Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
quarta-feira, janeiro 04, 2012
sábado, dezembro 31, 2011

Canto de amor livre
No caminho ergueste o prazer
Em torno de silêncios e palavras mudas
Afloraste os sentidos e o corpo
Com olhares de entrega e desejo
Sangraste a paixão libertando assim
A ânsia sôfrega da posse.
E á noite, quando as memórias
Sangram o tempo e as mãos
Se perdem vazias na doçura
De tactear o passado, estendes
A alma e os teus segredos
No tapete que bordaste à mão.
Olhas quem te tomou o corpo
Mas nunca o espírito, quem te
Desfolha e te seca a carne,
Mas nunca esqueces quem
Te pintou as pétalas do olhar
E livre te deixou para voar.
Porque as memórias são o presente
Que a vida nos dá no caminho.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, dezembro 28, 2011
domingo, dezembro 25, 2011

Por todo o lado em Portugal
Celebra-se o natal.
Numa estranha unanimidade
Pobres e ricos, são agora como irmãos.
Nos concelhos de todo o país
É tempo de festividades.
As famílias, unem-se, uma vez por ano
Em redor de uma mesa.
Os mais velhos desejosos de sossego,
Os do meio desejosos de sossego
Os mais novos com um sorriso na face
Antecipando gulosamente os presentes da praxe
que de imediato irão mostrar aos meninos sem natal.
É assim o natal, um dia em que todos abdicam
Da sua felicidade em prol da infelicidade coletiva.
Esta época é tão importante em Portugal que,
Todos os portugueses se sentem imbuídos do seu espirito.
Comunistas, socialista, sociais-democratas e outros que tais
Todos celebram o seu natal em paz e harmonia.
São as decorações das ruas que trazem mais cor e brilho
São os presépios de agradecimento ao senhor
São cânticos ao Deus menino que nas palhas
Foi parido.
É tão bonito…o natal
Nas ruas os pobrezinhos são presenteados com
O lavar da consciência dos outros.
Chama-se caridade, há quem lhe chame
Solidariedade, mas vai dar ao mesmo
Dar um pouco daquilo a que todos têm direito
Mas que todos os dias lhes é negado.
E é isto e muito mais o natal
Em Portugal.
E no mundo ocidental.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, dezembro 22, 2011

Teu nome, guardei-o a sete chaves
Numa caixa dourada nas folhas de
Um velho caderno, que cheire a papel
Quando o voltar a ler.
Nada mais que memórias, confronto
E um rasto de inutilidade nunca
Resolvida.
Sem palavras ou sem olhares
Transformámos a amizade em algo
Externo à nossa vivencia
E nem do toque dos lábios
Ou das letras do nome nos recordamos.
Quem não sabe resolver o passado
Raramente resolve o futuro.
Toda a existência passa então a ser
Uma presença no deserto
Um grito reprimido no peito
Um sentir de não sentir
Um arrastar miserável da existência
Por caminhos sempre incógnitos.
O teu nome, guardei-o a sete chaves
Numa caixa dourada nas folhas de
Um velho papel que o tempo vai
Consumir.
Porque o tempo tudo limpa, e tudo lava
Só não pode tratar os muros
Erguidos pela memória.
Manuel F. C. Almeida
foto: Ana Alba Luna
domingo, dezembro 18, 2011

Presente nas palavras,
Escondido nos conceitos
O poema resolve-se
No abrir dos lábios em chama
E nos olhares que se
Ausentam
Dos dias e das noites
De paixão, como o anjo
Que reproduz a dualidade
Divina e a isenta de culpa.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, dezembro 15, 2011

Perdi o olhar
Num local qualquer
Onde também
Ficaram as palavras
E os sonhos inocentes
De felicidade.
Tacteio o horizonte
Com o pouco que me ficou
E questiono-me sobre
O que sou.
Dão-me abraços, beijos
E flores
Muitas flores
Decoradas com estrelas
E lágrimas de cristal.
Mas as flores desfazem-se
No tempo e as lágrimas
Corroem-me os dias.
Tenho mil olhares
Sobre os meus ombros
E o enorme desejo
De explodir
Numa orgia de vida,
Na ultima prova de que vivi.
Manuel F. C. Almeida
domingo, dezembro 11, 2011

