quinta-feira, fevereiro 21, 2013





















E eis que descubro a tua alma

E tu ficas nua e indefesa

E só então te sentes salva

E em mim te apoias com firmeza



Soltam-se os beijos e a ternura

Em gestos prenhes de saudade

E em nossos corpos a loucura

Tem o sabor da eternidade



E cai o dia, a noite passa

E os nossos corpos extenuados

Erguem-se como uma taça

Para se tomarem encantados



E quando a fome está saciada

E os nossos sentidos dormentes

Reabre-se a porta ansiada

E renascemos como sementes.



Manuel F. C Almeida

sexta-feira, fevereiro 15, 2013


Olhar-te encantava o


Negro. Eras silhueta sem

Sem imagem.

De onde se soltavam instintos

Animais

E tudo o resto era espelho

Da vontade em mim.



Manuel F. C. Almeida



segunda-feira, fevereiro 11, 2013





















As palavras que deixo no ar


São rosas e cravos de jardim

No desejo de encontrar

Em ti o que resta de mim



E se os seios te tomo nos lábios

E se o ventre te tomo nos dedos

Leio em ti o nome de sábios

Para vencer os meus medos



E num frenesim me alimento

Num festim feito de instinto

O teu corpo é o meu templo

O meu ópio e meu absinto.





Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 01, 2013






















É tempo de mergulhar


A palavra

Nas águas límpidas

Do desespero

Que vive no interior

Do teu peito

E acender nela a tocha

Dos sentidos e da

Luxúria.



Manuel F. C. Almeida



segunda-feira, janeiro 28, 2013
















Ao entardecer eu ouço
Os teus passos.
Percorremos o labirinto
Da vida,
Num sobressalto de medos
E segredos,
Num jardim de deuses
E mitos,
E de esquina em esquina
Procuro encontrar-te.
Mas apenas o som
Dos teus passos se houve.
Há sonhos que não passam
De sonhos.
Todo o caminho é deserto
Procurar o som de outros passos
É só o que nos resta,
E nem os deuses ou os mitos
Podem minguar
O terror de estar só
Com o som dos teus passos.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 22, 2013





















Nada fiz de relevante na vida


Nunca vendi a alma aos deuses

Nem a vida aos homens importantes

Sou anónimo nos anónimos

Uma singularidade estatística

Mas são muitos como eu

Que criam os homens importantes

E se imolam no alter dos deuses

Tirânicos que alimentam.



Manuel F. C. Almeida



quinta-feira, janeiro 17, 2013




Passam pela vida os segundos

Que não mais irão passar

Unidas são gotas de um rio

Não voltam ao mesmo lugar



Tal a como a vida se vai

Sem que disso demos conta

O rio também vai passando

Gota a gota se faz onda



E se tudo na vida se altera

E se esta tem sempre um final

Também as águas do rio

Morrem doces, renascem sal.



Manuel F. C. Almeida






sexta-feira, janeiro 11, 2013



Quero perder-me na estrada

Sem rumo ou direção

Sem fronteiras

Para lá do mar

Quero perder-me na vida

Sem certezas ou lugares meus

Nem saberes imperativos.

Ser quem vive a sonhar

Quero perder-me nas coxas

De mil mulheres que me tomem

Apenas por aquilo que sou

Um eterno ignorante

Que nem a si se encontrou



Quero perder-me da vida

E é à vida que me dou.





Manuel F. C. Almeida

 


domingo, janeiro 06, 2013




















Que nos os teus lábios

Eu morra todos os dias

Uma morte rápido e indolor

E que pela madrugada

Me levante, volte à vida

E à esperança de voltar

A morrer de amor



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 31, 2012
















É preciso reinventar o amor


Nos caminhos que temos pela frente

Fazer da vida um arco-íris

Sem pote de ouro ou outras crenças

Reinventa-lo simplesmente.



Pode ser reinventado com o olhar

Que pousa em estranhos por momentos

E pinta uma tela de mil cores,

nos faz saltar o desejo

Em ternos e eróticos pensamentos.



E se uma folha de primavera se soltar

Nesse recriar da vida e do encanto

Guardemos essa folha com cuidado

Deixemos que cresça e nos e aqueça

E que reinvente o amor com o seu canto

Um amor que se renove e sempre cresça

e que nos inunde a todos com o seu manto.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 28, 2012















Elegia para uma relação mundana




Já desceram as sombras sobre nós

E os dias de paixão e encantamento

Também foram.

