sábado, março 02, 2013

















Desço pelo teu


Corpo como

Um rio de águas

Agitadas

Á espera que

Se desbravem

Ao toque dos

Meus lábios

De seda e veludo.

Os teus seios

Erguem-se

Ao encontro

Dos céus

E o teu ventre

Agita-se como

Vento,

Como onda

Que se eleva

E se cava

Num remoinho

De prazer



Desço pelo teu

Corpo para

Nele me perder.



Manuel F. C Almeida

terça-feira, fevereiro 26, 2013























Que mais de mim direi
Que fique gravado no vento
Quando de mim nada sei
E perdi o norte no tempo


E entre o mundo que pensei
Ser possível num momento
Resta só o que sonhei
No naufrágio de um lamento.

Mas nunca me irei entregar
A quem quer que me apareça
Antes morrer a lutar
Que viver sem ter cabeça



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 21, 2013





















E eis que descubro a tua alma

E tu ficas nua e indefesa

E só então te sentes salva

E em mim te apoias com firmeza



Soltam-se os beijos e a ternura

Em gestos prenhes de saudade

E em nossos corpos a loucura

Tem o sabor da eternidade



E cai o dia, a noite passa

E os nossos corpos extenuados

Erguem-se como uma taça

Para se tomarem encantados



E quando a fome está saciada

E os nossos sentidos dormentes

Reabre-se a porta ansiada

E renascemos como sementes.



Manuel F. C Almeida

sexta-feira, fevereiro 15, 2013


Olhar-te encantava o


Negro. Eras silhueta sem

Sem imagem.

De onde se soltavam instintos

Animais

E tudo o resto era espelho

Da vontade em mim.



Manuel F. C. Almeida



segunda-feira, fevereiro 11, 2013





















As palavras que deixo no ar


São rosas e cravos de jardim

No desejo de encontrar

Em ti o que resta de mim



E se os seios te tomo nos lábios

E se o ventre te tomo nos dedos

Leio em ti o nome de sábios

Para vencer os meus medos



E num frenesim me alimento

Num festim feito de instinto

O teu corpo é o meu templo

O meu ópio e meu absinto.





Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 01, 2013






















É tempo de mergulhar


A palavra

Nas águas límpidas

Do desespero

Que vive no interior

Do teu peito

E acender nela a tocha

Dos sentidos e da

Luxúria.



Manuel F. C. Almeida



segunda-feira, janeiro 28, 2013
















Ao entardecer eu ouço
Os teus passos.
Percorremos o labirinto
Da vida,
Num sobressalto de medos
E segredos,
Num jardim de deuses
E mitos,
E de esquina em esquina
Procuro encontrar-te.
Mas apenas o som
Dos teus passos se houve.
Há sonhos que não passam
De sonhos.
Todo o caminho é deserto
Procurar o som de outros passos
É só o que nos resta,
E nem os deuses ou os mitos
Podem minguar
O terror de estar só
Com o som dos teus passos.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 22, 2013





















Nada fiz de relevante na vida


Nunca vendi a alma aos deuses

Nem a vida aos homens importantes

Sou anónimo nos anónimos

Uma singularidade estatística

Mas são muitos como eu

Que criam os homens importantes

E se imolam no alter dos deuses

Tirânicos que alimentam.



Manuel F. C. Almeida



quinta-feira, janeiro 17, 2013




Passam pela vida os segundos

Que não mais irão passar

Unidas são gotas de um rio

Não voltam ao mesmo lugar



Tal a como a vida se vai

Sem que disso demos conta

O rio também vai passando

Gota a gota se faz onda



E se tudo na vida se altera

E se esta tem sempre um final

Também as águas do rio

Morrem doces, renascem sal.



Manuel F. C. Almeida






sexta-feira, janeiro 11, 2013



Quero perder-me na estrada

Sem rumo ou direção

Sem fronteiras

Para lá do mar

Quero perder-me na vida

Sem certezas ou lugares meus

Nem saberes imperativos.

Ser quem vive a sonhar

Quero perder-me nas coxas

De mil mulheres que me tomem

Apenas por aquilo que sou

Um eterno ignorante

Que nem a si se encontrou



Quero perder-me da vida

E é à vida que me dou.





Manuel F. C. Almeida

 


domingo, janeiro 06, 2013




















Que nos os teus lábios

Eu morra todos os dias

Uma morte rápido e indolor

E que pela madrugada

Me levante, volte à vida

E à esperança de voltar

A morrer de amor



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 31, 2012
















É preciso reinventar o amor


Nos caminhos que temos pela frente

Fazer da vida um arco-íris

Sem pote de ouro ou outras crenças

Reinventa-lo simplesmente.



Pode ser reinventado com o olhar

Que pousa em estranhos por momentos

E pinta uma tela de mil cores,

nos faz saltar o desejo

Em ternos e eróticos pensamentos.