Amor
Poemas em que derramava
O meu sentir, a doçura que
Escondo do mundo e que me
Trespassa o olhar quando te vejo.
Eram poemas de amor, poemas tolos
Como só os poemas de amor o sabem ser.
Costumava cantar o teu corpo
Como se de uma aurora falasse
E espraiava nas palavras o som
Do meu coração.
Eram poemas ternos, de uma ternura
Minha, criada e crescida dentro de mim.
E apaixonei-me pelas palavras
Que te criaram.
Eram minhas, nunca foram tuas.
E como todos nós, apaixonei-me
Pela minha ideia do outro.
Porque o outro vive, tal como todos nós,
Dentro de si e das suas construções
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, dezembro 08, 2011

Quando amar se resolve
Na liberdade de amar
Outra dimensão nos envolve
No reencontro do olhar
Um olhar da liberdade
Que tantas vezes nomeamos
Um olhar feito vontade
Um sentir de quem amamos
E só assim se pode amar
Com toda a essência de ser
Na liberdade de olhar
Quem em liberdade nos quer
E nesse querer sem medida
Nesse amar para lá de ter
Reside o segredo da vida
Sentir que amar é viver.
Manuel F. C. Almeida
domingo, dezembro 04, 2011
quinta-feira, dezembro 01, 2011

Silenciadas pelo mundano.
Viagens ao que somos,
Viagens ao que tememos,
Viagens escondidas dos outros.
Coisas que só nós sabemos que existem.
Segredos inconfessáveis,
Porque em cada um há um mundo
Que deixámos para trás
Um mundo de escolhas
Inutilizadas
Mas que continuamente
Nos interrogam.
Há viagens dentro de nós
Que nunca irão acontecer
Porque é tarde
E escolher é isto mesmo
Sentir as dores das escolhas.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 27, 2011
quarta-feira, novembro 23, 2011

Sente-se a confusão dos tempos
Nas folhas soltas de um Outono
Igual a tantos outros.
Os corações soltam-se na angústia
Prenhe de bruma.
A poesia é isto mesmo, um escrever
Nas folhas o que está escrito
Nos dias.
Algures o encanto das palavras
Faz sorrir um coração
E o sonho impossível do poema
Cria orvalho no olhar.
A mão que se estende ou o sorriso
Que nasce ao passar dos dias e dos tempos
Fica muda, sem canções.
O vento brinca com as andorinhas
E o clamor da terra deixa-nos sempre
Assim…
No canto dos poemas vive-se sempre
As angustias da alma.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 20, 2011
O olhar cerrado grita
O silêncio da loucura
Que se mascara em sorriso.
Nada fica
Tudo parte.
E os pássaros que voam ao sul
Esquecem o céu
E a cor dos loendros.
E o silêncio permanece
Um mistério do olhar cerrado
E de cada vez
Que os olhos se entreabrirem
É a visão da loucura e
O medo do homem que acorda,
Encontrar.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 13, 2011

Já não te chega o dinheiro
Pró teu filho alimentar
Trazes a raiva contida
No coração a sangrar
Vives a vida que querem
Não te deixam levantar
O desespero que sentes
Vai um dia rebentar
Teu mundo é uma tristeza
Que parece não ter para par
Só o olhar do teu filho
Te dá razão pra lutar
Levanta a cabeça e agarra
Tens o futuro a mudar
Nunca te entregues sem luta
A vida faz-se a lutar
Às promessas que te fazem
Não as queiras tu tomar
O teu filho merece
Que venças a ondas do mar.
(a partir de um tema de Zeca Afonso: menina dos olhos tristes, aproveitando a musica)
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, novembro 08, 2011
Já nem sei se poderei
Iluminar estas sombras
Que dentro do meu pensar
Se condensam em nuvens
De cinzas.
Já nem posso reaver
O canto das águas
Nas memórias que
Guardam as chaves
Do tempo.
Do nosso tempo.
Daquele tempo em que
Os olhares sorriam e se
Perdiam nas cascatas
Dos corpos em êxtase.
Já nem reconheço os
Cheiros, ou os recantos
Dos nossos segredos
Das nossas cumplicidades.
Ficou de tudo uma brisa suave
Uma brisa de mar
Que vai e vem ao sabor
Das marés, desencontradas.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, novembro 03, 2011