Restam os silêncios que na voz

Mais não são momentos que se afloram.

Fingimos não ver o que é presente,

A ternura e o calor que é ausente,

Deixámos o tédio ser rei na vida.

E á noite, quando a vontade desperta

Deixamos por momentos a porta aberta

E usamos no outro a tesão sentida.



E quando o momento se acaba

Nem um beijo, ou carícia

Paira no ar.

Viramos o ser para outro lado

Temos o corpo saciado

E as sombras teimam em voltar.



Manuel F. C Almeida.

terça-feira, dezembro 25, 2012





















Porque é natal,
um dia como outro qualquer
Vão morrer muitas pessoas
E outras pessoas nascer.
Pessoas há que nem sabem
Que neste dia dito especial
Nasceram muitos meninos
Que não conhecem o natal
Que vivem todos os dias
Apenas para sobreviver
E outros há que sem saber,
Porque nunca lhes disseram,
Estragam o muito que têm
Á custa dos que nada tiveram.
Neste dia de Natal
Um dia como outro qualquer
Os donos do capital
Continuarão a enriquecer
Não me venham pedir tréguas
Ou que me deixe iludir
O natal é mais um dia
Igual aos que se irão seguir.
E como a minha existência
É uma luta pela justiça
Só irei ter um natal
Quando acabar a injustiça.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 22, 2012
















Sinalizei o silêncio como um tratado

Entre o estar e o não estar.

Entre palavras que, de luz,

Seriam o palco onde os personagens

Se transformavam em flores ou simples

Objetos de uso comum, conformados

Com a sorte que lhes calhou.

Mas sinalizei o silêncio no momento em

Que o silêncio se quebrou, não por se quebrar

Mas unicamente por continuar a ser silêncio

Nos sentidos.

A meu lado o sonho esfumou-se, como a água

Das ondas se vai por entre a areia da praia.

Talvez uma nova onda seja maior e traga mais

Água, talvez a areia da praia fique impermeável

Mas o silêncio cavalga agora as ondas

E o olhar perde-se na imensidão de um oceano

De duvidas que rebentam na praia e

Nela depositam corpos… em silêncio.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 18, 2012





















Costumo morrer todos os dias

Na solidão da madrugada

E onde alguns colhem lírios e

Alecrim, numa alegria

De vida que eu invejo.

Eu encontro apenas o silêncio

Em tudo aquilo que vejo.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 12, 2012















Ao mundo sobrevivi


Só e sem nada ter

Mudei de rumo sempre

Que quis

Mudei de vida, mudei de querer

Sempre a mudar

Desenhei o meu caminho

Nada me impede de o fazer,

Nem amores que o tempo

Condena,

Nem falsos paraísos de prazer

Só vivo em pleno na liberdade

De amar os dias ao acordar

Não me convencem promessas

E não temo estar só

A caminhar..



Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 08, 2012















 

 

Estou preso dentro de mim
De um mundo de encruzilhadas
De dúvidas que não têm fim
Mas todas com muitas estradas

Não creio que existam respostas
Nos caminhos a escolher
Carreiros em frente e nas costas
E eu quieto sem me mover

Espero em vão um sinal
Que me ajude a decidir
De como escolher afinal
Qual o caminho a seguir

De algo tenho a certeza
Não há caminhos sem dor
Que em todos existem tristezas,
Angustias e campos em flor.

Manuel F. C. Almeida






terça-feira, dezembro 04, 2012





















Não escrevo para os outros


Escrevo para me libertar.

Do carcere de cada hora

Que passa e que há-de passar

Faço da escrita catárse

Desde que me levanto ao deitar.

por vezes nem sei quem fala,

Nem sei se quero falar

desta vida inconstante

De quem se esta a interrogar:
Quem sou, de onde vim

para onde estou a caminhar?


respostas que sempre procuro

neste eterno dialogar

entre os varios "eus" que convivem

dentro de mim a lutar.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 30, 2012
















Costumo dizer que há uma linha
Entre dois pontos, duas pessoas.
Uma linha que separa
E também une.
Costumo dizer que há linha
Há qual me encontro imune.
É a linha do olhar que se não dá
Que não se recebe
É a linha que sem nada dizer
Se percebe.
Há pois uma linha em tudo,
Em todas as nossas acções
Uma linha de esperança…
Ou uma linha de ilusões.
E sempre que encontro essa linha
No meu lento caminhar
Gosto de a percorrer
E de repente saltar.
E deixo a linha seguir
O rumo que ela escolher
Eu…desenho outra linha
Para novamente viver.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 25, 2012





















Nada existe nas contas do rosário

que guardo na raiz do meu sangue.