E se uma folha de primavera se soltar

Nesse recriar da vida e do encanto

Guardemos essa folha com cuidado

Deixemos que cresça e nos e aqueça

E que reinvente o amor com o seu canto

Um amor que se renove e sempre cresça

e que nos inunde a todos com o seu manto.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 28, 2012















Elegia para uma relação mundana




Já desceram as sombras sobre nós

E os dias de paixão e encantamento

Também foram.

Restam os silêncios que na voz

Mais não são momentos que se afloram.

Fingimos não ver o que é presente,

A ternura e o calor que é ausente,

Deixámos o tédio ser rei na vida.

E á noite, quando a vontade desperta

Deixamos por momentos a porta aberta

E usamos no outro a tesão sentida.



E quando o momento se acaba

Nem um beijo, ou carícia

Paira no ar.

Viramos o ser para outro lado

Temos o corpo saciado

E as sombras teimam em voltar.



Manuel F. C Almeida.

terça-feira, dezembro 25, 2012





















Porque é natal,
um dia como outro qualquer
Vão morrer muitas pessoas
E outras pessoas nascer.
Pessoas há que nem sabem
Que neste dia dito especial
Nasceram muitos meninos
Que não conhecem o natal
Que vivem todos os dias
Apenas para sobreviver
E outros há que sem saber,
Porque nunca lhes disseram,
Estragam o muito que têm
Á custa dos que nada tiveram.
Neste dia de Natal
Um dia como outro qualquer
Os donos do capital
Continuarão a enriquecer
Não me venham pedir tréguas
Ou que me deixe iludir
O natal é mais um dia
Igual aos que se irão seguir.
E como a minha existência
É uma luta pela justiça
Só irei ter um natal
Quando acabar a injustiça.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 22, 2012
















Sinalizei o silêncio como um tratado

Entre o estar e o não estar.

Entre palavras que, de luz,

Seriam o palco onde os personagens

Se transformavam em flores ou simples

Objetos de uso comum, conformados

Com a sorte que lhes calhou.

Mas sinalizei o silêncio no momento em

Que o silêncio se quebrou, não por se quebrar

Mas unicamente por continuar a ser silêncio

Nos sentidos.

A meu lado o sonho esfumou-se, como a água

Das ondas se vai por entre a areia da praia.

Talvez uma nova onda seja maior e traga mais

Água, talvez a areia da praia fique impermeável

Mas o silêncio cavalga agora as ondas

E o olhar perde-se na imensidão de um oceano

De duvidas que rebentam na praia e

Nela depositam corpos… em silêncio.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 18, 2012





















Costumo morrer todos os dias

Na solidão da madrugada

E onde alguns colhem lírios e

Alecrim, numa alegria

De vida que eu invejo.

Eu encontro apenas o silêncio

Em tudo aquilo que vejo.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 12, 2012















Ao mundo sobrevivi


Só e sem nada ter

Mudei de rumo sempre

Que quis

Mudei de vida, mudei de querer

Sempre a mudar

Desenhei o meu caminho

Nada me impede de o fazer,

Nem amores que o tempo

Condena,

Nem falsos paraísos de prazer

Só vivo em pleno na liberdade

De amar os dias ao acordar

Não me convencem promessas

E não temo estar só

A caminhar..



Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 08, 2012















 

 

Estou preso dentro de mim
De um mundo de encruzilhadas
De dúvidas que não têm fim
Mas todas com muitas estradas

Não creio que existam respostas
Nos caminhos a escolher
Carreiros em frente e nas costas
E eu quieto sem me mover

Espero em vão um sinal
Que me ajude a decidir
De como escolher afinal
Qual o caminho a seguir

De algo tenho a certeza
Não há caminhos sem dor
Que em todos existem tristezas,
Angustias e campos em flor.

Manuel F. C. Almeida






terça-feira, dezembro 04, 2012





















Não escrevo para os outros


Escrevo para me libertar.

Do carcere de cada hora

Que passa e que há-de passar

Faço da escrita catárse

Desde que me levanto ao deitar.

por vezes nem sei quem fala,

Nem sei se quero falar

desta vida inconstante

De quem se esta a interrogar:
Quem sou, de onde vim

para onde estou a caminhar?


respostas que sempre procuro

neste eterno dialogar

entre os varios "eus" que convivem

dentro de mim a lutar.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 30, 2012
















Costumo dizer que há uma linha
Entre dois pontos, duas pessoas.
Uma linha que separa
E também une.
Costumo dizer que há linha
Há qual me encontro imune.
É a linha do olhar que se não dá
Que não se recebe
É a linha que sem nada dizer
Se percebe.
Há pois uma linha em tudo,
Em todas as nossas acções
Uma linha de esperança…
Ou uma linha de ilusões.
E sempre que encontro essa linha
No meu lento caminhar
Gosto de a percorrer
E de repente saltar.
E deixo a linha seguir
O rumo que ela escolher
Eu…desenho outra linha
Para novamente viver.

Manuel F. C. Almeida