Por vezes há noite, antes dos braços do sonho
Me tomarem, no seu regaço, sinto o desejo de
Pensar que o mundo é linear. Que há gente
Boa e gente má, que ao branco se opõe o negro
Que existe algures um equilíbrio racional.
É nas horas em que me descubro só, cada vez
Mais só, um eclipse humano tomou conta de mim.
Se existo ou não, jamais saberei, porque pensar
Nada prova, para além do vazio do escuro e
Da ausência. Acompanha-me nestas viagens
A incerteza dos sentidos, uma incerteza pulsante
Viva, presente. E quando os murmúrios do silencio
Se descobrem, abandono-me no sonho de que um
Dia alguém surgirá do nada para me estender a mão,
Me afagar os cabelos e me segredar doce e ternamente
Amo-te.
Mas as manhãs trazem sempre um novo dia
E o corrupio sem sentido de me encontrar
Novamente só….no meio da multidão.
Manuel F. C. Almeida
sábado, outubro 29, 2011

Nem me importa o que pensam.
Os meus poemas são sinfonias
Que se escondem em mim, para lá dos sons
E da simples existência.
Neles amo, neles odeio
Neles prometo o que não posso
Neles sonho, neles me traio
E neles construo o meu mundo
Longe dos olhares dos outros.
Na minha alma os poemas
Espelham a solidão.
domingo, outubro 23, 2011