Só o tempo molda os deuses

E os devolve em barro

Cozido e seco, misturado com

Os gritos de muitos homens

Em sacrifícios estéreis



O bem e o mal são faces estranhas

De todos nós e do nosso medo

Para com a vida e a liberdade.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 22, 2012





















Eu escrevo poemas no teu ventre

E neles liberto me liberto

Das águas gélidas da existência

Amarga e vazia que todos os dias

Me persegue.

E tu… nunca saberei o que sentes

Quando me acolhes e me proteges

Sé é que me acolhes e me proteges

Ou tudo não passa de uma troca

De liberdades e existências. Sem cor

Sem ternura, sem paixão.



Eu escrevo poemas no teu ventre

Gritos de solidão.



Manuel F. C. Almeida








sábado, novembro 17, 2012


















São como frutos de Outono
Os corpos matizados de odores
E sabores que em sofreguidão
Se oferecem à nossa luxúria
E os sons que emitimos
Saídos da alma, prenhes de gozo
Empurram os ventres
Na procura dos lábios
Sabiamente tomamos
Os corpos em delírio
Ternamente acordados
Pelo nosso querer

E com beijos e urros
Tomamos o outro
Cavalgamos os corpos
E caímos inanimados de prazer.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 13, 2012















Toda a poesia é inócua.


Gosto de ler poesia,

Daquela poesia que fala do amor

Imaginário e que nunca acontece.

É sobre esse amor que gosto de escrever.

Delicio-me a descrever com palavras

Belas a beleza oculta e imaginária

Dos corpos, a excelência dos sentidos

O êxtase do encontro. Geralmente

Alguns leitores vestem a máscara social

E aplaudem, dizem ser belo e outras

Coisas do género. Raramente algum é honesto

Na verdade é limito-me a escrever sobre merdas

Que não existem, e a deixar escondida a

Minha real intenção.



A poesia é fodida.

Os poetas querem a alma do mundo e

Ter uma desculpa para não falar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 07, 2012















Tenho finalmente o meu terreiro.
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.

E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 31, 2012





















E se um dia puder
Espalhar-me pelo mar
Fundir-me no tempo
Ou soltar-me no ar
Deixarei de ser homem
Serei finalmente
Somente memória
Um sopro de sal
Que o vento carrega
Num segundo de história.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 28, 2012





















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 24, 2012





















Não entendo, nem poderei entender
A cruel curiosidade de ser,
A luz que se vai na paisagem,
O medo da vontade. A miragem.
Não entendo as razões que a minha razão
Vai criando. O horizonte que se move
Sem que movimento se veja
Ou a mulher que me abraça. Ou me beija.
Só entendo o inevitável, a morte que me acompanha
E a areia que escorre pelos meus dedos
Lavando consigo o tempo carregado de corpos
Desejados. Meus segredos.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 19, 2012





















Porque se fecham os dedos
E se levantam os punhos?

Quando tudo o que move mundo
São os lábios!

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 14, 2012



















Percorro o meu olhar
com o teu corpo
Desenho o meu desejo
em contraluz.
Espaço é um lugar onde
te encontras
Nua como oferta de
deuses aos homens.

E o desejo é um arco-íris sem barreiras.


Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 06, 2012
















Tenho-te guardada no coração,
No canto sofrido da alma,
No mistério das palavras
De silêncio.
Tenho-te solta em cada olhar
Em cada gesto que faço
Em cada canto e em cada passo

Tenho-te sem nunca te ter
Ó minha irmã liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 30, 2012















Procuro nos poemas
O saber que sempre foge,
O apaziguar impaciente
Do espanto.
E de palavra em palavra
Vou vislumbrando a ciclópica
Tarefa e em vão continuo
A saga de tornar translúcidos
Os conceitos.
Morrerei ao tentar, morrerei
Sem honras e sem glórias
Porque as palavras não se prendem!
São a liberdade das memórias.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 24, 2012
















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural,
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.do
m
Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2012















