domingo, agosto 31, 2008














POEMA IMPERFEITO




A minha vida é caravela sem vento
Que no mistério do mar teima em navegar
Sem velas vivas para desfraldar,
Avança a apalpar os medos do tempo.

Assim construí todo o meu pensamento.
Desenhando moinhos, que derrubo no ar,
Vou pintando telas, sem tintas usar...
Em cada segundo, vivo cada momento

E em tudo o que faço, eu canto este fado
Sem dor, mágoa, muito menos tristeza
Porque triste seria não ter encontrado

O amargo sabor da minha existência
Viver ignorando a enorme beleza
De viver tudo isto em consciência.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 29, 2008











ULTRAJANTE
Encostem-se a mim
Eu já cá ando há muitos anos
Encostem-se a mim
Eu não estou a exagerar
Encostem-se a mim
Preparem bem os vossos planos
Comprem comigo novas acções
Deixem-se empenhar.
Venham ao balcão
Eu só vos quero é agarrar
Em nome de deus e do grande capital
Entendam-me bem
Eu só revelo ser banal
O tempo da vida boémia
Da revolução libertária
Foi um bacanal
Agora só quero vender a alma
E os meus sonhos
Como produto bancário final.

Manuel F. C. Almeida





SEDE DE TI



FOTO BY:luis azevedo







E foi na noite
Povoada por sons ausentes
Que escalei o teu corpo
Em mil sentidos deleites.
E se o sentir a madrugada fria
Me devolveu jovialidade
Teu corpo, idolatria,
Resolveu a saciedade...
De ti.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 27, 2008





TEU NOME



foto by:Nuno Manuel Baptista








E no mistério das palavras
Que encobrem as coisas,
Ouvi o canto do mar
No tom das vagas
Que soletravam
O teu nome.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 25, 2008











Voltei







É no meu sentir
Que repousam
As memórias dos dedos
Num altar de deuses
Pagãos
Que beijam no tempo
O corpo do prazer.

Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 02, 2008



VOU DE FÉRIAS E:

FAZ ANOS QUE O MEU AMIGO NASCEU

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, filho de José Nepomuceno Afonso, juiz, e de Maria das Dores Dantas Cerqueira, professora primária

ATÉ JÁ.

sexta-feira, agosto 01, 2008





III



Foto by:


Nuno Belo






Recuso falar
Da bruma do tempo.


E do nevoeiro de ti,
Recuso falar.

Manuel F. C. Almeida