Ao dia que já passou
E o sonho que se persegue
É o que nunca se sonhou
E vêm bruxos e bruxas
Esquisitos animais
Sedutoras e alvas coxas
Corpos em mil bacanais.
E despedaçam-se as almas
Em ritos sabotadores
Deflagram-se os olhares
Em bocas de mil sabores
E tudo é como o vinho
Bebido com ansiedade
Em cada corpo acabado
Esconde-se uma verdade
E no dia que se segue
Ao dia que já passou
O sonho não se persegue
Porque o sonho terminou.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, outubro 19, 2011
quinta-feira, outubro 13, 2011
domingo, outubro 09, 2011
domingo, outubro 02, 2011
sexta-feira, setembro 23, 2011
sábado, setembro 17, 2011
segunda-feira, setembro 12, 2011
terça-feira, setembro 06, 2011
As palavras mudas
Os lábios descarnados
E os mundos escondidos
Do olhar.
Porque eu nada sei
Passo nas ruelas frias
Da cidade sem ouvir os sons
Ou olhar as casas vazias
Numa absorta e egocêntrica
Indiferença trocista.
Ai quem nos dera
A mensagem prateada
Nos lábios encantados
E os mundos prometidos
Nesse teu eterno olhar
Porque ao passar pela cidade
Aprendi a entender a cegueira
E o segredo que os prazeres
Encantados nos podem trazer
Em cada onda de solidão
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, agosto 31, 2011
Num jardim de mil flores
Que se tinge todo o ano
Com pétalas de todas as cores
Ora amores e desamores
Encantam-se então as palavras
Na beleza do jardim
E unem-se para criar
Um poema sem ter fim
Ora cantam ora dançam
No jardim dos meus poemas
Há mil pétalas, mil cores
E ainda mais teoremas
Com pétalas de todas as cores.
sábado, agosto 27, 2011
Quando te desejo, á distancia enorme
De um olhar
Não passo de uma duna, varrida pelo
Vento e pelo mar
Na angustiante degustação dos elementos
E se te toco com os dedos, numa ânsia
Desmedida e sem pensar
Derramo em ti tudo o que sou, num ardente
E único beijar
Na celebração da vida em todos os momentos
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, agosto 24, 2011
Crescemos no sonho da unidade,
Uma unidade plena e uníssona
De nos fundirmos com “um outro”
Numa peça resistente ao tempo
E às intempéries do viver.
...Crescemos e não damos conta
Que afinal a unidade por si
É unicamente negação do “eu”.
Um subsumir da existência
Nas brumas gélidas da
Tradição em que crescemos.
A unidade sonhada é arma
De arremesso contra a felicidade,
Levamos meia vida nessa procura
E outra meia vida nessa miséria
E nunca nos permitimos ver
Com olhos de ver e de sentir
Como seria o mundo sem
Propriedades privadas ou
Amores jurados para sempre
Que nunca se cumprem
Amar é liberdade, uma liberdade
De o fazer em cada momento
Como se nunca tivéssemos amado.
E isso é unicamente ser livre
E deixar livre quem nos ama.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, agosto 12, 2011
domingo, agosto 07, 2011
quinta-feira, julho 28, 2011
sábado, julho 23, 2011
Prisioneiros da cegueira,
Nesta procura constante
Do “eu” que um dia perdemos
Não encontramos quem fomos
E muito menos quem somos
Porque já nada sabemos.
Por vezes somos só um
De outras vezes somos tantos
Que o encontro com nós mesmos
E como chuva de verão
Que apenas dá a ilusão
De mudar sem que mudemos.
Porque a mudança dói sempre
Como um parto natural
É arrancar um pedaço
Daquilo que o mundo nos deu
E que em nós sempre cresceu
Como diamante, como aço.
Verdades “inabaláveis”,
Tradições que são seculares,
Vincadas dentro do “eu”
Que destroem o que somos
E destroem quem já fomos
E que quase já morreu
Mas é tempo de quebrar
As barras das nossas celas
Libertar a “nossa história,
Destas amarras de tempo,
Deixa-la fluir no vento
Viver em pleno e em glória.
Manuel F. c. Almeida
segunda-feira, julho 18, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
Correm os rios para o mar
E no teu olhar em flor
Há uma luz que nos indica
O cais que o vento perdeu
No corpo resgatado ao tempo
Das lendas e glórias perdidas
Em lugares já sem memória
Que sopram no coração,
Em campos de rubras papoilas
Onde as palavras devolvem
A magia das manhãs
As flores se oferecem
À luxúria dos insectos
E o teu corpo se abre
Sem fronteiras ou limites
Ao prazer de ver os rios
Que correm para te abraçar.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, junho 30, 2011
domingo, junho 26, 2011
Tantos lábios, tantos sonhos,
Tantos corpos pra beijar
Tanta alegria que é vida
Tanta vida que é amar
E tudo em mim vai crescendo
Como uma onda no mar
Que quando é vida na areia
Não deixa de se espraiar
E se um dia tenho certo
Que tudo se vai acabar
E que a vida só se cumpre
No plural do verbo amar
Vou amar todos os dias
Sem fantasmas de saudade
Porque o amor só acontece
Quando amar é liberdade.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 22, 2011
Queimo em mim os restos do que sou
Devagar teimosamente sem pressas
No espaço livre desenho canteiros
Com tulipas, cravos e amores imperfeitos
A terra alimenta-se das cinzas
E as flores descobrem-se como diamantes
Faço colares de flores vivas
Que me limito a unir, sem as colher
Dos lábios soltam-se pequenas
Gotas de vida e saltam rubis do olhar
E na escuridão do universo, algures
E em segredo há uma estrela a cantar
Manuel F. C. Almeida
sábado, junho 18, 2011
Com que letras se deve cantar
A canção da vida e da melodia
Que leva consigo no tempo
A vida…dia após dia.
Com os segredos do sangue?
Com pétalas de alvorada?
Com sonhos roubados á terra
Fresca… depois de lavrada?
Mas cantem como cantarem
Cantem com todas as cores
Que o mundo das minhas canções
É um mundo de muitos amores.
Manuel F. C. Almeida.
segunda-feira, junho 13, 2011
Silencioso o impulso
Despe-se das amarras
Da paisagem,
Bebendo a vida no vento,
Num voluntarioso gesto
De invocação dos corpos
Adormecido sinto a tua
Mão percorrer-me os sentidos
E num ultimo fulgor
Ergo a vida e deleito-me
Com a candura dos teus
Olhos, que suavemente
Me devoram numa doce e
Antecipada luxúria.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 08, 2011
Nunca lamentes, nem chores
Não recordes nem prometas
Há sempre um mundo de amores
No coração dos poetas
Não chores os amigos caídos
No labor do dia a dia
Nem os amores vividos
Quando o amor te sorria
Porque o amor não é singular
Sendo fruto desta vida
Acontece sem avisar
Na pluralidade sentida
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, junho 03, 2011
Todos os dias se repetem
Mas chegaste sem perguntas
Nem respostas
E eu sentei-me no alto
De uma nuvem
E o prazer brilhou no teu olhar
Sem pedir nada em troca
E eu falei dos olhares perdidos
E dos sentidos por descobrir
E sem perguntas ou respostas
Ficamos quietos a olhar o horizonte
Num tempo sem tempo
Nem o horizonte amanhece
Só o presente é real
E só no presente nos descobrimos
Tudo é finito, tudo é presente
O amanhã é acidente.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo
segunda-feira, maio 30, 2011
Elegia social
Nada pode já pintar
As cores do corpo em tédio
A indolência da vontade
Ou as simples palavras
Mudas que guardas
Dentro de ti.
Longe, nada pára o desejo
Ou o momento em que tudo
É belo e as pessoas se apresentam
Como aves do novo mundo
Entre plumagens de mil cores
E o cheiro a novidade.
Então porque não falas
Ou cantas os segredos
Da alma? Não há cobranças
A fazer e o preço a pagar
É tão baixo que não merece
Os juros do silêncio.
Não! Não queiras um teatro
De marionetas como palco
De vida, um presente indolente
Em que tudo se resume a
Uma plateia de aplausos
E um objecto decorativo.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, maio 25, 2011