Passeias-te pelas portas
Abertas de par em par
Em sonhos de vidas já mortas
Teimas em te encontrar.
Olhas para o lado, com medo
De nunca saber que pensar
Quem lá vive tem um segredo
Da cor da alma e do mar
Dás-te sem nunca te dares
Nunca estás se te procuram
E mesmo quando te encontram
Os encontros pouco duram.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 14, 2012

















Dia a dia, em silêncio,
Ilumino o coração
Toda a vida é uma viagem
Todo o tempo solidão.
E sem ceder à paisagem
Cruzo o sonho e a ilusão
Que nesta barca de sombras
Tudo é vida, tudo é paixão.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 10, 2012





















Os lábios
Ausência.
O olhar
Perdido.

E a lamparina
Que aviva
A doçura
Do teu ventre
Vivido.

l F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 05, 2012
























Quando entras tatuas sempre algo.


Uma flor, uma pedra preciosa


Ou simplesmente o teu perfume.


Quando entras não há mais retorno


Ao momento em que a porta se abriu


E decidiste entrar.


Quando entras deixas sempre


A tua marca de alma na parte


Escondida da porta.


Quando entras podes sempre sair


Mas há sempre algo teu


Que teima em ficar.



Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, agosto 30, 2012


















Bordei-te o olhar


Na ondas.
Feito de pérolas roubadas
Ao oceano.
Estátua impenetrável
de espuma e desejo
Como um poema de luz,
Um trajecto, um beijo
Na demanda da vida.



Bordei-te o olhar



Nas onda



E com elas me encantei.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 25, 2012


















Mudem o rosto,
Libertem o tédio.
Porque todo o hábito
É solidão.
Nada existe fora
Do mundo
E o nada é apenas
Pura ilusão
Guardem o corpo
Do olhar alheio
Porque a nudez
a todos ofende.
Soltem as velas,
Partam sem rumo.
Só em liberdade
A existência se entende
Aprendam por fim
O número mágico
A soma presente
A nossa prisão
É o número dos Deuses,
Criado pelos homens
O medo, a moral
E a tradição.
E se é meu o meu corpo
E apenas só meu
E nunca por nunca
O irei empenhar
Que a sede dos corpos
Se mata nos corpos
E é nessa sede
Que se encanta o olhar.
Chamam-lhe amor,
Os menos atentos
Outros há que lhe
Chamam paixão
Mas tirem-lhe a culpa,
E a mascara que usam
E tudo será
Apenas tesão

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 13, 2012
























E todas as noites mais não são que esquecimento.
Ao acordar só há tempo para memórias.
E tudo começa de novo no meio de uma interrogação
Temporal. E caminho sem rumo, sem destino e sem
Instante. E passo pela madrugada de gotas de orvalho
E flores que se revelam. Não há passado nem futuro
Só o presente se revela imutável. Mas a cada instante
Que passa é a morte do presente que o já não é.

E se o presente nunca é, o passado apenas tempo
E o futuro mera incógnita.
Então toda a existência é simplesmente ilusória.

Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 04, 2012




For a Friend










Nunca por outrem vivas os dias
Que só por ti a vida te passa.
Tu és a ave furtiva que se alimenta
De ti e em ti,
O insecto de vida que te
Fecunda em flor.

Nunca por outrem vivas os dias
Porque são teus os dias
De amor.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 30, 2012

















Já me esqueci do momento último
Em que o teu corpo se enlaçou no meu
A janela do quarto estava aberta
E a sombra da lua projectava-se sobre a cama
Tínhamos inventado o amor
Naquele quarto escuro onde o cheiro
Do sexo se misturava com o tempo
Guardo na memória aquele teu sorriso
O olhar vazio do orgasmo…

E aquele lençol que tingimos
Está na arca das memórias sem rosto.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 26, 2012





















No leito suado deixámos
As marcas do desejo e da paixão
E quando de manhã
Olhares cruzámos
Neles estava a solidão
E então brotou toda a verdade.
O amor que me falas, quando mo dizes…
É só necessidade, é só tesão.

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 22, 2012
















Há uma mulher que espera
Uma luz na madrugada…
Num canto apagada.
Olhar fixo, ausente
Olhar prenhe de nada.
Nas mãos as flores,
Estilhaços de granada
E o corpo hirto de amor
Numa verdade adiada.

