se oferecem ao sonho
Da luxuria.
Visitamos o mundo
E é a morte que se
Oferece em mil
Máscaras de vida.
E voltamos sempre
Aos campos de prazer
Dos corpos adiados
Que connosco
Se cruzam.
Toda a vida é uma
Encenação
Entre o desejo
De liberdade
E o nada
Tudo não passa
De uma coincidência
Sem sentido.


Manuel F. C. Almeida.

terça-feira, maio 07, 2013





















Se navego num mar de duvidas
Se resisto ao canto das sereias
É porque fui tendo várias vidas
Todas bem preenchidas, cheias.

Se me perco num golpe de vento
E as minhas asas se abrem em leque
É porque fui resistindo no tempo
A quem me quis ter como cheque

Por isso quando me olharem de perto
Procurem ver quem eu sou
Porque eu não sou um projecto

Desenhado à medida de alguém
Serei sempre eu. E aqui estou
Livre. Não sou peça de ninguém.

Manuel F. C. Almeida