Leonard Coehn
inspirou este poema
(Like a Bird on the wire)
Porque sou o que não quero
Vivo sempre num desespero
Entre o ser e o não ser.
E o ser que na verdade
Está refém dentro de mim
Anseia pela liberdade
Com mirra, incenso, jasmim.
Mas só a minha vontade
Irá decidir o momento
Em que abraço a liberdade
E agarro uma asa de vento.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, maio 19, 2011
Se falo olham para o lado
Se me calo... sou só areia.
Por tudo vivo inanimado
Preso ao mundo que fechei
É lá que sou escutado
Foi lá que me criei.
Nas margens do ser e do não ser
No único local onde existi
Faço a vida acontecer
Sei que ainda não morri
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, maio 13, 2011
Molho os pés nas tuas águas
E rasgo as duvidas no tempo.
Planto crisântemos em vasos
Que florescem na tua voz
Com o olhar faço o teu molde
Que imprimo dentro de mim
E sopro a figura criada
Com a magia do vento
E nas flores que se desvelam
Do teu ventre feito noz
Saltam sementes de fogo
Que germinam entre nós.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, maio 09, 2011
Tenho o sabor dos teus lábios
Presentes, sem que os conheça
E marcam-me a alma como agulhas
Que misturam o fogo com o fogo
A agua com a agua e os corpos
Separados pela linha do tempo.
Tenho o sabor da tua pele
Sonhada no silencio das noites
E a sinfonia dos dedos
No percorrer simples
De um corpo que se ergue
Ao ritmo de compassos binários
Naquela sinfonia que sonhamos
Tocar a dois, sem linhas de tempo
Ou realidades escondidas
Escondo-me num canto da noite
E na ternura antecipada de um beijo.
Manuel F. C. Almeida
foto: http://olhares.aeiou.pt/Papion





