É a luz da madrugada
É a luz da alvorada

E a mulher lá fica á espera
Talvez da vida, talvez de nada
Estátua que se não move
Estátua quieta, parada
Na esperança que algo mude
Mas que o algo a mudar
Seja mudança adiada.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, julho 17, 2012





















E foste verbo e foste mundo
Foste paisagem sem ter fim
Num movimento profundo
Saído de dentro de mim
E seguiram-se descobertas
Plantas com cheiro a jasmim
As janelas ficaram abertas
A paisagem era um jardim

E quando a noite chegou
Por entre abraços e beijos
A escuridão acordou
E os corpos encaixaram-se
como eixos.


Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, julho 12, 2012



















Escondemos o sexo com pudor
E uma moral obscena
É mais aceitável a guerra
E os corpos dilacerados
Que a imagem do amor
Em corpos enamorados.
Tão estranho é este mundo
Que não tolera o prazer
E nos mostra todos os dias
Pilhas de corpos a arder
Numa orgia imoral
Em loucuras pelo poder

Por isso nunca entendi
E nunca irei entender
O heroísmo da guerra
E a vergonha do foder.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, julho 06, 2012





















Disseste que me amavas
Naquela tarde em que o sol
Me iluminava os olhos
E os lábios se tocaram
Como plumas ao vento.
Disseste que me amavas
Como se ama uma paisagem
Que se mostra novidade.

E nunca mais falaste de amor

Porque falar não é ser
Quantas vezes as palavras
São apenas manifestações
De espanto dos sentido?
Amar é muito mais que
Palavras de ocasião
Amar é ter prazer
Na entrega ao outro

E nunca mais falaste de prazer

Falas de coisas banais
Da vida que corre
E te consome
Não há plural do acontecer
Não há plural no agir.
Tudo existe como é
No interior da tua
Vida solitária.

E por vezes sabe-te bem a companhia.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 03, 2012
















Pedem-te tanto, e tanto dás
Pedem-te o tempo e a tua vida
E quando olhas para trás
A tua vida está perdida.
Nas tuas mãos estão sonhos feitos
Construídos dentro de ti
No teu olhar dias desfeitos
Saltam se ao vento agora aqui

E tu já não sabes
E nem deste por isso
No interior cruzas-te sabres
E hoje és resultado disso

Pedem-te tanto e tanto dás
Pedem-te a vida entre os dedos
Querem te pôr onde não estás
Querem que vivas outros medos
Mas dentro de ti está a resposta
Amar também é ter saudade
E quem te ama assim te gosta
Amar é sempre liberdade

E agora sabes
Todo o caminho é só teu
E no final das tuas as tardes
Já não há medo. Ele morreu








Manuel F.C. Almeida

Para ouvir só com a música

http://youtu.be/hSnuyoo_RCU




quarta-feira, junho 27, 2012




















Algures entre o sonho
E o passado
É o teu lugar.
Mais que um navio
No deserto das almas
Tu és um círculo de fogo
Num melodia sem
Compasso.

Algures entre o sonho
E o passado
Tu foste uma orquídea
Nos jardins suspensos
Da minha memória
Onde tudo se apaga
E onde só a musica
Não se acaba.

Porque a vida é algo mais
Que frases e intenções
Temporais.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 21, 2012

















E quando te despes, eu vejo
Em silêncio, o que os deuses
Criaram com tanto ruido

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 15, 2012
















Tudo passa velozmente
E nem damos conta disso
E um dia de repente
A vida levou sumiço.


Vivem-se todos os dias
A correr e nunca pensar
Raras são as alegrias
Raro o tempo pra sonhar


E um dia ao levantar
Olhamos o espelho e pensamos
-Que a vida se está a acabar
E em silencio ficamos


Pensamos no tempo já ido
Nos sonhos abandonados
Nas razões de não ter seguido
Os refrões em tempos cantados.


E assim termina a vida
A pensar nestas traições
Numa agonia sentida
Por tantas contradições


ManuelF. C. Almeida

domingo, junho 10, 2012





















Dia a dia e em silêncio,

Ilumino o coração

Tudo na vida é miragem

Todo o tempo solidão.

E sem vender a minha’lma

Cruzo o sonho e a ilusão

E cruzo a luxuria que anima

O teu corpo nesta mão.

E tendo sempre presente

Que amar não é prisão

Faço da minha miragem

Um poema e uma canção

Onde habite a liberdade

O saber e a paixão.



Manuel F. C. Almeida